segunda-feira, outubro 13, 2014

Dedicado a Nossa Senhora de Fátima



Maria A Nossa Mãe

Falar de Nossa Senhora de Fátima é também falar de Maria, mãe de Jesus e nossa também, é sempre falar de uma figura que nos remete ao verdadeiro Amor que é Cristo Jesus.É reflectindo no seu maternal exemplo que a Igreja desde os primeiros séculos Cristão cresce e amadurece na fé pois é na sua presença que aprendemos a ouvir e obedecer o seu chamado a todos os servos de todos os tempos: “Fazei tudo aquilo que Ele vos disser”.Santo Inácio de Antioquia, já nos confirma que a tradição de venerar a Mãe de Deus provém dos próprios sucessores dos apóstolos já no século I, como podemos ver a seguir: "Filho de Deus pelo desejo e poder de Deus, nasceu verdadeiramente de uma Virgem" (S. Inácio de Antioquia, "Carta aos Magnésios", 110 dC). O próprio Lutero que se separou da Igreja Católica por própria infelicidade não tinha receio de exclamar: "Maria é a maior e a mais nobre jóia da Cristandade logo após Cristo... Ela é nobre, sábia e santamente personificada. Jamais conseguiremos honrá-la suficientemente" (Martinho Lutero, "Sermão do Natal de 1531").Jo 2, 2-5 “Jesus foi convidado para o casamento e os seus discípulos também. Ora, não havia mais vinho, pois o vinho do casamento tinha-se acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não tem mais vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser”.Diante deste impressionante relato podemos reparar 4 características da Mãe Maria:

1) Maria é Mãe Amorosa: Em meio a festa e aos seus agitos próprios, Maria tem a percepção aguçada de que algo está errado: o vinho está a acabar. Talvez hoje isso não signifique muito, contudo, para aquela época isto poderia ser um grave sinal de desrespeito. Prontamente ela se coloca ao serviço do Amor pois deseja que todos os detalhes sejam felizes, e para tanto, conta com a ajuda de seu Amadíssimo Filho, que a todos pode ajudar. Também hoje ela intercede no céu junto ao seu filho Jesus por nossas necessidades, mesmo que aparentemente possam parecer insignificantes. Se pedimos orações aos nossos amigos e familiares que ainda estão na Terra e que ainda não estão salvos, não tenhamos medo de pedir por aquela que é perfeita, que goza do título de Mãe de Deus, e que está junto a Ele no céu. Por isso a Igreja a gosta de chamar, Nossa Senhora Medianeira, pois é através de sua intervenção que Cristo sempre irá se manifestar.

2) Maria é Mãe da Simplicidade: É na simplicidade das coisas quotidianas que Deus sempre se manifesta, e é claro que a Mãe de Deus que sempre o educou na terra necessariamente precisava ser simples. Maria é aquela que ora na riqueza da simplicidade do seu coração. “Não tem mais vinho”, essa foi a oração da Mãe, simples como a brisa, impectuoso como o vento. Diante deste facto, a Mãe sabe que qualquer que seja a resposta do seu filho diante deste acontecimento, esta será a melhor coisa para todos. Maria apresenta a necessidade do seu coração ao filho; mais simples impossível, mais sincero ídem, e é diante deste abandono que Jesus atende a Mãe e a sempre atenderá. Ela também nos ensina como orar, nos ensina que oração não é a somatória de palavras, mas sim a multiplicação da fé. Maria é como o homem de grande fé, aquele que vai a Igreja pedir a Deus por chuva e já leva o guarda-chuva.

3) Mãe da Confiança: “Fazei tudo aquilo que Ele vos disser”. Maria mostra nesta pequena e simples frase a convicção dos atos do seu Filho. Ela não sabe o que Ele irá fazer, qual será o seu método, qual será o seu tempo, sabe apenas uma única coisa: que Cristo não irá desapontar. Também nós em nossa vida quotidiana devemos aprender da Mãe Maria que em nossas necessidades e dificuldades não devemos fazer outra coisa a não ser confiar, abandonar, esperar sem desespero. Claro! É Cristo que vai a frente, não pode se esperar outra coisa a não ser o bem pleno e total. E a nós, servos, ela também pede sem cessar, que façamos das nossas vidas tudo aquilo que Ele nos disser, todos os dias e cada momento mesmo sem saber o que irá acontecer.
4) Maria, mãe Intercessora: Sabemos bem que aonde há o Amor, aí não há interesse próprio. Do Amor nada se consegue com interesses egoístas e falsas necessidades, todavia, muitas vezes é assim que tratamos com Deus, com negociatas e barganhas. Maria não é assim, em seu coração piedoso não há espaço para nada além do amor ao próximo e do bem perfeito. Maria é abnegação, é renúncia própria, é serviço por todos, é austeridade pela humanidade. Mesmo sabendo que sua hora ainda não havia chegado, Jesus atende o seu pedido pois diante do amor e da confiança, Deus nada pode fazer. Apresentemos sempre nossas necessidades à mãe que confiantemente as coloca diante do seu filho. Para Deus só existe uma única arma: o Amor perfeito.
Mãe amorosa, simples, confiante, intercessora. Diante de uma mulher com tais virtudes não podemos ficar indiferentes. Assim como o por-do-sol modifica a paisagem, e esta nos modifica, assim também o Pai do Céu que é a fonte de toda a luz modificou toda a raça humana começando por Maria. Diante desta paisagem materna só podemos contemplar ainda mais a grandeza do criador, porque a obra remete ao mestre. Àquela que teve a honra de ser a Mãe de Deus, honra e veneração para sempre como fez o Anjo, por aqueles que o não o fazem, Amém.

Vídeo - Maria - A Primeira que Comungou

video

Arménio Rodrigues

quarta-feira, outubro 01, 2014

Batismo: A Porta da Vida Cristã


É pelo Espírito Santo que Deus atua nos sacramentos. Nós apenas costumamos fixar-nos na parte visível mas essa não é a principal...

Como adultos, procuramos reviver o grande acontecimento do nosso Batismo? Tomamos consciência que, a um dado momento assumimos livre e responsavelmente a realidade do nosso Batismo que os nossos pais e padrinhos prometeram em nosso nome? Sentimo-nos comprometidos com as promessas feitas? Sentimo-nos Batizados e habitados pelo Espírito?
Nasceu uma criança, os cristãos recordam-se logo que é preciso batizar o bebé. É que o batismo é a porta da Vida Cristã: nele somos purificados do pecado original e, sobretudo, somos cristificados; passámos a ter a forma de Cristo: tornamo-nos cristãos, filhos de Deus, membros da Igreja.
Mas celebrar o batismo por causa de uma suposta necessidade ou obrigação não é a melhor motivação. É importante que ele seja acompanhado duma vontade séria de que a criança entre na vida de Deus e a vida de Deus entre nela. Batizar por costume (assim o fizeram muitos pais) por conveniência (assim arranjamos uns bons padrinhos) ou por pressão social (parece mal não batizar: que dirão os outros?) nunca pode ser uma razão válida e até é uma grave ofensa a este Banho Santo.
O que nos motiva é permitir que o batizando partilhe a riqueza da fé e da graça (= vida com Deus). Pelo Batismo entramos na família universal dos cristãos: por isso é que em muitas Igrejas a pia batismal está junto à porta principal, para significar que por este sacramento entramos na Igreja pela Porta Grande!

Mergulhar em Deus

Os ritos do Batismo são bonitos, cheios de cor e de vida.
No diálogo com os pais e padrinhos, após ter perguntado o nome e o que pedem à Igreja (porque será que alguns respondem «o Batismo» tão timidamente?). O celebrante pergunta-lhes se estão conscientes do compromisso da educação na fé. Depois estes cinco cristãos marcam a criança com o sinal da fé: fazem-lhe uma cruz na fronte...
Após a Proclamação da Palavra de Deus, pedimos a Deus a Graça para aquela criança e invocamos os Santos: É que o Batismo não pertence a ninguém mas só à Igreja. Ninguém pode exigir só por si o Batismo assim como ninguém o pode negar só por si!
Numa oração chamada exorcismo (que não é para expulsar nenhum demónio!), o celebrante pede a Deus que apague a mancha original e, depois, unge-a com o óleo dos catecúmenos: a partir daí, é um caminhante para Cristo. Depois da bênção da água, os pais e padrinhos, em nome da criança e como cristãos adultos, renunciam ao Mal e professam a fé: cada um responde «creio», individualmente, jogando aí a sua palavra e a sua fé. Após este testemunho público, com uma pergunta derradeira pela vontade do Batismo, o celebrante infunde a água benta por três vezes na cabeça da criança: em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
Para terminar, unge-a com o Crisma, o óleo santo que consagra, coloca-lhe a veste branca,entrega a Vela que simboliza a Luz de Cristo aos que a apresentam e reza uma bonita oração (Efatá) para pedir que prontamente possa ouvir a Palavra e proclamar a Fé. Tudo termina com o Pai Nosso e a bênção solene.
A água do Batismo é derramada sobre a cabeça apenas por motivos práticos. Seria muito desagradável imergir uma criança completamente na água, por três vezes. Contudo a palavra batismo significa mesmo mergulho. Se tal não acontece fisicamente, acontece espiritualmente e a criança é toda ela mergulhada em Deus e sai a pingar Espírito Santo.

Crianças ou Adultos em Cristo

Alguns criticam o batismo de crianças. Dizem que não porque a criança não sabe, não percebe, não quer e consideram que até é uma violência contra a sua vontade. Porém, aquilo que nos anima (=Nos dá vida) é fazer partilhar a filiação divina àquela criança. Todos somos criaturas de Deus mas somos filhos pelo Batismo! è uma grande diferença. Além disso o argumento da adultez está viciado:
- Nunca nenhum pai esperou pela adultez do filho para lhe deixar escolher o pediatra...estando convencido do bem que lhe faz, não espera que ele possa responder...
- Na vida da fé, a adultez humana (fisica ou mental) não sinónimo de adultez espiritual: uma criança pode até receber melhor o baptismo que um adulto porque, com os anos, criamos obstáculos conscientes e inconscientes para Deus.
- Além disso, cristãmente, nunca seremos "adultos", O Espírito Santo não age apenas quando nós sabemos, percebemos, queremos...
São Paulo diz que Cristo age nos cristãos, como quer, para o nosso aperfeiçoamento, «até atingirmos o estado de homem perfeito, a estatura da maturidade de Cristo» (Ef 4, 11-13).
Ser batizado é começar uma aventura maravilhosa, uma experiência única que nunca mais terá fim, é um dom, uma graça, mas também uma responsabilidade enorme, é poder viver a vida de Deus


Vídeo - Batismo: A Porta da Vida Cristã

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Abraço Fraterno!
Arménio Rodrigues