sábado, novembro 30, 2013

Anúncio do Advento


Iniciamos hoje o Advento e, com ele, um novo ano litúrgico.
O Advento é um tempo propício para comemorarmos a extraordinária iniciativa de Deus de nos visitar e nos redimir. Cristo Jesus é sempre Aquele que vem, por amor, por dádiva, por entrega. Não esperemos outro salvador, n’Ele, cumpre-se tudo o que procuramos e ansiamos. Por isso, o Advento implica preparar os caminhos do Senhor, gerar um espaço no nosso interior para que Deus e Jesus Cristo possam entrar ainda mais profundamente e estreitar os laços de relação com cada um de nós.

Tendo em conta a singularidade deste tempo e essas que são as suas grandes figuras, nós diríamos que o Advento:
- É um apelo a vivermos na esperança, a olharmos para a vida como um caminho para Deus, para a libertação para a salvação, para a paz.
Mesmo quando tudo parece dizer o contrário. Mesmo aí é preciso, em espírito profético de fé e esperança no amor de Deus e na sua fidelidade, levantar a cabeça... porque Deus gosta mesmo de nós... porque Deus vem mesmo ao nosso encontro...Deus não nos trai nem engana.

- É um apelo a descobrirmos Jesus presente no meio de nós. E ele está presente de muitas maneiras. Está presente no seu Espírito que nos anima e congrega à sua volta no caminho para si. Está presente na Eucaristia. Está presente na sua Palavra e nos seus ministros. Está presente na reunião que um ou dois fazem em seu nome. E está também presente nos pobres, nos doentes, nos famintos, nos presos e nos peregrinos... em quem sofre e em quem precisa...


- É um apelo à recepção de Jesus na nossa vida. Acolhê-lo. Aceitá-lo. Agradecê-lo ao Pai. Aceitá-lo naquela liberdade de Maria. Abertos à sua vontade. Disponíveis para o que Ele quiser. Sem medo... Dados... Maria deu-se...

Vídeo - Anúncio do Advento




domingo, novembro 24, 2013

Chamados a Ser e Viver... Com Deus!



Concluído o Ano da Fé, inicia-se, agora, um novo ano litúrgico, tendo como pórtico de entrada o Tempo de Advento. O nosso propósito para o novo Ano Pastoral é manter acesa a luz da fé; que ela não se apague, que esmoreçam o entusiasmo e a alegria da fé, que foram ativados e dinamizados, ao longo de um ano tão especial. Frente a esta tentação de “apagar a luz”, quando descer o pano, no encerramento do ano da fé, nós propomo-nos, pelo contrário, manter acesa a luz da fé, segundo o desafio do próprio Jesus. Este “manter” não é, de modo algum, um desafio de simples “conservação”, como quem guarda para si a fé, mas implica o esforço de alimentar a fé, na oração, na palavra e nos sacramentos, e de a transmitir e contagiar aos outros, pois uma fé que não se apega, também se apaga.
Como disse Bento XVI,  no Porto, “temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária.”
Num tempo, em que lá fora, se multiplicam outras luzes do natal, nós queremos manter acesa a luz da fé. Não nos contentamos “com pequenas luzes que iluminam por breves instantes, mas que são incapazes de desvendar a estrada. Por isso, somos chamados a Ser e Viver… com Deus… e assim acendemos a luz da fé. É uma luz tão poderosa, que não pode dimanar de nós mesmos; provém de uma fonte mais originária, provém, em última análise de Deus.

É este o grande desafio para o novo Ano Pastoral : Chamados a Ser e Viver... Com Deus!

domingo, novembro 10, 2013

Partir da Palavra


A Palavra de Deus é fonte de vida para os cristãos. Fonte límpida e perene de vida espiritual. Luz para o caminho. Força para a construção da própria identidade. Alimento para a oração. A Palavra de Deus não é uma simples expressão literária: é Deus que fala - já todos o sabemos. Deus diz-se a si mesmo através da Sua Palavra. Quando rezamos procuramos o diálogo com Deus que nos ama e que amamos. A oração é, deste modo, um jogo de "palavras que dizemos" com " a Palavra" (Verbo encarnado) que nos acolhe e ama. É por isso que a Palavra é ao mesmo tempo fonte e alimento  da nossa oração. Alfa e Omega. Principio e fim.

Rezar a partir da Palavra
Percorrendo as páginas da Bíblia, percebemos como "os amigos de Deus" ao longo dos tempos, rezavam ao Deus da própria vida. Encontramos as "fórmulas e as expressões" desse diálogo na fé de palavras intensas e surpreendentes. Sentimos a poesia e a força dos Salmos (Livro por excelência de oração) dos Cânticos, expressões de oração concreta. Dos encontros e desencontros. Das repetições e sequências.
No Novo Testamento aprendemos a forma como Jesus, retirando-se para um lugar discreto, o monte, o deserto, na noite ou em pleno dia, falava com o Pai, rezando. Recebemos o mandato de orar e orar incessantemente ao Deus Criador de todas as coisas com hinos de louvor e palavras de agradecimento. Fazemos da própria vida, evangelho quotidiano de existência, na oração do nosso viver. Como as primeiras comunidades que eram assíduas à oração e à fracção do pão. Transformamos o nosso existir a partir desta Palavra. E rezamos, como o Senhor nos ensinou, a partir da Palavra. Pedindo o Pão de cada dia e agradecendo o dom do Seu Amor por nós. Como? Fazendo da Palavra de Deus, "escola de oração". Começando como o jovem Samuel: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta» (1 Sam 6, 10).

Catequese e oração a partir da Palavra
A partir da Palavra, a vida cristã nasce e é alimentada, curada, fortalecida e comprometida na missão da Igreja no mundo. Uma catequese sem Palavra é como uma árvore sem a sua seiva.
Na catequese anunciamos a Palavra de Deus. A Palavra de Deus ilumina a própria vida, tornando-se experiência de encontro. E da Palavra de Deus, nesse encontro fazemos oração. Deus fala, nós respondemos. Rezar é escutar a Palavra de Deus, lê-la com um coração disponível e depois dirigir-se ao Senhor com as palavras e os sentimentos que Ele mesmo suscita no nosso coração. Com a Palavra, introduzimos os nossos catequizandos na dinâmica da oração, da partilha com Deus,  fazendo da  Palavra, vida. Colocando a Palavra nos eventos quotidianos. Fazendo da escuta da Palavra, oração. Esta é uma aprendizagem fundamental na catequese. Num tempo em que a vida corre demasiado veloz, cheia de mil coisas e preocupações, é fácil prescindimos da escuta da Palavra de Deus, que o mesmo é dizer, do tempo de oração. Para que isto possa acontecer e se torne uma experiência que toca a vida é necessário criar e cuidar um ambiente que favoreça o silêncio, e intimidade, a escuta...

Tua Palavra