segunda-feira, dezembro 24, 2012

Natal - Deus Connosco



Neste dia de Natal chega também aos nossos ouvidos, à nossa vida, a boa notícia da Incarnação do Filho de Deus! Deus-connosco! Deus para nós! Salvação! Sentido! Vida! Aquele que esperamos, desejamos, Aquele de quem precisamos, veio e vem continuamente! Disfarçado, escondido, porque se confunde com a fragilidade, a simplicidade, a pobreza, a ternura! Abramos a nossa existência à Sua chegada! Acreditemos na Palavra! Exultemos de alegria!

A resposta de Maria retoma um salmo de acção de graças (cf. Sl 34,4), destinado a dar graças a Deus porque protege os humildes e os salva, apesar da prepotência dos opressores. É um salmo de esperança e de confiança, que exalta a ternura de Deus para com os pobres e os que sofrem. A presença de Jesus, através de Maria, mulher simples e frágil, é um sinal do amor de Deus, preocupado em trazer a salvação a todos. Com Jesus, chegou o tempo novo de paz e de felicidade anunciado pelos profetas.

O Natal fala-nos da imensidão do Amor de Deus manifestado na Incarnação do Filho. Em Maria encontrámos a mais sublime lição de fé e adesão. Como Ela, estamos implicados neste projeto. Todos somos chamados a dar espaço ao amor divino que tudo transforma e revigora, acolhendo Jesus na nossa vida concreta, numa atitude de confiança, abandono e alegria.

Natal, é verdadeiramente a festa da alegria. A alegria das prendas é claro, a alegria de dar e de receber. A grande alegria dos cristãos, é de contemplar o Menino do presépio, o Filho de Deus que veio ao nosso encontro, aquele que é ao mesmo tempo o Todo-Poderoso e, que se fez pobre, pequenino e tão próximo dos homens.
  
Que o Natal seja muito mais que uma soma de objetos trocados. Que o Natal seja o grande jogo dos afetos pela vida nos seus diferentes tons. Que o Natal seja uma liturgia, uma parábola, uma história mais que mágica. REAL. Com a estrela os magos, o canto dos anjos, o Menino reclinado, a humanidade em festa porque redimida. Seja em que tom for, este hino de Deus no meio dos homens nunca pode deixar de ser repetido. Mesmo que o Natal pareça mais um ciclo com menos imaginação. 


À luz do mistério do Natal questiono  a minha fé: que lugar dou a Jesus no meu dia a dia, na minha existência?... A partir deste Natal vou conceder-Lhe mais tempo, mais espaço e maior centralidade.

Vídeo - Natal 2012 




Hoje é NATAL!

Deus, fizeste-te homem.

Esperando a tua vinda,
nós aprendemos
a vigiar,
a preparar,
a testemunhar,
a acolher.
Hoje é NATAL!
Acendeste o Amor na terra.
Ensina-nos, SENHOR,
A guardar esta luz,
a amar como tu amas,
a escutar, aver, a partilhar.
E cada dia, será um dia de amor,
cada dia será ainda NATAL.







MENINO JESUS!


Tuas mãos tudo partilham

do Todo que nos trouxeste.
Teus olhos, felizes, brilham
pelo "Sim" que ao Pai disseste.

Simples, meigo, despojado
para vestir nossa veste,
Tu és o Deus humanado
que nosso Irmão te fizeste.

Jesus Menino em Belém,
em Nazaré Tu cresceste;
homem, em Jeruzalém
morte injusta padeceste.


SALVADOR,
 De todo o povo
sem distinção,
que nos deste
a esperança
de um Mundo Novo.


Bem-Vindo, porque vieste!

sábado, dezembro 22, 2012

Maria a "Bem - Aventurada"



Maria é uma das figuras importantes do Advento. Preparando o nascimento de seu Filho, percebe que o seu caminho se torna serviço e generosidade para com quem dela necessita nesse momento. Parte para ser a “bem-aventurada”, na saudação sem precedentes da sua prima Isabel. Bendita tu, entre todas as mulheres. Porque “donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor”?
Na sequência da experiência da anunciação e consciente do mistério do dom de Deus na sua vida, Maria não se fecha, não se acomoda, não se isola; olha em redor e dá-se conta da novidade que o poder de Deus operou também na sua prima Isabel. Vai apressadamente, sinal do impulso do Espírito que a move a pôr-se a caminho para comunicar a Sua Palavra. É uma viagem de caridade, na disponibilidade de partilhar e servir.
A mesma Palavra, a presença de Jesus de que Maria é portadora, habita-nos. Chega até nós sempre de uma forma surpreendente! Tantas ‘visitações’ e ‘saudações’ tocam a nossa vida para nos recordarmos que Jesus é Salvação, é Vida, é Amor! Tantas mediações cruzam a nossa vida! E nós, indiferentes, cépticos, apressados, distraídos...não O reconhecemos, não O acolhemos! Não nos deixamos estremecer! Como somos insensíveis a este Jesus que vem até nós e nos habita!

As palavras que Isabel, movida pelo Espírito de Deus, dirige a Maria são uma citação do Antigo Testamento do Cântico de Débora (cf. Jz 5, 24) para celebrar Jael, a mulher que, apesar da sua fragilidade, foi instrumento de Deus para libertar o povo. Maria é o novo instrumento de Deus para concretizar a salvação definitiva. Aceita e assume este projecto divino na mais profunda fé. ‘O fruto do seu ventre’ é Jesus, o Messias esperado, a Salvação prometida.

A proposta libertadora de Deus chega-nos através do Sim de uma jovem simples duma classe social patriarcal, onde a mulher não gozava de todos os direitos civis e religiosos. Deus ‘baralha’ os esquemas e critérios humanos. Deixemo-nos encher do Espírito de Deus para reconhecermos, como Isabel, a Sua proximidade, a Sua salvação, através dos meios, mediações e experiências simples e pobres. Deus quer servir-se de nós, apesar dos limites e fragilidades, para continuar a propor o Seu projecto. Espera o nosso sim!

Isabel reconhece no Filho de Maria o ‘seu Senhor’. Não percebe como é possível que a Mãe do Senhor tenha vindo visitá-la. Proclama a dignidade de Maria e sabe que não está ao seu nível. Confessa a Sua humidade! No entanto, recebe a sua visita e participa na alegria da vinda do Messias! Isabel é a primeira a fazer a sua confissão de fé na Incarnação do Filho de Deus ao chamar Maria de ‘Mãe do meu Senhor’.
Graças ao ‘sim’ da Mãe, o Filho de Deus veio até nós! Na noite da Sua vinda tomemos consciência da imensidão do amor deste Deus que Se faz um de nós no Menino frágil que nasce em Belém. A notícia do nascimento do Salvador chega, em primeira mão, aos mais humildes da sociedade: os pastores. O sinal da vinda de Deus poderia ter sido uma manifestação maravilhosa, extraordinária, mas é um Menino nascido numa mangedoira. Também nós somos destinatários deste anúncio. O Senhor, o Deus-connosco, veio ter comigo, vem à minha vida! Escancaremos-Lhe as portas do coração para que encontre o lugar que procura!

A visita de Maria a Isabel foi uma espécie de Natal antecipado. Isabel confessa a Incarnação do Verbo; João Baptista exulta de alegria com a sua chegada, sinal de que toda a humanidade vê cumprida, em Jesus, a promessa de Salvação.
Maria, é Bem-aventurada porque acreditou na Palavra de Deus, acolhendo-a plenamente e dando o seu consentimento na fé. É a crente por excelência. Abre-se totalmente ao projecto de Deus. Porque acreditou, Maria torna-se ‘caminho’ e condição da Incarnação de Jesus.

A dois dias do Natal sejamos apressados, como Maria! Coloquemo-nos a caminho, na força do Espírito que nos habita e guia a comunicar as palavras de vida e salvação que nos são ditas da parte do Senhor. Sejamos portadores da certeza do Amor incarnado em Jesus Cristo e da esperança que nos enche de alegria e confiança. Vamos apressadamente, porque a graça do Espírito não contempla hesitações!

sábado, dezembro 01, 2012

Advento




De acordo com o calendário litúrgico, o tempo do Advento que se destina à preparação imediata do Natal do Senhor assim como antecipa a segunda vinda de Jesus (“Virei sem demora, diz o Senhor, para dar a cada um a recompensa das suas obras” [Ap 22,12]), começa no dia 1 de Dezembro  com as I Vésperas do I domingo do Advento e termina no dia 24 de Dezembro, antes das I Vésperas do Natal do Senhor.

Já nos habituámos a considerar este tempo o que ele mesmo pretende ser: uma preparação intensiva para o nosso encontro com o Senhor que vem (Ap 1,4.8; 4,8). O Advento é um tempo de esperança, de expectativa jubilosa, um caminhar confiante ao encontro de Cristo. É necessário devolver ao Advento o seu sentido de alegre espera d’Aquele que vem visitar o seu povo e não confundir este tempo forte da Liturgia com a Quaresma, tempo penitencial por excelência. Embora todo o tempo deva ser para o crente tempo de penitência, no entanto, retiraríamos ao Advento a sua característica essencial de preparação para o encontro com Cristo a nível pessoal e comunitário, se lhe déssemos um carácter penitencial que, de facto, não tem.

Etimologicamente a palavra Advento significa chegada. A palavra tem origem no verbo latino advenire que significa chegar. Antes da era cristã já no Império Romano o termo era utilizado para anunciar a visita do Imperador às suas imensas colónias espalhadas pelo mundo de então. Nesse sentido, as populações preparavam-se para o Adventus divi Augusti, isto é, a visita ou a chegada do divino Augusto (Imperador de Roma).

Cedo, porém, a comunidade cristã nascente se apropriou dessa expressão e deu-lhe um cunho todo próprio, ligando-a ao aparecimento de Cristo na História pela Encarnação do Verbo no seio puríssimo da Virgem Santa Maria. Daqui, a primitiva Igreja começou a considerar o Advento como a preparação para o Natal do Senhor a fim de que cada cristão individualmente e as comunidades em colectivo se preparem espiritualmente para receberem Aquele que nasceu em Belém uma só vez e que deve nascer continuamente no coração de todos e de cada um dos fiéis. Desta forma, o Advento começou a ser vivido não só sob o ponto de vista histórico como recordação do Dies Natalis (dia do nascimento) de Jesus, mas também como a sua reactualização contínua na vida dos cristãos e da Igreja como o nascimento de Cristo no coração de cada um, além de nos recordar sempre que esse mesmo Jesus de novo há-de vir na Sua glória, na plenitude dos tempos (Gl 4,4), para julgar os vivos e os mortos (cf. Credo). Assim, o Natal mais do que uma mera celebração aniversarial de Jesus, tornou-se um acontecimento actual pois toca todos e cada um no momento actual da nossa existência e da futura e, nesse sentido, o Natal é algo sempre novo, atemporal.

O Advento vive-se de forma especial na Liturgia da Igreja. Os quatro domingos durante os quais a Liturgia canta: Marana tha (Vem, Senhor Jesus, cf. 1Cor 16,22), pretendem chamar a atenção dos cristãos para o facto de que é absolutamente necessário não perder de vista o peregrinar do homem à face da terra como uma preparação para a última vinda de Jesus no fim dos tempos, o encontro final, definitivo com Deus, Senhor da História e com seu Filho que no-Lo revelou. E, em segundo lugar, uma preparação para a celebração do Natal com tudo quanto ele significa. Por isso, ao longo de todo este tempo, a Igreja recorda-nos estas palavras: “Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas, e toda a criatura verá a salvação de Deus” (Lc 3,4-6).

Maranatha!! Vem Senhor Jesus!!!

BOM ADVENTO!! 

sábado, outubro 13, 2012

A FÉ


Acreditar... em quê... Para quê?...

Acreditar é viver: é uma atitude da pessoa humana e faz parte de cada minuto do nosso dia-a-dia. Viver é acreditar... em nós próprios, nos outros, naqueles que nos rodeiam, na vida! É deixar que a vida e os outros entrem em nós. É abrirmo-nos com confiança e amizade, sem medos, sem desconfianças. Conseguiríamos viver sem esta fé humana de todos os dias?

Para os crentes, a fé é acreditar, é aceitar, é abrirmo-nos à realidade de Deus que nos envolve, que vem até nós através de múltiplos sinais e manifestações. É a fé que nos torna capazes de "ver" Deus em nós, nos outros, na vida, no mundo.

Mas para nós,  cristãos, acreditar é aceitar a Pessoa de Jesus Cristo como Filho de Deus que nos dá o Espírito e que nos fala de Deus-Pai. O centro da fé cristã é Jesus Cristo, Ele que é o Filho de Deus, a única e definitiva imagem de Deus. É por Ele e n´Ele que entramos no Mistério de Deus e que Deus se torna próximo de nós.

A alegria da FÉ

É difícil explicar ou definir a atitude de fé. Muitos filósofos, historiadores das religiões, teólogos, têm feito as suas tentativas de explicação. Podemos dizer que acreditar é amar e perceber que somos amados por Alguém, por Deus. Acreditar em Deus é descobrir que ele nos ama e nos chama a viver no amor. A fé é uma resposta ao chamamento para o amor. A fé é um caminhar, uma aventura, um risco e um desafio. É amar e confiar.
Mas a atitude de fé não é uma simples adesão cega e ignorante sem explicação. A nossa inteligência e a nossa razão não podem ficar de fora desta dimensão da vida, como de nenhuma outra. Somos sempre um todo de inteligência/razão e coração/vontade, em todos os momentos e situações da vida. Podemos e devemos ter uma atitude inteligente e crítica perante a fé: razões que a fundamentem, que a purifiquem, que a tornem sólida, sincera, que a esclareçam. 
Assim, a fé, acolhida com o coração, esclarecida e aprofundada pela inteligência, é fonte de alegria e de esperança para o crente, para o cristão. Ela é um dom de Deus, é uma semente maravilhosa na vida e no coração de cada um de nós para que demos frutos de vida eterna. Ela é uma graça, não é uma conquista ou uma descoberta do homem, mas nem por isso diminui a sua dignidade nem a sua liberdade. Não é uma imposição, mas um convite de amor que exige a nossa adesão de coração e de inteligência, exige a colaboração humana e a decisão da nossa vontade e da nossa liberdade. Bem entendida, a fé é uma força extraordinária para a vida: permite-nos ver a vida com o olhar de Deus, segundo o Seu plano, o Seu Projeto de Amor para cada um de nós, para toda a humanidade, para o mundo. Ela é fonte de alegria, de certeza, mas também de dúvidas e novas interpelações.
O "Amén" com que terminamos a proclamação do Credo não é apenas um acrescento final. AMEN significa, em hebraico, a solidez e a certeza.
Quando dizemos AMEN estamos a proclamar que acreditamos que este Deus é a nossa rocha firme, a nossa segurança: "Quem escuta as Minhas palavras e as põe em prática é como o homem prudente que edificou a sua casa sobre rocha" (Mt 7, 24)

Vídeo: A FÉ






Abraço fraterno!!
Arménio Rodrigues

segunda-feira, outubro 08, 2012

Santo Agostinho e a catequese


Santo Agostinho foi um dos Padres da Igreja da idade de Ouro. Devido à sua grande influência na catequese merece uma referência especial. Além de ter deixado uma teoria e uma prática catequética, a sua doutrina influenciou muito os conteúdos da fé como, por exemplo o que se refere ao pecado original.

Santo Agostinho nasceu em Tagaste (Numídia) no ano 354, e recebeu de sua mãe Mónica a educação da fé. Era ainda o tempo em que o Norte de África era cristão. Porém, Agostinho aos 16 anos deixou o cristianismo com grande desgosto de sua mãe. Deixou a sua pátria e partiu para Roma e depois para Milão, como professor. A sua mãe seguiu-o de perto, enquanto rezava pela conversão do seu filho. Sedento de Deus, inquieto e sem paz interior, foi escutar os sermões do bispo Ambrósio de Milão. A partir daí, abandonou o maniqueísmo, uma heresia cristã, e fez-se catecúmeno, sendo depois baptizado na Vigilia Pascal pelo santo bispo. Regressando à sua terra, no norte de África, foi escolhido pela comunidade para sacerdote e, mais tarde, para bispo. Foi em contacto com o seu povo que se deu conta de como era importante investir na catequese. Viu a dificuldade que os catequistas do seu tempo tinham na explicação da fé e, por isso, escreveu o "De catechizandis rudibus", um manual de metodologia catequética. O bispo Agostinho, utilizando uma linguagem simples e profunda, dedicava muito tempo à pregação popular e à instrução do clero. Morreu em Hipona durante o assédio dos vândalos.

A teoria catequética
Desta sua teoria sublinho, em primeiro lugar, a importância que ele dá à narração. Apresentou a história da salvação, a partir do Génesis, pondo em destaque os momentos mais fortes na história do povo de Deus.
Jesus Cristo aparece como o grande acontecimento da humanidade, para o qual converge o Antigo Testamento e do qual parte o Novo Testamento.
Agostinho tinha um desejo: que quem escuta a Palavra de Deus acredite; e quem acredita tenha esperança; e quem tem esperança pratique a caridade, o amor. Temos aqui as três virtudes teologais como as atitudes básicas do seguidor de Jesus Cristo: ser forte na fé, firme na esperança e activo na caridade.
A catequese devia estar relacionada com a vida, de forma que os crentes, vivendo na cidade terrena, se sentissem cidadãos da cidade futura, o Paraíso. E isto porque no baptismo morremos com Cristo para ressuscitar com Ele na vida eterna. Na sua teoria catequética, Agostinho deu importância ao testemunho da alegria que o catequista deve dar aos catequizandos, sendo a encarnação viva da Boa Nova que anuncia e explica.

A prática catequética
Santo Agostinho entendia a catequese para vários grupos de pessoas. Note-se que estamos no século IV e ainda não se tinha divulgado o batismo das crianças. Era ainda o tempo do catecumenado, que irá decaindo com a paz de Constantino.
A catequese era, primeiramente, para os catecúmenos. Agostinho expõe a verdade acerca de Deus Pai, do Verbo Incarnado que morreu e ressuscitou, e do Espírito Santo. Fala também da Igreja, Santa como Maria e pecadora nos seus filhos. Fala do pecado, na salvação e na ressurreição dos mortos. Entregava-se no final o Símbolo dos Apóstolos.
A catequese era também para os "eleitos", os que se estavam já a preparar para o Batismo. Esta incidia nos deveres morais do cristão: "Nós semeamos a semente da palavra e vós dais o fruto da fé", vivendo um vida nova. A catequese era também para os neófitos, isto é, os que mergulhavam nas águas baptismais e renasceram como homens novos em Cristo Pascal. Tratava-se de uma catequese mistagógica, isto é, de iniciação aos mistérios que receberam na noite pascal. Era, sobretudo, uma catequese acerca da Eucaristia como mistério de fé. Finalmente, a catequese tinha como distinatários todos os fiéis. Nunca era demais aprofundar as razões da nossa fé e da nossa esperança.

O catequista desanimado
Santo Agostinho, ao escrever o "De catechhizandisbrudibus" fê-lo como sendo a resposta a um diácono de Cartago, catequista desanimado, encarregado de ensinar a doutrina a principiantes pagãos que, embora rudes, estavam desejosos de conhecer o essencial do cristianismo. Esta sua obra permaneceu até aos dias de hoje.
Para terminar, fique uma das suas intuições: é preciso que o catequista contagie os catequizandos com a sua alegria; e que estes, por sua vez, com a sua adesão à fé, animem os seus catequistas. Ambos são ouvintes da Boa Nova.


Video - Lugar de intimidade

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Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues




sábado, setembro 29, 2012

Pedro e o Catequista



Hoje gostaria de vos falar de S. Pedro.
É um personagem fantástico. Tão cheio de contradições, de entusiasmo e de debilidade. Tão apaixonado pelo Senhor. Tão capaz de O trair. Tão... como nós!
Mas na hora da verdade, na hora do amor, Pedro correspondeu à sua vocação: ser firme. Ser Pedro-Pedra. Firme como uma rocha.
Mas Pedro era também um pescador, um homem que sabia apanhar o melhor dos ventos e das correntes para ir ao encontro do seu Senhor.
Precisamos deste exemplo na nossa vida de fé e neste serviço de iniciarmos outros na fé. Precisamos de aprender com ele a ser flexíveis no acessório mas firmes no essencial. Capazes de dar o primeiro passo. Capazes de chorar, quando descobrimos que nos enganámos.
Esta "nova era" o tempo das identidades débeis, onde nada é seguro nem definitivo. Onde não há bem nem mal, nem vontade nem amor. Apenas instante efémero e "apetece-me".
Ao lado de Pedro, assumindo todas as nossa traições, dizemos
"Tu sabes, Senhor, que te amo". E na certeza de sermos amados por Ele, sentimo-nos firmes. E, por isso, capazes de dar solidez e firmeza a outras vidas.

Pedro: "Sobre esta pedra edificarei a minha igreja"
Simão, mais conhecido por Pedro, antes de se tornar um dos doze discípulos de Jesus, era pescador. Como tantos outros pescadores, habituado nas expedições de pesca às redes cheias e às redes vazias, alimentava sonhos de uma vida melhor e mais feliz para todos.

Um pescador que encontou novos mares
É neste cenário que surge Jesus. Segundo o relato de Lucas (Lc 5, 1-11). Pedro conheceu Jesus quando este lhe pediu para usar o seu barco, de forma a poder pregar a uma multidão de gente que O queria ouvir.
Pedro, que estava a lavar redes, emprestou-lhe o barco. No final da pregação, Jesus disse a Simão Pedro que fosse pescar de novo em águas mais profundas. Pedro responde que tentara em vão pescar durante toda a noite e nada conseguira mas, em atenção ao seu pedido, fá-lo-ia. Eis o resultado: "Assim fizeram e apanharam uma grande quantidade de peixe. As redes estavam a romper-se, e eles fizeram sinal aos companheiros que estavam no outro barco, para que os viessem ajudar. Vieram e encheram os dois barcos, a Ponto de se irem afundando" (Lc 5, 6-7).
Numa atitude de humildade, verdade e espanto, Pedro prostra-se aos pés de Jesus e diz: "Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador" (Lc 5, 5-8). Jesus encorajou-o: "Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens" (Lc 5, 10).

fé de Pedro em Cristo
"E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus" (Lc 5, 11).
No grupo dos discípulos, Pedro torna-se o porta-voz, como no episódio da transfiguração. Assim que Jesus coloca uma pergunta, Pedro é o primeiro a responder.
O momento mais conhecido é quando Jesus pergunta aos seus discípulos quem é que as pessoas dizem que seja o filho do homem. Pedro apresenta a conclusão: "Tu és o Messias, o filho de Deus vivo" (Mt 16,16). Jesus louva-o pela resposta: És feliz, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sanhue que to revelou, mas o meu pai que está no céu. Também eu te digo:
Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja" (Mt 16, 17-18).
Pedro reconhece o mistério de jesus e acredita nele como o Mesias e filho do Deus vovo, e vai tornar-se rocha-pedra para a igreja inteira.

Ser "rocha" para os outros
Na Bíblia, "rocha" signufica solidez. Deus é descrito como a "rocha que nos sustém". Mas Pedro, a "rocha" da igreja, terá que fazer um longo caminho de amadurecimento, até se tornar rocha para os outros.
Quando Jesus fala da sua morte vilolenta, eis que Pedro, impulsivamente, O chama à parte e O repreende: "Deus te livre, Senhor! isso nunda há-de de acontecer! (Mt 16, 23). Pedro recebe de Jesus uma amarga resposta: "Afasta-te, Satanás! tu és para mim um estorvo, porque os teus pensamentos não são os de Deus, mas os dos homens!" (Mt 16, 23)
Pedro terá que viver a experiência da Morte e da Ressureição de Jesus para compreender todo o alcance da vida e das palavras de Jesus e reconhecer o alcance da missão que Jesus lhe confiou. E nesses momentos decisivos da vida de Jesus, Pedro fica muito aquém das expectativas, chegando mesmo a afirmar: "Não conheço esse homem!" (Mt 26, 72)

A força do amor
No entanto Pedro, mesmo no meio da dor causada pala ausência de Jesus e pela sua falta de lealdade, não desespera. E eis que Jesus, lhes vem ao encontro, no mesmo mar que tinham antes abandonado para O seguir.
Depois da refeição Jesus pergunta três vezes a Pedro: "Simão, filho de João, tu amas-me mais do que estes?". Pedro responde, afirmando solenemente o seu amor: "Sim, Senhor, Tu sabes que eu te amo". Mas quando Jesus lhe perguntou pela terceira vez Pedro ficou triste e respondeu~lhe: "Senhor, tu sabes tudo; tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo!"
Claramente, a tripla pergunta de Jesus recorda a Pedro a sua tripla traição.
Nesse momento, Pedro não se desculpa: deixa que Jesus olhe para os desejos mais profundos do seu coração... ele acredita no facto que Jesus reconhecerá o verdadeiro amor que nutre por ele.
É a este "novo" Pedro, reconciliado e curado das suas feridas, que Jesus confia a sua comunidade: "Apascenta as minha ovelhas!" (Jo 21, 17)

Na escola do Evangelho
A história de Simão Pedro mostra que também nós, podemos tornar-nos rocha para os outros, apesar das nossas cobardias e fraquezas. Como será isto possivel?
Se nos entregamos ao caminho de transformação que os Evangelhos nos mostram em Simão.
Fica então um convite a meditar os diferentes textos citados.
Se como Pedro reconhecermos quem é Jesus, então também nós poderemos ser "rocha" para os outros.

Vídeo: Eis-me Aqui!

quinta-feira, setembro 06, 2012

Comunicação na educação


Um sapo que era príncipe

inspiro-me numa conhecida versão do conto de fadas O Príncipe Sapo para vos falar sobre a comunicaçâo na educação.
  Era um Vez uma princesa que, passeando um dia junto a um lago do seu jardim, deixou cair à água uma bolinha de ouro. Enquanto olhava aflita para a água sem saber o que fazer, eis que surge um sapo feio à superficie com uma solução: "Eu recupero a tua joia se me convidares para o teu palácio e me deixares lá viver como um príncipe!".
Sem reflectir no que se metia, a princesa disse a tudo que sim ao sapo. Este mergulhou imediatamente e reapareceu logo a seguir com a bola de ouro na boca. Ainda incrédula, a princesa corre para o palácio com a joia, esquecendo por completo o que acabara de prometer. Já à mesa, batem à porta de forma estranha. Um criado espantado vem anunciar que é um sapo a reclamar o cumprimento de uma promessa da princesa. Ela acaba por contar tudo ao pai que a obriga a satisfazer integralmente o compromisso. Depois de uma boa refeição à mesa do rei, o sapo é conduzido aos seus aposentos principescos e eis que se quebra um malvado feitiço: o sapo feio transforma-se num belo príncipe.
É de novo Setembro e as escolas, as catequeses, assim como outras instituições educativas, são de novo tomadas por multidões fervilhantes de crianças e de jovens.
Nos olhos dos mais pequenos há brilhos intensos de bem e de verdade, de expectativa e de ilusão. As suas mochilhas e almas adivinham-se cheias de razões de viver: coisas novas para aprender, coragem e atrevimentos para experimentar, alegrias e confiança para partilhar. Têm mesmo alma de príncesas  e de príncipes! No entanto no rosto dos mais crescidos já se vislumbram imensos olhares baços de abatimento, de cansaço e desilusão. Em demasiadas mochilas e almas encontra-se pouco das grandes razões de viver; para o futuro há só uns quantos estratagemas de sobrevivência ainda em luta, já perdida, com passados de medo e de fracasso. Muitos quase parecem sapos.
Quebrar o feitiço
Educadores e educandos, estamos todos a precisar de um toque mágico eficaz, daquela magia de que só o ser humano é capaz. Comecemos por nós. Não importa quanta bruxaria se tenha reunido no passado para levar a cabo o feitiço de nos transformar em sapos. Como educadores, somos os primeiros a necessitar de uma metamorfose de alma.
Por mais que custe, o primeiro trabalho da nossa alma é convencer-se que também ela nasceu princesa ou príncipe. O segundo trabalho, não menos urgente e imprescindível, é recuperar-se inteiramente como alma. Os educandos precisam de toda a nossa alma transformada e da alma de todos. Se não o conseguirmos, não passaremos de seres aparentementes mais evoluídos a tentar aperfeiçoar vidas de outros seres aparentemente menos evoluídos. Tanto em nós próprios como nos outros, a nossa profissão e missão não é disciplinar sapos, mas recuperar os príncipes e princesas que eles encobrem. Todos os Setembros dão início a uma nova época alta para esta missão mágica. Para tal são necessários certos ingridientes, também eles mágicos:

Cada pessoa é positiva em si mesma.
Todos, tanto educadores como educandos, somos dotados de valor e dignidade enquanto pessoas. Usamos a liberdade para estar de acordo e para discordar de ideias e comportamentos, mas nunca para nos rejeitarmos como pessoas.

Cada pessoa é capaz de pensar e decidir por si própria.
Salvo se tivermos algum dano cerebral, todos somos capazes de pensar por nós próprios. Por isso, cada um de nós é que decide a própria vida, carregando consigo as consequências das decisões tomadas.

Cada pessoa é capaz de amar e precisa de ser amada.
Precisamente porque é essencialmente constituída por liberdade e por amor, uma natureza humana degradada só pode ser recuperada através de actos conscientes de liberdade e de amor. Além disso, para viver, a alma precisa tanto de apreço como o corpo precisa de sangue. É do apreço genuíno e recíproco que nascem e renascem continuamente príncipes e princesas; do desprezo apenas nascem sapos.


Vídeo: Uma grande viagem 



Arménio Rodrigues
Arménio Rodrigues

sexta-feira, julho 20, 2012

CRESCER NA FÉ: caminhos de futuro


Apesar de vivermos num mundo descristianizado, em que todos os lugares são iguais na perspectiva do telemóvel, há lugares com uma capacidade grande de invocar o sagrado. São lugares onde os adolescentes conseguem sentir que a vida é mais do que o imediato. Lugares capazes de os transportar para o mistério de Deus.
Em Portugal, Fátima é, claramente, um desses sítios. Pelo clima de recolhimento, pela fé partilhada, pela atenção ao essencial da fé cristã.
Mas há outros: uma capela com silêncio e beleza, uma paisagem ainda não estragada pelo betão...
O catequista tem um papel importante ajudando os adolescentes a fazer um caminho de fé a partir da beleza do sentido do sagrado. Para isso promove a visita (não turística mas de fé) a esses lugares. Ajuda o grupo e cada um individualmente a valorizar esses lugares.

Nos últimos 20 anos têm crescido as propostas de grandes convocações de adolescentes e jovens. Ao lado das tradicionais peregrinações aos santuários marianos (muito ligados à piedade popular), têm surgido jornadas mundias e diocesanas  da juventude, peregrinações, idas a Taizé... São experiências apreciadas pelos mais novos e que os ajudam a crescer na fé. Quando têm qualidade. O que nem sempre  acontece. Quando se limitam a ser consumo turístico, pretexto para encontro de amigos... podem ser mais ou menos desejadas. Ma não ajudam a fé a crescer.

Em Portugal toda a gente "sabe" algo sobre Deus. E a partir do que sabem acreditam, não acreditam ou "tanto faz".
O encontro com o rosto de Deus proposto por Jesus de Nazaré é das experiências que mais faz crescer a fé. Os adolescentes sentem prazer, na descoberta do Deus que os ama, que os faz crescer. Que os liberta.
Isso acontece quando os catequistas e catequeses são capazes de ser fieis ao Evangelho e à maneira de sentir e pensar dos adolescentes. Quando superam todas as caricaturas do Deus cristão que por aí circulam, mesmo na mentalidade de tantos cristãos.

A capacidade de confiar nos outros é, humanamente, a capacidade mais parecida com a fé. A fé não é apenas "saber" quem é Deus; é acima de tudo, confiar n´Ele, colocar n´Ele a nossa vida.
Isso torna-se difícil quando os adolescentes se sentem inseguros diante dos outros, desconfiados, incapazes de estabelecer relações abertas.
As experiências que melhoram os níveis de confiança dentro do grupo de catequese ajudam, direta e indiretamente, os catequizandos a confiar em Deus.

A experiência de ter sido totalmente acolhido, amado por outros é muito importante para o crescimento na fé. O facto de alguém nos ter amado radicalmente, para lá das nossas qualidades e defeitos, abre a vida à possibilidade de acolher um Deus que se quer relacionar connosco do mesmo modo: acolhendo-nos incondicionalmente.
Muitas vezes, essa experiência foi feita em família, nos primeiros anos de vida. Mas mesmo quando isso não aconteceu, o catequista é chamado a fornecer ao adolescente esse acolhimento incondicional.


COMO A BRISA





Abraço fraterno!!
Arménio Rodrigues

sábado, maio 26, 2012

Pentecostes

A festa do Pentecostes encerra o tempo Pascal. Liturgicamente é uma festa muito importante. Mas poucas são as comunidades em que a festa entrou na alma da gente...
Claro que o "problema" não é tanto o ritual e a liturgia. A verdade é que o Espírito Santo na catequese, na teologia e na vida de fé, continua um "bocadinho" ausente.
Mas não somos catequistas para continuar com lamentações. Está nas nossas mãos e na nossa criatividade melhorar a catequese que fazemos e superar as lacunas.
Gostaria de partilhar e descobrir com voçês o Espírito Santo a partir de uma série de símbolos bíblicos.

Quem é? O que faz?
Apesar da nossa ignorância, a verdade é que o Espírito Santo está muito presente em toda a Bíblia. Desde o início, no livro do Génesis o Espírito de Deus movia-se sobre a superfície das àguas (Gen 1,2) até à última oração do último livro (Apocalipse): O Espírito e a esposa dizem: «VEM!» (AP 22, 17). Mas muitas referências ao Espírito de Deus são indirectas. Usam símbolos para mostrar a acção de Deus a acontecer na vida do seu povo. Mas para captar a riqueza comunicativa destes símbolos temos que conhecer e entender o seu significado.

O Vento
Um dos símbolos mais comuns do Espírito é o vento, o sopro de vida. Tanto se refere ao vento que sopra nos grandes espaços como à respiração das pessoas e dos animais. Espírito é o ar que nos faz viver. Sem este sopro de vida não se pode viver.
O Espírito Santo é como o vento: é uma realidade que envolve o mundo e o homem, umas vezes com suavidade outras com força.

A Água
Tal como o símbolo anterior, também a água é um símbolo de vida. Sem água não há vida. E sem o Espírito Santo a vida torna-se árida, seca... e parece-se mais com a morte do que com uma vida digna. A riqueza simbólica da água aparece em muitas culturas e religiões. Mas no cristianismo é reforçada de modo especial pela experiência do baptismo. É que a água, no baptismo, torna-se sinal eficaz que não só recorda a acção de Deus mas que a torna realmente presente e actuante. Há uma característica da água que pode ilustrar muito bem o estilo de actuação do Espírito Santo: a água tende a correr para baixo. Tal como o Espírito Santo. A água vem do céu e cai sobre a terra.
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O Fogo
O fogo manifesta a força do amor que purifica e consome. Jesus Cristo é baptizado com Espírito e fogo (Lc 3 16), aquele fogo que Ele quis levar a todo o mundo (Lc 12, 49) e que foi oferecido aos seus discípulos no dia de Pentecostes (Act 2, 3-4).
O Espírito é como um fogo, como uma chama. Paulo pede aos cristãos: "Não apagueis o Espírito" (1Tes 5, 19).
O Espírito Santo torna-se uma presença consoladora na nossa vida porque nos ajuda a ver como tudo o que vivemos (mesmo as coisas negativas) podem ser transformadas e orientadas para "cima", para Deus. Através de um fogo de transformação, de discernimento.

O Vinho
Os símbolos do Espírito Santo que vimos até agora (vento, água, fogo) são elementos naturais. Mas a Bíblia e a tradição viva da Igreja usam como símbolos outras realidades criadas pelo homem. O Espírito é como um bom vinho; é algo que tem que ver com o sabor. O Espírito dá sabor e sentido à vida. Permite ao homem saborear a sua existência. O vinho é alimento que encoraja o coração (salmo 102); consola nos momentos em que a vida perde sentido e sabor...O Espírito é como o vinho, aquele vinho que nunca faltou nas bodas de Caná, porque Jesus o tornou sempre melhor e mais abundante (Jo 2). Quando Jesus quis deixar no mundo um sinal da Sua presença e do seu amor, além do pão, usou o vinho. Não quis usar apenas um alimento para subsistência; quis também o vinho para viver na alegria.

O Perfume
Plenitude de vida e alegria são sinais são sinais da presença do Espírito de Deus. Mas o Espírito é também o bom perfume da vida. Este é também um dos símbolos do Crisma, com que se consagram as pessoas e as coisas: óleo misturado com perfume. A arte dos perfumes (Ex 30) é uma das mais estimadas do Antigo Testamento. O perfume é um poco como o vento: não se vê mas sente-se. Não se toca mas é algo que penetra em nós e suscita emoções e sentimentos. O Espírito Santo é como um perfume que permite ir para além do visível e do palpável. É o aroma que nos estimula a viver em alegria e em festa.
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O Óleo
Para a Sagrada Escritura, a unção com o crisma, o óleo perfumado, que consagra os sacerdotes, os profeteas, o reis e, especialmente, Cristo (que quer dizer o Ungido) torna participante na abundância do Espírito Santo aos fiéis que recebem a unção (1Jo 2, 20. 27). O óleo, nas culturas tradicionais e não só está associado à cura dos doentes. O que o torna um símbolo adequado ao Espírito. A vida de cada discípulo pode ser comparada a um doente à espera de ser curado. Aliás, o sacramento da unção dos doentes aprofunda essa dimensão. Mas todos nós, estamos carentes da força curativa do Espírito Santo. No corpo, mas principalmente na nossa alma trazemos feridas pesadas: traições passadas, fracassos, violências, desconfianças... tantas coisas que nos doem, ano após ano, que bloqueiam o nosso crescimento e a nossa harmonia. E que só o Espírito Santo ode curar. O azeite, fruto da oliveira, é também símbolo de paz. E a paz é um dos frutos do Espírito. paz e harmonia que sentimos no nosso interior. Mas também paz que propagamos nos nossos contactos com os outros.

O Espírito que está em nós leva-nos a gestos de serviço, de ternura, que aquecem os corações daqueles que mais sofrem. Leva-nos a trazer luz às zonas escuras da vida de tantos dos nossos companheiros.

O dom do Espírito é o sopro de Vida que brotou da Páscoa de Cristo; tudo renova, transforma e vivifica. Este mesmo Espírito que transformou os Apóstolos, habita-nos. Transforma o medo em coragem; o egoísmo em amor partilhado; o orgulho em serviço simples e humilde. É Ele que nos faz vencer obstáculos, superar fracassos, ultrapassar o cepticismo e a desilusão, reencontrar a orientação, readquirir a esperança e fé. É fundamental tomar consciência da presença contínua do Espírito do Senhor em nós, nos outros, nos nossos ambientes, famílias, comunidades, no mundo, e ficar atentos aos seus apelos, interpelações e indicações. Só Ele nos faz viver em Cristo.

ORAÇÃO
Vinde Espírito Divino, celeste consolador, e realizai em nós as obras do vosso amor.
Vinde Espírito Divino, com o dom da sapiência, ensinar a distinguir a verdade da aparência.
Vinde Espírito Divino, com o dom da fortaleza, fazer crescer nossa fé com invencível firmeza.
Vinde, Espírito Divino, vinde ao nosso coração, a mostrar-nos o caminho que conduz à salvação.
(Hino da Liturgia do Pentecostes)



Vídeo - Pentecostes


Vídeo: Espírito Santo





sábado, maio 05, 2012

Ser Mãe...Um Sim à Vida!



Ela era muito jovem, talvez ainda adolescente.
Prometida em casamento com alguma ou muita antecedência, como era costume naquele tempo e na sua cultura, encontrara-se grávida antes da celebração das núpcias.
Isto era muito grave, tão grave que a fazia incorrer na pena de morte, e morte cruel por apedrejamento, embora, em consciência e diante de Deus, estivesse isenta de culpa.
Ao aceitar a gravidez, a jovem sabia, pois, o risco que corria, risco tanto maior quanto ela tinha de assumir, humanamente sozinha, toda a responsabilidade deste facto, perante a sua família, o seu noivo, e as autoridades civis e religiosas.
O que pensaria e como se sentiria, aquela Jovem numa situação tão angustiosa, não sabemos, só poderemos supor.
Sabemos, porém, que a sua atitude foi um Sim à VIDA, acontecesse o que acontecesse.
E por isso, chegada a hora, ela deu à luz “a Vida que era a Luz verdadeira, a qual, vindo ao mundo, a todo o homem ilumina” (Jo 1, 1-9).
Esta jovem foi Maria de Nazaré, uma menina a quem Deus concedeu inúmeros privilégios e dons singulares, mas a quem não livrou do sofrimento e das leis e contingências desta vida. Mas porque Maria acreditou foi feliz e trouxe-nos a felicidade, dando ao mundo a salvação, que é o próprio Filho de Deus incarnado no seu seio. Mas esta salvação dependeu do seu sim, dependeu da aceitação da nova vida, que emergia em circunstâncias de alto risco para a mãe, como pode acontecer, noutras circunstâncias, com tantas mães solteiras, adolescentes ou jovens.
A atitude corajosa de Maria é, pois, para todos nós, mas sobretudo para essas mães de “risco” uma lição, um estímulo e uma proteção.
É uma lição, porque se Maria soube dizer Sim à Vida, em circunstâncias de tanto risco, foi porque aprendeu a dizer Sim a Deus, à sua vontade, aos Seus mandamentos.
É um estímulo, porque se ela pôde vencer todos os medos, e todos os obstáculos, para aceitar a Vida nascente, também os poderão vencer as mães, a quem são dadas graças muito especiais pelo facto de lhes ser atribuída essa vocação e missão, e tanto mais graças quanto mais se forem enchendo de graça, como Maria foi cheia de graça, por isso, cheia de fortaleza do Espírito Santo que A habitava e preenchia totalmente.
É uma proteção, de modo especial para as mães que Nela confiarem, e lhe confiarem a sua gravidez, e os seus filhos, porque Maria ao mesmo tempo que é Mãe de Cristo é nossa mãe, e continua a dizer Sim à Vida, de cada um de nós e por meio de nós.
Que todas aquelas, adolescentes, jovens ou adultas, a quem Deus tenha concedido o dom de serem mães, tenham a coragem e a generosidade de acolher esse dom sublime e, como Maria e sob a sua proteção, o deem à luz, ainda que no “estábulo” da pobreza, da exclusão, ou da condenação social.



Arménio Rodrigues

domingo, abril 29, 2012

Catequista, Promotor e Acompanhante Vocacional


Catequista, promotor e acompanhante vocacional


Quando alguém resolve falar de "vocação", bem... o normal é abrirmos o ficheiro "padres e freiras"... e assim já nos localizamos no mapa. Contudo, este mapa é muito mais amplo e não se esgota nestas opções. Quando falamos de vocação falamos de muitas coisas diferentes: leigos e sacerdotes matrimónio e celibato, vida religiosa activa e contemplativa, opção missionária... O que há de comum em todas estas opções vocacionais? Um chamamento de Deus! Toda a vocação é um dom de Deus. .

A vida como vocação

Querer viver é já tomar a vida como vocação. Ela é um dom que deve ser assumido e posto a render. Ou seja: estamos chamados a Ser e a ser mais. A vida é dom recebido e tarefa comprometida! Estamos chamados a ser o melhor de nós próprios. Estamos chamados à perfeição (no sentido cristão, chamados a ser santos!). Nesta tarefa não estamos sós, mas fazemo-lo junto com os outos. Ninguém é feliz sozinho! Deus criou a pessoa humana homem e mulher e responsabilizou-os pelo jardim do Éden (Gen. 1, 27-28). Portanto, a primeira vocação de todo o ser humano é viver crescendo como pessoa, em harmonia com a natureza e o trabalho de cada dia, numa relação de amizade e de amor (compromisso) com os outros, abrindo-se a Deus e à sua Palavra.

Encontrar Jesus

Cada uma destas dimensões apenas ganha sentido na sua relação com as restantes. Mas, há uma delas que assume um factor determinante: o encontro com Deus Pai, por meio de Jesus Cristo, no Seu Espírito de amor. Este encontro, que se concretiza por meio da comunidade cristã, faz-nos compreender a vida de maneira nova. Ser cristão significa viver todo o ser pessoa segundo o estilo de Jesus Cristo iluminando cada uma das suas dimensões; é viver em/ na comunhão com Ele: valorizar o mundo com Ele; repetir as suas atitudes, fazer os seus gestos, estimar os seus valores, amar como Ele amou, escutar e obedecer à sua Palavra, construir o Reino de Deus, reconhecer a Deus como Pai-amor. E é no seguimento de Jesus Cristo, fiéis às promessas baptismais, que o cristão, autónoma e conscientemente, faz a sua opção vocacional. Assim, cada um a seu modo, participa do mandato de Jesus Cristo na construção do Reino.

O papel do catequista

Neste processo, o catequista assume uma tarefa importante! Enviado da comunidade, sente-se responsável pelo crescimento de cada um dos catequizandos, fazendo-se acompanhante (Lc. 24, 13-35) no seu processo de crescimento na fé, ajudando-os na compreensão do Evangelho e no encontro real com Cristo Ressuscitado. Esta missão apela à qualidade de ser cristão e de ser catequista... Trata-se de iluminar a vida dos catecúmenos em Jesus Cristo, condição fundamental para que cada um deles se sinta comprometido na construção do Reino. Desta forma, o catequista descobre-se como promotor e acompanhante vocacional. Toda a vocação cristã e cada uma das opções vocacionais que se assumem, têm em Jesus Cristo o ponto de partida, o seu fundamento e o seu sentido. Esta é a tarefa catequética fundamental: ajudar o catequizando a encontrar-se com Cristo pois Ele é o caminho, a verdade e a vida.


Vídeo: Longa Caminhada

Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues

sábado, abril 07, 2012

É a Páscoa do Senhor! Ressuscitou! VIVE!



É a Páscoa do Senhor! Ressuscitou! Vive! 
E porque vive, enche de entusiasmo o nosso existir. Anima-nos à esperança. Anima-nos ao testemunho. Anima-nos à fé. É a festa da vida. Do encontro. Da partilha. Em Jesus ressuscitado somos convidados para o encontro com o Evangelho da verdade. Somos comunidade. Somos de Cristo. De Cristo vivo. Feliz Páscoa!

No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi de manhãzinha, ainda escuro, ao sepulcro e viu a pedra retirada do sepulcro. Correu então e foi ter com Simão Pedro e com o discípulo predilecto de Jesus e disse-lhes: «Levaram o Senhor do sepulcro e não sabemos onde O puseram».
Pedro partiu com o outro discípulo e foram ambos ao sepulcro. Corriam os dois juntos, mas o outro discípulo antecipou-se, correndo mais depressa do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro. Debruçando-se, viu as ligaduras no chão, mas não entrou. Entretanto, chegou também Simão Pedro, que o seguira. Entrou no sepulcro e viu as ligaduras no chão e o sudário que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não com as ligaduras, mas enrolado à parte. Entrou também o outro discípulo que chegara primeiro ao sepulcro: viu e acreditou. Na verdade, ainda não tinham entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dos mortos.

O Domingo da Ressurreição, primeiro dia da semana é o começo de uma vida nova; uma nova criação; a libertação definitiva! Tempos novos! Sentido novo! Homem novo! Maria Madalena, discípula do Senhor, não se aquieta à sua ausência. Vai procurá-Lo, prestar-Lhe homenagem, movida pela força do amor! Porque procurou, apesar da noite escura da ausência e da frieza do sepulcro, constatou a novidade: o sepulcro aberto e vazio! Jesus não estava lá! Afinal, a morte não é a última realidade!

Cada Páscoa, esta Páscoa, pode ser “um primeiro dia” na nossa vida. O início de uma vida diferente, porque marcada pelo sentido novo da Ressurreição. Apesar do escuro da nossa pouca fé, apesar do escuro de uma cultura do evidente e palpável, somos convidados à experiência de vislumbrar sinais de ressurreição anunciadores de uma vida nova! Com e como Maria Madalena e todos os apaixonados pelo Senhor, deixemo-nos mover pela fé e pela sede de Deus! Procuremos o Senhor vivo em nós, nos nossos ambientes, na Igreja, no mundo! Ele está vivo entre nós!

Vídeo-PÁSCOA



Amigo Jesus, Tu és o Ressuscitado, fonte de Vida! Abençoa a nossa família, e ensina-nos a viver na tua paz, sabendo perdoar e acolher, respeitar, servir e amar. Que a alegria da manhã de Páscoa viva sempre na nossa casa, e a vida recebida no Baptismo sempre cresça entre nós. Amén. Aleluia!




Obrigado, Senhor Deus!
Tu ressuscitaste Jesus!
Agora, já não há lugar para a tristeza.
Tu venceste a morte de Jesus
e todas as nossas mortes.
Já nada mais importa!
Este é o dia onde terminam as aflições.
Este é o dia em que a alegria de Deus
enche os nossos corações!!



Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues

segunda-feira, abril 02, 2012

Semana Santa



Estamos  na Semana Santa! O nosso itinerário quaresmal tem agora um momento de celebração e contemplação profundo, intenso, único. A memória de Jesus, na sua entrega, na sua paixão, no seu amor ressuscitado torna-nos capazes da mudança, da profecia, do anúncio, da vida nova, simplesmente... da fé. Passemos, também nós, corajosamente, da morte à vida, do pecado à graça, da vida à vida nova em Jesus Ressuscitado.

Jesus sentou-Se à mesa com os seus Apóstolos e disse-lhes: «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer; (...) tomou o pão e, dando graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: «Isto é o meu corpo  entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue, derramado por vós».
Depois da oração de acção de graças (em grego eucaristia), Jesus realiza um conjunto de gestos simbólicos substituindo os elementos da antiga páscoa (judaica) pelo seu próprio "corpo" e o seu "sangue". A narração da instituição da Eucaristia tem um claro carácter sacrificial: Jesus não oferece coisas, mas oferece-se a si mesmo.

O desejo intenso de Jesus indica a particularidade desta (última) ceia. Ele está plenamente consciente de que se aproxima o momento culminante da sua existência. Com os seus gestos e as suas palavras Jesus transformou aquelas circunstâncias trágicas e injustas no dom de si e na fundação da nova aliança. Dom e Aliança que se renova cada vez em que se celebra a Eucaristia. Talvez seja um bom momento para reflectir: com que "desejo" vivo a Eucaristia? Que sentido tem Jesus eucaristia na minha vida? Que significado teve esta entrega de Jesus “fazei isto em memória de mim”?

Então saiu e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para não entrardes em tentação». Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua». Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar. Entrando em angústia, orava mais instantemente e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra.

"Não se faça a minha vontade, mas a tua". Jesus transforma a sua vontade humana e identifica-a com a de Deus. É este o grande acontecimento do Monte das Oliveiras, o percurso que deveria realizar-se fundamentalmente em cada uma das nossas orações:  transformar, deixar que a graça transforme a nossa vontade egoísta e a abra para se conformar com a vontade divina. Nos momentos difíceis, sabemos pedir ajuda a Deus, com humildade e fé, para encontrar no seu amor de Pai a força para enfrentar os nossos maiores medos?

Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos. Começaram a acusá-l’O, dizendo: «Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo, a impedir que se pagasse o tributo a César e dizendo ser o Messias-Rei». Pilatos perguntou-Lhe: «Tu és o Rei dos judeus?» Jesus respondeu-lhe: «Tu o dizes».
Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão: «Não encontro nada de culpável neste homem».

Pilatos compreendeu desde o início que o tipo de acusação apresentada foi preparada com arte para não lhe deixar outra alternativa: reconhece a inocência de Jesus, mas por motivos de conveniência não quer colocar-se em oposição aos acusadores. Tendo entrado no tribunal como "condenado" Jesus sai agora como "inocente" e encaminha-se para a morte como o "justo (injustamente) perseguido".  

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem». (...) E Jesus exclamou com voz forte: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». Dito isto, expirou.
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Estas, são as últimas palavras de Jesus: palavras de perdão, de amor, de aliança; palavras com as quais resplandece mais uma vez o seu espírito filial. "Pai": as últimas palavras de Jesus recordam a sua primeira frase, pronunciada no templo de Jerusalém aos doze anos: "Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?". (Lc 2, 49).
Jesus é todo aqui, na sua relação com o Pai. Entregando-se ao Pai, anuncia a sua misericórdia e reconduz a casa cada "filho pródigo", que encontra no "bom ladrão" a realização plena. O seu é um arrependimento que não nasce de motivos humanos, de simpatia por Jesus; o "bom ladrão" converte-se porque, com os olhos da fé, descobre quem é verdadeiramente aquele Jesus que está crucificado ao seu lado.

Tanto desprezo à Tua volta, Senhor. E onde estou eu para Te defender? Que espero ter para Te defender? Uma “arma atómica”… ou a força da Tua mansidão? Tantos insultos, tantos olhares sem misericórdia… para Ti que usaste de tanta bondade e que revelaste o coração misericordioso de Deus. E estás crucificado, Jesus! As Tuas mãos não se podem mover. As Tuas mãos que se estendiam para os humilhados e para os doentes e para todos os sem esperança. Aqui tens as minhas mãos, aqui tens os meus braços para continuares a abençoar e a acolher, não têm a Tua bondade, mas são todas para Ti.
Quiseste, Jesus, anunciar a bondade de Deus. Quiseste distribuir a ternura de Deus, quiseste oferecer o perdão de Deus a todos, dignos ou indignos. Cumpriste a Tua missão. Agora gritas e morres na cruz. Que o Teu grito de entrega, Senhor, solte a minha voz para Te anunciar como verdadeiro Filho de Deus; que a Tua morte, Jesus, revigore as minhas forças, para que vivas em mim e eu viva para tantos que confiaste a meu cuidado.


VÍDEO: SEMANA SANTA
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domingo, março 11, 2012

Via-Sacra


Via-Sacra
A palavra pronunciada por Jesus no Domingo de Ramos imediatamente depois da Sua entrada em Jerusalém e respondendo à pergunta de alguns gregos que queriam vê-lo: «Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer, fica só, mas, se morer, dá muito fruto» (Jo 12, 24)

Jesus interpreta assim todo o Seu percurso terreno como o percurso do grão de trigo que só através da morte chega a produzir fruto. Ele interpreta a Sua vida terrena, a Sua morte e a Sua ressureição em direcção à Santíssima Eucaristia, na qual se resume todo o Seu mistério. Assim como Ele viveu a Sua morte como oferta de si, como acto de amor, assim também o Seu corpo se transformou na nova vida da ressurreição. Por isso, Ele o verbo Encarnado, tornou-se agora o nosso alimento que conduz à verdadeira vida, à vida eterna.
A Via-Sacra torna-se um caminho que conduz até dentro do mistério Eucarístico. A oração da Via-Sacra è uma caminhada que leva à comunhão profunda e espíritual com Jesus, sem a qual a comunhão Sacramental permaneceria vazia.

«Se alguém quiser vir comigo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me» (Mt 16-24) Com estas palavras, Jesus ensina-nos como devemos orá-la e segui-la.
 A Via-Sacra é o caminho para nos perdermos a nós mesmos, quer dizer; o caminho do amor verdadeiro!


Vídeo -  VIA-SACRA