sábado, dezembro 31, 2011



A chegar ao fim...

O ano está a terminar...
Um ano de vida de projectos, de alegrias e tristezas, de dor e sofrimento, de esperança, de empenho, de oração, de muito esforço...
Este é também um tempo de avaliar:
De identificar o caminho que fiz...
De perceber o que não correu tão bem como esperava...
Nesta altura há sempre sentimentos mistos, cansaço, alegria do dever cumprido, alguns conflitos mal resolvidos, entusiasmos que cresceram...
Mas... como todos aqueles que dão um pouco da sua vida para que outros possam conhecer o Senhor da vida, soube-nos bem! Valeu a pena!
Por tudo o que foi bom dêmos graças a Deus e rezemos:

"Obrigado Senhor, por teres confiança em mim, pela Tua Presença e Graça estarem sempre a meu lado, no esforço, na criatividade, na procura...

Senhor, um novo ano está prestes a começar.
Eu gostaria que todo ele fosse vivido contigo. Gostava de o percorrer segurando a Tua mão.
Por onde quer que eu vá, que eu saiba levar a paz e a reconciliação.
Ensina-me também a ser um construtor de amizade. Abre os meus olhos: Eu sei que Tu contas comigo para servir os meus irmãos e irmãs, para espalhar a alegria, a justiça e a paz à minha volta.


Video: FELIZ ANO 2012


FELIZ 2012!!

Abraço!!
Arménio

sábado, dezembro 24, 2011

Natal



Nascer de novo
É o Natal de Jesus. Desse Jesus a quem anunciamos em cada catequese. Vamos todos a Belém, onde o Messias haveria de nascer. Vamos à Belém das nossas vidas. Corramos a adorar o Menino. Vamos: não vale a pena ir sós. Precisamos de ser todos a ir. Todos nós. Para nascer de novo. Natal de Jesus: Nem pais-natal, nem luzes, nem brinquedos, nem consoadas, nem quase nada... Foi feito de muito pouco esse primeiro "natal". Uma gruta, um estábulo, ou um curral. Uma manjedoura e uns poucos de panos para envolver o Menino. Poucas coisas, muitos afectos! Ternuras mil! Afinal, é um Menino que nasce! Um Menino que é a nossa salvação. Deus connosco. "Emmanuel". Anunciado pelas estrelas e em mil vozes de anjos num "Glória in excelsis Deo" impetuoso que desperta pastores e pessoas simples.
Passou o tempo e hoje é tempo de anunciarmos: "Feliz Natal!" - Eis que chega o "Deus connosco"! É feliz a nossa dita porque em nós fazemos "Natal", nascimento, chegada. A promessa de tantos tempos esperada, torna-se feliz nascimento, feliz esperança. Simplesmente porque Deus vem de novo habitar no meio de nós. É, então, um momento de anúncio particular e único. Um momento de missão. Um momento de festa e de partilha. Um momento de paz. Um momento de Deus!


O Natal é o dia da alegria. Uma alegria que nasce da beleza de Deus.
O Natal é o ensaio daquele mundo de sonho que todos esperamos, no qual a nossa sede e a nossa fome serão saciadas plenamente.
Que este Natal nos ajude a aproximar mais de todos os que connosco convivem!
Desejo a todos um SANTO E FELIZ NATAL!!

Vídeo: Natal 2011



MENINO JESUS!

Tuas mãos tudo partilham
do Todo que nos trouxeste.
Teus olhos, felizes, brilham
pelo "Sim" que ao Pai disseste.

Simples, meigo, despojado
para vestir nossa veste,
Tu és o Deus humanado
que nosso Irmão te fizeste.

Jesus Menino em Belém,
em Nazaré Tu cresceste;
homem, em Jeruzalém
morte injusta padeceste.

SALVADOR

De todo o povo
sem distinção,
que nos deste
a esperança
de um Mundo Novo.



Bem-Vindo, porque vieste!

BOAS FESTAS

SANTO NATAL

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Maria




Maria é uma das figuras importantes do Advento. Preparando o nascimento de seu Filho, percebe que o seu caminho se torna serviço e generosidade para com quem dela necessita nesse momento. Parte para ser a “bem-aventurada”, na saudação sem precedentes da sua prima Isabel. Bendita tu, entre todas as mulheres. Porque “donde me é dado que venha ter comigo a mãe do meu Senhor”?

Na sequência da experiência da anunciação e consciente do mistério do dom de Deus na sua vida, Maria não se fecha, não se acomoda, não se isola; olha em redor e dá-se conta da novidade que o poder de Deus operou também na sua prima Isabel. Vai apressadamente, sinal do impulso do Espírito que a move a pôr-se a caminho para comunicar a Sua Palavra. É uma viagem de caridade, na disponibilidade de partilhar e servir.

A presença de Jesus de que Maria é portadora, habita-nos. Chega até nós sempre de uma forma surpreendente! Tantas ‘visitações’ e ‘saudações’ tocam a nossa vida para nos recordarmos que Jesus é Salvação, é Vida, é Amor! Tantas mediações cruzam a nossa vida! E nós, indiferentes, cépticos, apressados, distraídos...não O reconhecemos, não O acolhemos! Não nos deixamos estremecer! Como somos insensíveis a este Jesus que vem até nós e nos habita!
Em dias de aproximação do Natal sejamos apressados, como Maria! Coloquemo-nos a caminho, na força do Espírito que nos habita e guia a comunicar as palavras de vida e salvação que nos são ditas da parte do Senhor. Sejamos portadores da certeza do Amor incarnado em Jesus Cristo e da esperança que nos enche de alegria e confiança. Vamos apressadamente, porque a graça do Espírito não contempla hesitações!

Senhor, abre-me à Tua presença para que Te reconheça na mediação dos mensageiros que colocas na minha vida. Ensina-me a ser aberto e generoso, para que também em mim e através de mim, o Verbo de Deus se faça salvação e libertação para aqueles que O esperam e aguardam; para que encontrem nas minhas atitudes e palavras um sinal deste Amor.


MARIA, ENSINA-NOS A PREPARAR A TENDA...

Aqui estou, Maria!
Aqui estou em caminho
e quase junto ao coração de Deus
feito tenda de Natal.

Aqui estou em caminho
procurando preparar contigo e como tu
uma tenda para o Senhor.

Ensina-me a preparar a tenda.
Uma tenda em forma de coração
que permaneça sempre aberta aos homens
e onde os pequenos tenham sempre o primeiro lugar.
Uma tenda onde se respire Paz
e onde haja Paz a transbordar
e a chegar como um rio ao mar.

Uma tenda onde se escute o grito dos pobres sem pão,
dos doentes sem ternura e sem cuidados,
dos jovens sem sentido
mergulhados na dor do silêncio solitário.

Uma tenda em que os fatigados,
pela dor e pelo sofrimento,
encontrem descanso
e um copo de água para a sua sede.

Uma tenda como verdadeiro oásis
onde todos se possam abrigar
das noites do deserto, frias e sem esperança.

Ensina-me a preparar a tenda,
uma tenda para o Senhor.
Ensina-me a escuta da palavra, a disponibilidade que acolhe
o plano de Deus connosco;
o serviço de quem leva Deus
e na alegria o anuncia aos homens; a surpresa de quem recebe
a surpresa com ternura e esperança;
A alegria da salvação,
que nos chega através do teu SIM

Senhora,
ensina-me a preparar a tenda
em forma de coração para acolher a salvação de Deus,
para acolher JESUS!

Video: Maria e o Anjo

quarta-feira, dezembro 14, 2011

4ºDom - Advento


Ano B –IV DOMINGO DO ADVENTO
«Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus.»

O Evangelho proposto para esta semana é o da Anunciação. Trata-se de uma narração do encontro inesperado de Maria com o Anjo Gabriel que lhe anuncia o projecto de salvação por parte de Deus, que a envolve em primeiro lugar. O episódio revela-nos quem são as personagens, qual o conteúdo do anúncio, quais as reacções que tal anúncio provocou na jovem de Nazaré e que resposta foi dada.
É incrível que a Encarnação, o acontecimento fundamental para a salvação da humanidade, tenha sido anunciado de um modo tão discreto a uma jovem.  

Deus faz-se homem e vem habitar connosco: isto muda o nosso modo de ver Deus e o homem. Muda o nosso modo de existir: é-nos proposta uma Aliança, uma “co-habitação” que nos interessa e nos leva a tomar uma posição. Na resposta da fé está o nosso risco, a possibilidade de nos realizarmos, actuando o projecto de Deus, para além de toda a esperança humana. Conscientes da nossa pobreza e dos nossos limites, mas com plena confiança, como Maria, no amor omnipotente, somos chamados a dizer o nosso “sim” ao Senhor, na oração e na vida.

É sempre Deus quem decide manifestar-se e coloca-nos na condição de O conhecer e de O encontrar. É sempre Ele O mais interessado em estabelecer diálogo connosco, enquanto da nossa parte revelamos distracção ou incapacidade de reconhecer a Sua existência e os seus dons. Deus escolhe sempre o que parece ser insignificante aos olhos dos homens, mas é Ele quem projecta e propõe, dá o primeiro passo; cada chamamento traz consigo uma missão: Maria não é apenas uma criança mas uma mulher escolhida para ser, através do Filho de Deus, Mãe de toda a Humanidade. Ela será a nova Eva, aquela que, ao contrário da primeira, será obediente em tudo à vocação recebida. Deste modo, Maria encontra e deixa-se encontrar. O Anjo Gabriel é portador de uma Palavra que não é apenas discurso, mas é uma força que transforma o coração e imprime uma marca na sua existência; daí o significado do seu nome Força de Deus. Deus deseja a nossa participação no seu desígnio de salvação. Até que ponto me deixo interpelar por esta Força de Deus, que me chama e quer revelar uma missão?

ORAÇÃO
Senhor, faz que eu reconheça a Tua voz, quando quiseres falar comigo;
que eu possa reconhecer o Teu olhar, quando Te esconderes entre os meus irmãos;
faz com que eu não tenha medo dos Teus pedidos nos momentos em que os propões. Que no silêncio da minha “casa”, eu acolha a força da Tua Presença e da Tua Palavra, para que a minha história se torne história de salvação.


Vídeo: 4º Domingo de Advento-Ano-B



BOM ADVENTO

Arménio Rodrigues

quarta-feira, novembro 23, 2011

Advento - Tempo de Esperança


Estamos quase a Iniciar um novo tempo litúrgico. Eis que chega o tempo da esperança, da preparação, da vigilância. Para que o nosso coração se enriqueça desta certeza: Deus vem. O Senhor vem ao nosso encontro. Para que a nossa vida se inunde de um amor grande: Deus connosco, Emanuel. Para que o nosso ser seja plenamente enriquecido da graça da presença de um Menino que para nós é tudo. Vigiemos, portanto. Vivamos atentos. Preparemos todo o nosso interior para a chegada de Deus!
Estamos a começar o Advento. É um tempo para preparar o Natal. Ele é para todos, porque o Natal é também para todos.

O Advento é o tempo da esperança verdadeira. O Tempo em que Jesus Se encontra com cada um de nós e mostra a bondade do Pai. Mas há muita gente que não consegue ver esta verdade poderosa. Para ver Deus que Se revela é preciso ter o coração dos pequenos, o coração puro, capaz de se abrir à LUZ.
A caminhada da preparação para o Natal não é mais um adorno exterior, porventura até enriquecedor da liturgia do tempo, mas uma ocasião fundamental para darmos um ou mais passos para a frente. É um Tempo para aprender a esperar Deus que vem ao nosso encontro. Mas como se faz para preparar um encontro com Deus? A Palavra de Jesus é clara: "Há que acordar!" Que estar praparados para a mudança. Acima de tudo, há que despertar o coração. Às vezes, temos o coração pesado demais. Preocupações, desilusões, enganos, falsos deuses, valores insignificantes...há muita coisa a tornar pesado o nosso coração. E vivemos, como que anestesiados. Sem capacidade de reagir com entusiasmo e energia diante de um acontecimento inesperado.

O Advento é como uma obra de engenharia. É um tempo para avaliar a qualidade do terreno sobre qual construímos a nossa casa, a nossa vida.
Temos coragem de escavar mais fundo, à procura da rocha verdadeira que é CRISTO? Ou contentamo-nos com terrenos frágeis, sempre instáveis e movediços, incapazes de dar solidez e dignidade ao nosso futuro? Escavar em profundidade não é só escutar a Palavra de Deus: é pô-la em prática! Transformá-la em gestos concretos
 É importante, por isso, que toda a comunidade cristã (crianças, adolescentes, jovens e adultos), individualmente e em grupo, se empenhe neste processo. O Natal não é o passado histórico, celebrado de forma mais ou menos romântica e folclórica, mas é o presente da fé comprometido com o futuro esperado e possível. DEUS não é o passado: É o hoje e o amanhã.

O Advento oferece-nos dias de graça especial. Esta certeza deve animar a esperança aos discípulos, sobretudo em momentos de alguma confusão ou dispersão. Esperamos porque sabemos em quem colocamos a nossa confiança, porque estamos a preparar os caminhos de uma vinda que já há muito começou. Esperamos porque sabemos Quem vem ao nosso encontro. Desejar este encontro com o Senhor converte-se em urgência de vida, lança-nos na luta pelo que desejamos, e isso é Advento… Renovemos a consciência de nos inscrevermos na multidão daqueles que escutaram uma palavra que lhes falava do futuro… e acreditaram. Abraão, Moisés, Zacarias, Maria, José, Pedro e tantos outros. Deus vem ao nosso encontro, em amor e misericórdia, para recriar um Povo de coração novo.

Vamos procurar ter contemplar as atitudes de Maria, a mulher que acolheu livre e plenamente a Palavra de Deus. Através dela, Deus deu ao mundo o Salvador. Meditemos na sua atenção à Palavra de Deus, na sua disponibilidade em acolher o plano salvífico de Deus para a humanidade, na sua humildade e confiança no Senhor, na sua atitude de serva. Façamo-nos acompanhar por Ela neste advento ao longo do qual Deus também nos convida a dar “espaço” em nós ao amor que encarna.

Video Advento




1º Domingo do Advento


EVANGELHO – Mc 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"


Encontramo-nos no início desse maravilhoso tempo que é o Advento. O texto que hoje nos é proposto como Evangelho deve marcar a nossa caminhada e predisposição total a reencontrar-nos com o Amor de Jesus. No contexto do Evangelho, este capítulo constitui um discurso escatológico, sobre o tempo novo que virá após a destruição do Templo e de Jerusalém. A narrativa situa-nos em Jerusalém, pouco antes da Paixão e Morte de Jesus, e insere-se no plano dos ensinamentos de Jesus. No final desse dia, Jesus, sentado no monte das Oliveiras, diante do Templo, oferece um ensinamento a um pequeno grupo dos seus discípulos. Os seus interlocutores são Pedro, Tiago, João e André (cf. Mc 13,3) que colocam a Jesus uma questão em privado: diz-nos quando será o fim dos tempos e qual o sinal de que tudo está para acabar. Porém, a resposta de Jesus é dirigida a todos. Quanto ao dia ou à hora, ninguém sabe, a não ser o Pai (cf. Mc 13,32).

Vigiar! Esta é a palavra curta mas incisiva deste domingo de Advento. Vigiar, estar atentos, esperar o dono da casa que em breve regressará, é a atitude que Jesus pede a todos os seus discípulos. Jesus repete esta palavra mais três vezes, pelo que deve ser algo de importante a comunicar aos seus discípulos. A vigilância ajuda-nos a estar preparados a não cair em tentação, a não adormecer. Vigiar é a luz da espera da esperança, condição fundamental a não adormecer.

Acção
Proponho-me ao longo desta semana recordar-me no íntimo deste convite de Jesus – acautelai-vos e vigiai -  não com uma atitude de medo, mas  com aquela abertura de olhar a Jesus que vem ao meu encontro. Estarei atento para o reconhecer? Reconhecerei os momentos em que “adormeço” diante da vida? Poderei evitar as situações que me afastam do seu amor?

Vídeo 1º Domingo do Advento - Ano B







2º Domingo do Advento



EVANGELHO – Mc 1, 1-8
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

O testemunho de João Baptista convida-nos nesta semana a vivermos o significado de cada Natal: o encontro autêntico com Jesus, centro e fim da nossa fé. Preparar os caminhos do Senhor e endireitar as suas veredas, é uma tarefa constante de cada cristão, um caminho de conversão permanente que não nos deve apanhar descuidados e desatentos, mas centrados no que é fundamental para nós: a certeza de que Jesus, vem de novo para nos salvar. Na voz do profeta estão reunidas as vozes dos profetas de todos os tempos. Essencial, é descobrirmos o que essa profecia significa para nós hoje e que mensageiros e que mensagem nos anunciam os verdadeiros profetas do nosso tempo que insistentemente nos dizem: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Vídeo 2º DOMINGO DO ADVENTO



Bom Advento!




3º Domingo do Advento





Ano B – III DOM do Advento - Gaudete
«No meio de vós está Alguém que não conheceis»

A liturgia do terceiro domingo do Advento é centrada no tema da alegria. De facto, a Igreja tradicionalmente chama ao terceiro domingo do Advento, domingo da alegria ou domingo Gaudete. A cor litúrgica sugerida para este dia diz também a sua peculiaridade no todo do ano litúrgico. Neste sentido, toda liturgia ganha uma unidade: leituras, evangelho, orações em redor desta atitude e bem-aventurança bíblica: Alegrai-vos!
O episódio evangélico de hoje, (na realidade este domingo poderemos ler dois textos do evangelho) continua a orientar o nosso caminho em direcção ao Natal que se faz sempre mais próximo.
O evangelho deste domingo, do primeiro capítulo do evangelho de João, ajudar-nos-á a descobrir quem é Jesus e o perfil e traços do Evangelizador.

Evangelho segundo São João (1, 6-8.19-28)
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?» «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

O testemunho de João é neste contexto muito sugestivo. Ele testemunha com a sua vida, com todo o seu ser, a partir até do seu próprio nome que Deus é amor misericordioso. Ele é uma testemunha, aquele que faz experiência na própria pele, aquele que dá o devido protagonismo a quem o merece. Jesus é quem indica a verdade, é quem ilumina o caminho no meio da escuridão. João neste contexto interpela-nos a sermos testemunhas, aquelas testemunhas que ensinam com a vida, com o exemplo, tal como Paulo VI pedia aos cristãos do mundo inteiro: "O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres” (EN 41).

Testemunhar! Um gesto, uma atitude, uma palavra… Como posso indicar hoje ao mundo que Jesus é a luz?

O testemunho de João é perseverante, é centrado em Jesus. Ainda que abundem incompreensões, perseguições, João escolhe preparar o caminho do Senhor. Preparar caminhos para que Ele passe, para que Ele chegue, para que Ele entre na nossas vidas, nas nossas cidades, no nosso mundo. João não se sobrepôs, mas fez-se instrumento. Eis mais um desafio à nossa vida, ao nosso caminho: ‘Endireitai caminho do Senhor’

João prepara o caminho, anuncia, é o precursor, mas anuncia uma realidade que vive e acredita. No meio de vós está alguém! Eis a grande certeza que não nos pode deixar indiferentes, a grande notícia que muda as nossas vidas, o grande anúncio que muda o rumo da história. João anuncia “alguém”, toca a cada um de nós descobri-lo, encontrá-lo, acolhe-lo, este alguém conta com o nosso sim, a nossa vida, conta connosco. No Natal que agora se aproxima Jesus far-se-á novamente presente no meio de nós. A sua Palavra por isso nos interpela novamente. Alegrai-vos!

Oração

Obrigado Senhor pela tua presença no meio de nós!
Eis o motivo da nossa alegria, da nossa esperança.
Obrigado por tudo,
Pelas luzes, pelas sombras,
Pelo amor e as traições
Pela vida, pela dor
Que em ti nos ajudam a descobrir sempre melhor o teu Amor.


Vídeo 3º Domingo de Advento - Ano - B




Arménio Rodrigues

segunda-feira, outubro 24, 2011

Vamos trabalhar na Vinha


Vamos trabalhar na Vinha!
Nós temos uma missão e Cristo espera que cumpramos o Seu mandamento de seguir em frente, levar o Evangelho a toda a criatura; se já desististe de tudo, volta depressa! Cristo chama-te, não o desapontes.
Pelo teu testemunho pessoas já se converteram ao Senhor, outros já olharam com outros olhos para as coisas de Deus, essa também é uma maneira de ser pescador de homens. O nosso tempo de agir é agora, o ontem é passado e damos glória a Deus pelo que fizemos, o amanhã é incerto, então temos o hoje; vive realmente o teu tempo.
No inicio da nossa caminhada evangelizamos como ninguém, mesmo ser ter pleno conhecimento do que estávamos fazendo; era por inspiração , com amor, ardor e muita garra. Hoje Deus chama de volta os Seus filhos que estão estagnados, outros afastaram-se. Conhecemos muitos que pegavam em redes connosco e arrastávamos muitos peixes, eram pessoas de oração, de testemunho e hoje estão afastados. Jesus chama-os de volta e nós devemos fazer a nossa parte, estendendo-lhes a mão, encorajando-os a voltarem; muitos estão esperando apenas esse pequeno sinal para voltarem.
Por mil motivos, muitos deles voltaram para o lamaçal da vida, mas estão marcados! São do Senhor. São apóstolos. São pescadores de homens. É preciso buscá-los, repescá-los sem medo. A seara é grande, por isso será necessário reunir uma grande equipa. Teremos que reunir os operários antigos e os veteranos com os novatos e inexperientes, partir juntos, porque é necessário pescar almas em quantidade!
São novos tempos. O senhor convoca a todos. É preciso reunir os operários da primeira hora. O desafio é imenso. O próprio Senhor convoca os apóstolos de um novo tempo. Deus nos convida a sermos homens e mulheres conduzidos pelo Espírito Santo.

O meu compromisso...

Senhor Deus, dou-Te graças pela dádiva de vida que me chamas a ser. Ser dom para os outros, à semelhança do dom que és para nós!
Conduz-me neste caminho, para que saiba ser sinal da Tua presença junto das crianças e adolescentes.
Fortalece-me no compromisso de vida cristã, tranquilizando-me nos momentos de emoção e amparando-me nas desilusões.
Quero dar tempo e oportunidade a um aprofundamento da Oração, da Eucaristia e da Reconciliação, deixando-me encontrar por Ti e, assim, encontrando-me.
Uma coisa Te quero pedir... Faz-me Catequista!

Vídeo: CHAMAMENTO



Abraço!!
Arménio Rodrigues

sábado, setembro 24, 2011

Não temas!


Quando Cristo ressuscitado aparece aos seus discípulos diz-lhes sempre: "A paz esteja convosco!" (Lc 24,36). E todos os cristãos sabem que quem tem Deus nada lhe falta. Mas ainda subsiste uma certa imagem de um Deus temível, castigador e, diria mesmo, vingativo! A aumentar a confusão está a catequese onde se diz que o "temor de Deus" é um dos sete dons do Espírito Santo. Mas o que é o temor? Será que o temor de Deus, como dom do Espírito Santo, é o mesmo que  medo e castigo?

O temor na Bíblia
Quando a Sagrada Escritura fala em temor de Deus não está a afirmar que o homem deve estar com medo diante de Deus. Fala antes de uma atitude de reverência e respeito ao Senhor. Temer a Deus é, portanto, reverenciar e respeitar ao Criador. Senão vejamos: "Seguireis ao senhor, vosso Deus, e a Ele haveis de temer; cumprireis os seus preceitos e não obedecereis senão à sua voz; a Ele prestareis culto e só a Ele servireis!" (Dt 13,5); "O resumo do discurso, de tudo o que se ouviu, é este: teme a Deus e guarda os seus preceitos, porque este é o dever de todo o homem." (Ecl 12,13)
O temor de Deus é o ponto central da religião judaica. O homem religioso assume com seriedade as relações com Deus e o cumprimento dos mandamentos, embora sabendo que esta atitude não o irá ilibar das dificuldades e desventuras da vida. Por isso, os textos bíblicos apresentam uma série de reflexões sobre o tema. Inclusivamente Salomão, de forma didáctica, diz no livro dos Provérbios como deve ser o proceder do homem para conhecer o significado do que é temer a Deus e como o conseguir: "Se invocares a inteligência e fizeres apelo ao entendimento, se a buscares como se procura a prata e a pesquisares como um tesouro escondido, então, compreenderás o temor do Senhor e chegarás ao conhecimento de Deus." (Pr 2,3-5)
Deus é fonte desta atitude, como nos diz Jeremias. Ele mesmo a suscitou nos corações dos seus escolhidos: "Dar-lhes-ei um só coração e um comportamento íntegro, para que sempre me reverenciem, para a felicidade deles e dos seus descendentes. Farei com eles uma aliança eterna, e não deixarei de lhes fazer bem; infundirei no seu coração o meu temor para que não se afastem de mim. A minha alegria será fazer-lhes bem; estabelecê-los-ei solidamente nesta terra com todo o meu coração e com toda a minha alma." (Jer 32,30-41).
Temer a Deus é respeitar ao Senhor e começa, inicialmente, por odiar o mal. "O temor do Senhor detesta o mal. E eu detesto o orgulho, a arrogância, a má conduta e a boca mentirosa." (Pr 8,13).
Temer a Deus é virar-se contra o pecado, deixando nascer dentro do coração uma sensibilidade ao Espírito Santo, capaz de rejeitar tudo o que se opõe a Deus. O temor de Deus é, assim, a capacidade de seguir as sugestões de Deus para orientar a própria vida, pelo que não se consegue sem o dom do Espírito Santo.
No fundo, é Ele o grande Mestre que nos pode ajudar a distinguir entre o temor de Deus como dom, e o ter medo de Deus como desvio.
"Não te exaltes a ti próprio para não caíres nem atraíres sobre ti a vergonha; porque o Senhor revelará os teus segredos, e te humilhará no meio da assembleia, pois não te aproximaste do temor do Senhor e o teu coração está cheio de falsidade." (Sir 1, 12-30).
Podemos então concluir que o temor de Deus, se porventura tiver alguma coisa a ver com medo, é medo de mim próprio, medo de me afastar de Deus.
Nunca medo de Deus, porque esse é Misericórdia.

Vídeo: O Teu Nome


terça-feira, agosto 16, 2011

Férias: Ao falar de TI...




Férias

Não são férias de fé. Mas são um bom tempo para repousar um pouco. É um tempo bom para descansar, rezar melhor, para recuperar equilibrio e forças. Para ganhar energia para os novos desafios.
Nestas  férias leva a Bíblia para onde fores  para ler um pouco durante os descansos.
Boas Férias.


Ao falar de Ti...


Senhor,
Eu quero ouvir a Tua voz
Fazer florescer e frutificar a Tua Palavra,
Reconhecer-te, descobrir-te,
Em cada gesto,
Em cada palavra,
Em cada momento,
Em cada esquina da minha vida…
Perdoa o meu silêncio,
A minha falta de resposta…
Eu sei, Senhor,
Que tu conheces como ninguém
O meu coração fraco, débil,
Que a cada passo
Se deixa tentar pelo mal
Para depois se afogar em lágrimas de dor e desespero,
Eu sei também que a Tua mão
Está sempre estendida,
Pronta para me resgatar…
Vens ao meu encontro.
Perdoa, Senhor a minha cegueira,
Apura os meus sentidos e o meu coração
Para que sinta fome e sede de Ti
E Te possa sentir em tudo e todos…
Não permitas que o meu coração endureça,
Atrofie, se torne árido e seco,
Tendo a fonte tão perto de mim.
Não deixes que eu perca o brilho do olhar,
Ao falar de Ti.





Vídeo Oração

video


Abraço fraterno!
Arménio

sexta-feira, agosto 05, 2011

Dedicado ao Padre Celestino Ramos




"Faz-te ao largo e serás pescador de homens" 
Foi este o enorme desafio que Deus fez um dia a um jovem, que corajosamente o aceitou e... se fez ao «Largo»... e continua a «pescar» incansável e amorosamente.
Muitas têm sido, certamente, as tempestades a vencer...
Quantas vezes parecerá que o vento teima em não soprar, favorecendo a apatia daqueles que o pescador quer abraçar na rede, que sabe não ser sua mas de Deus, numa pesca que não quer para si, mas para Deus.
Mas não desiste... antes teima e prossegue, com uma esperança cheia de entusiasmo e juventude.

Falar do Padre Celestino Ramos é falar de um homem de fé, que fiel á sua missão, caminha sem medo na entrega a qualquer tarefa, mesmo a mais desafiadora e difícil.
O que mais aprecio no Padre Celestino é a sua permanente juventude, que não esmorece, mesmo no meio das maiores dificuldades.
É um homem que com a sua dedicação e serviço a Deus tem o dom de contagiar aqueles que com ele trabalham e é para cada um de nós o exemplo de que "Acreditando" é possível ir mais além dos nossos limites, desde que acreditemos sempre nas nossas capacidades.
Vi sempre no Padre Celestino, uma grande fé vivida, facilmente detetável por quem o conhece. Por isso, o entusiasmo quase adolescente com que se entrega a qualquer tarefa, tanto mais empenhadamente quanto ela é desafiadora e difícil.
Forte, convicto e decidido, empenhado de zelo e de esperança que não tropeça.
É assim o Padre Celestino Ramos. E diante de alguém assim, é muito forte a razão para dar graças a Deus.

Agradecemos a Deus a vida, agradecemos o exemplo, agradecemos a dedicação e a certeza firme do sorriso atento do padre Celestino que espelha Cristo no meio dos homens.
                                                                                                                                                                                                                                                                              Obrigado Padre Celestino por tudo o que nos tem dado!


 Muitos parabéns!!


terça-feira, julho 19, 2011

IDENTIDADE

Identidade

Nascemos frágeis e indefesos, mas cheios de potencialidades, a nossa riqueza só emerge se formos acolhidos e reconhecidos. É nesse "lar" que adquirimos as ferramentas para ler e entender o mundo e a nós mesmos. Na relação com os outros passamos de indivíduos a pessoas. Interiorizamos os valores da cultura onde vivemos, e vamos construindo assim a nossa identidade - humanizamo-nos.
É na abertura aos outros, no silêncio e na solidariedade que encontramos o sentido da vida (transcendência).
A transcendência, abertura ao divino, surge no horizonte do especificamente humano. Jesus Cristo é o modelo da nossa caminhada, ele foi acolhido, reconhecido por uma família e um povo da matriz cultural judaica. À medida que constrói a Sua Identidade pessoal, descobre que Deus é um "ABBA; Paizinho querido". Ele descobre-se Filho de Deus e relaciona-se com Ele como Filho. Lê o mundo e os acontecimentos à luz desta relação, e sente-se impelido por esta relação a anunciar o Reino de seu Pai. Sabe que vai morrer por causa disso, mas prefere ser fiel ao seu ser de Filho.
A nossa identidade passa por sermos acolhidos e reconhecidos. Esta é a plataforma para nos podermos transcender. Então podemos procurar: Deus em nós e a nós em Deus. Só aquele que está aberto ao divino é capaz de atingir a sua plena identidade como ser humano.
O Amor é a força que nos identifica!


Video: IDENTIDADE




Abraço fraterno
Arménio Rodrigues

quinta-feira, junho 23, 2011

Eucaristia-Corpo de Deus




A EUCARISTIA NA BÍBLIA
A Vida e a Vitalidade da Eucaristia
A Última Ceia é pré-pascal. Mas a Eucaristia é pós-pascal. A Eucaristia é a dinâmica eclesial de memorial da Última Ceia como espaço privilegiado de comunhão com Cristo e acolhimento da sua Vida.

“Ao redor da mesa” é uma das expressões bíblicas de mais profunda convivialidade e felicidade. A importância da refeição era um dado cultural do povo bíblico. Depois, este dado cultural tornou-se uma fonte de linguagem teológica.
A Última Ceia como instituição da Eucaristia
A Última Ceia de Jesus é o ponto decisivo de arranque do Reino de Deus entre os Homens, como configuradora de sentido para a sua morte… e a Eucaristia que dela brota é a dinâmica memorial dessa morte-ressurreição salvadora até a plenitude do Reino chegar.

O que diz S. Paulo sobre o "Corpo de Cristo"
Paulo utiliza no seu pensamento a linguagem do “Resto Fiel”, tipicamente bíblica, para falar da Igreja. A Igreja é o Resto Fiel de Cristo e a Cristo. A Eucaristia é a celebração fraterna deste Resto Fiel.

O que diz S. João sobre o "Pão da Vida"
 “Comer o Pão da Vida” é “Permanecer em Cristo”, na linguagem do quarto evangelho. João superou a perspectiva davídica do messianismo de Jesus. Por isso, como realização definitiva da missão de Jesus nunca fala de uma “segunda vinda”, mas sim da “vinda do Espírito Santo, o Paráclito, o Espírito da Verdade, do Pai e do Filho”, dom maior da “Hora” de Jesus, a sua morte-ressurreição.

A "Fracção do Pão" nos Actos dos Apóstolos e o Sacerdócio na Carta aos Hebreus
Os ritos cultuais não são o que dá eficácia à acção do Espírito Santo, mas sim os carismas, que são as qualidades de cada um postas ao serviço de todos e, sobretudo, abertas à acção consagrante do Espírito Santo. O Espírito Santo é Pessoa-Comunhão. É no contexto de pessoas em comunhão que Ele se torna verdadeiramente vivo e eficaz.
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A EUCARISTIA PASSO-A-PASSO
Eucaristia: a Festa dos Corações Agradecidos
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Eu gosto de chamar à Eucaristia a Festa dos Corações Agradecidos, porque é por excelência a celebração festiva da nossa Gratidão ao conhecermos o Amor de Deus que é Graça. É a Graça de Deus, que Se faz Dom imerecido, que nos faz desbordar em Gratidão.
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Celebrar é Humano...
Ser pessoa é construir-se pessoa. Não nascemos acabados, feitos. Nascemos possibilitados, mas não realizados. Nesta dinâmica, há momentos, acontecimentos e horizontes tão especialmente significativos que nós costumamos Celebrá-los. Celebrar é conferir sentido à nossa história, estruturando-a com os acontecimentos e experiências que celebramos.
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"Os quatro insubstituíveis" dos Sacramentos
Os sacramentos cristãos não são realidades mágicas caídas do céu, mas sim Celebrações da Vida à luz da Fé. E a Fé é que rasga aqui horizontes novos… Pela Palavra e pelo Espírito que nos consagram, as dimensões humanas das nossas celebrações não são anuladas mas optimizadas…
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A Comunidade Reunida
Ainda nos falta descobrir a alegria de sermos Comunidade. Ou, melhor, não nos falta descobrir essa alegria, mas Re-descobrir, porque a Igreja primitiva tinha um rosto profundamente comunitário. Não havia multidões, massas de desconhecidos. Todos aprofundavam, celebravam e viviam a sua Fé em comum-unidade.
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Um Amor que perdoa é um Amor que Recria
Deus-Amor cria-nos para o amor. Nós fomos capazes de inventar o pecado, o contrário do Amor. Como o amor é o ritmo da nossa quotidiana criação, o pecado é o ritmo da nossa descriação, sermos menos do que estamos chamados e possibilitados a ser. E é neste contexto vital que temos que entender o Perdão de Deus.

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Das palavras à PALAVRA
A Igreja é a Comunidade convocada, a comum-união de todos num mesmo chamamento. A Igreja brota da escuta de uma Palavra, existe em torno dessa Palavra para a saborear, acolher, encarnar e celebrar e, depois, ser voz profética dessa Palavra transformadora do mundo pelo anúncio e pelo testemunho. Mas, não te parece que esta dimensão da Igreja como Comunidade da Palavra está há muito esquecida? A mim, sinceramente, sim…
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Crer e Querer
Já reparaste como costumamos dizer o Credo nas nossas Eucaristias? Parecemos um grupo de meninos na escola a dizer em coro a cartilha, com os sítios das respirações já sabidos de cor, a mesma entoação feita por todos, e o mesmo ar de enfado de quem não se importaria nada de “saltar essa parte”…

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Ofertório de Vida
O primeiro ofertório é Deus mesmo, presente, actuante, disponível. Porque é Amor, não pode fechar-se em Si próprio, não pode guardar-se para Si, sem Se dar. Porque é Amor, Deus não pode senão ofertar-Se permanentemente, Deus-Graça e Deus de Graça para todos.

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A Consagração é um "Mistério de Fé"
Um dos maiores perigos para a nossa Fé é descambarmos para a lógica das magias e dos “poderes especiais” fechados à compreensão e à explicação. E depois, ingenuamente, chamamos a isso “Mistérios”… como se fossem realidades insondáveis e de conhecimento impossível.
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Do Pai Nosso à Sabedoria da Oração
O Pai Nosso não é uma fórmula, não é uma “reza” a ser repetida! Jesus não ensinava “rezas”, mas sim os segredos para viver em intimidade com Deus, a sabedoria da oração. Nós fizemos do Pai Nosso uma fórmula a repetir, mais uma “reza” a decorar; mas não foi isso que Jesus ensinou aos seus discípulos.
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Enviados à Eucaristia da Vida
Alguma vez te deste conta de que a Eucaristia não tem fim? A celebração termina com um envio: “Ide em paz…”, porque o que termina é a celebração, não a Eucaristia como experiência da Graça e resposta de Gratidão. Querer terminar a Eucaristia quando termina a celebração é abortá-la!

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"Mapa da Eucaristia" (resumo)
Como que um Guia de Percurso, uma sinalização do caminho. Agora, já não um mapa de estradas e ruas, mas um Mapa da Eucaristia. Comecemos viagem…
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Vídeo: Eucaristia-Corpo de Deus


Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues

sábado, junho 04, 2011

Ascenção


Depois da morte de Jesus, os discípulos “estavam de luto e chorosos” (Mc 16,10); tiveram dificuldade em acreditar que Ele estava vivo (cfr. Mc 16,11).

Tudo parecia perdido e terminado… Tudo parece perdido quando se perde a vocação missionária; os discípulos, como talvez muitos de nós, ainda não tinham percebido que agora somos nós, também, filhos; e, por isso, transmissores do amor do Pai a todos os irmãos. Agora, o próprio Jesus, está diante dos discípulos, de novo, como naquele primeiro dia no mar da Galileia, quando lhes disse: “segui-Me e farei de vos pescadores de homens” (Mc 1,17); hoje, de novo, recorda-lhes o sentido desse chamamento: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho e toda a criatura”. Ser cristão é ser missionário, sem fronteiras, sem barreiras, sem férias para a missão. Ser cristão e ter coração de mãe e pai, a tempo inteiro, preocupados constantemente com o anúncio do evangelho: de noite, de dia, quando se está cansado, quando se come, quando se trabalha, quando se brinca… mas nunca por obrigação, mas simplesmente por amor, gratuito, sem cobrar. Assim, é ser cristão, ser de Cristo.

Quantas vezes, Senhor, me encontras ‘escondido’, temeroso, inerte. Quantas vezes, Senhor, pareço ter esquecido todo o amor que aprendi de Ti. Mas hoje, Senhor, como naquele dia com os discípulos, vens ao meu encontro, me recordas o sentido da minha vocação cristã… e tudo ganha sentido: ‘ide…e pregai o evangelho’! São as Tuas últimas palavras, Senhor, o Teu testamento, jamais as esquecerei. Farei da minha vida uma vida de anúncio do Teu evangelho, a toda a criatura, a todos os corações.

Se Jesus, pessoalmente, viesse ao meu encontro e me dissesse: ‘Vai por todo o mundo e prega o meu evangelho a toda a criatura’. Que faria? Que consequência teria o meu dia de hoje e a minha vida cristã, a partir de então? ‘Vai…’


Vídeo: Eis-me aqui!


Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues

segunda-feira, maio 30, 2011

Jesus é O Caminho!




Durante a Última Ceia, Jesus fala aos apóstolos e  revela o que Lhe que sucederia, depois daquela noite. Os discípulos mostravam-se confusos com as Suas palavras... até que o Mestre lhes indica: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim.” (Jo 14, 6).
Confusos ainda, perguntam (por Felipe) como ver o Pai. E o Mestre responde: “Há tanto tempo que estou convosco, e ainda não me conheceis? Felipe, quem me vê, vê também o Pai…. Não credes que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? Crede ao menos por causa das mesmas obras. … Digo-vos que aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e fará outras ainda maiores.” (Jo 14, 8, ss). E finaliza avisando de que irá voltar para o Pai.
Depois da Morte e Ressurreição de Jesus, naqueles primeiros momentos da pregação dos apóstolos, muitas vezes a confusão deve ter invadido os seus corações: para onde vamos? Por onde caminhar? O que significava tantos ensinamentos? Como colocá-los em prática?… E as palavras de Jesus voltam a soar como uma promessa: Ele é o caminho, a verdade e a vida!
Ter os olhos fixos nos passos de Nosso Senhor, para segui-Lo, é tê-Lo como Caminho, Verdade e Vida. Muitas vezes os problemas da vida, atrapalham, perturbam, tornando nebuloso o nosso horizonte. Também  perguntamos, tal como os apóstolos outrora: por onde ir? E lá está novamente a resposta da nossa fé: seguir os Mandamentos e Conselhos de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Caminhar segundos os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo é andar em terra firme. É preciso acreditar nas suas palavras para testemunhar que, com o amor de Deus, é possível ultrapassar as adversidades, o medo e até a morte. Beber os Seus ensinamentos é estar constantemente ligado à fonte da água viva, daquela que não se esgota nunca, pois  leva-nos à eternidade!
Por isso, quando Se apresenta como Caminho, Verdade e Vida, Jesus mostra a intenção de se dar a Si mesmo, através dos santos Sacramentos, para que possamos cumprir o 1º. Mandamento: Amar a Deus sobre todas as coisas, para desejarmos e alcançarmos os bens celestes. O que conseguiremos seguramente, se valermo-nos da sua e nossa Mãe Maria Santíssima: Mediadora, Advogada e nossa Auxiliadora.


Caminho Verdade e Vida


Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues

quarta-feira, abril 20, 2011

SEMANA SANTA



Estamos na Semana Santa! O nosso itinerário quaresmal tem agora um momento de celebração e contemplação profundo, intenso, único. A memória de Jesus, na sua entrega, na sua paixão, no seu amor ressuscitado torna-nos capazes da mudança, da profecia, do anúncio, da vida nova, simplesmente... da fé. Passemos, também nós, corajosamente, da morte à vida, do pecado à graça, da vida à vida nova em Jesus Ressuscitado.

Jesus sentou-Se à mesa com os seus Apóstolos e disse-lhes: «Tenho desejado ardentemente comer convosco esta Páscoa, antes de padecer; (...) tomou o pão e, dando graças, partiu-o e deu-lho, dizendo: «Isto é o meu corpo  entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». No fim da ceia, fez o mesmo com o cálice, dizendo: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue, derramado por vós».
Depois da oração de acção de graças (em grego eucaristia), Jesus realiza um conjunto de gestos simbólicos substituindo os elementos da antiga páscoa (judaica) pelo seu próprio "corpo" e o seu "sangue". A narração da instituição da Eucaristia tem um claro carácter sacrificial: Jesus não oferece coisas, mas oferece-se a si mesmo.

O desejo intenso de Jesus indica a particularidade desta (última) ceia. Ele está plenamente consciente de que se aproxima o momento culminante da sua existência. Com os seus gestos e as suas palavras Jesus transformou aquelas circunstâncias trágicas e injustas no dom de si e na fundação da nova aliança. Dom e Aliança que se renova cada vez em que se celebra a Eucaristia. Talvez seja um bom momento para reflectir: com que "desejo" vivo a Eucaristia? Que sentido tem Jesus eucaristia na minha vida? Que significado teve esta entrega de Jesus “fazei isto em memória de mim”?

Então saiu e foi, como de costume, para o Monte das Oliveiras e os discípulos acompanharam-n’O. Quando chegou ao local, disse-lhes: «Orai, para não entrardes em tentação». Depois afastou-Se deles cerca de um tiro de pedra e, pondo-Se de joelhos, começou a orar, dizendo: «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice. Todavia, não se faça a minha vontade, mas a tua». Então apareceu-Lhe um Anjo, vindo do Céu, para O confortar. Entrando em angústia, orava mais instantemente e o suor tornou-se-Lhe como grossas gotas de sangue, que caíam na terra.

"Não se faça a minha vontade, mas a tua". Jesus transforma a sua vontade humana e identifica-a com a de Deus. É este o grande acontecimento do Monte das Oliveiras, o percurso que deveria realizar-se fundamentalmente em cada uma das nossas orações:  transformar, deixar que a graça transforme a nossa vontade egoísta e a abra para se conformar com a vontade divina. Nos momentos difíceis, sabemos pedir ajuda a Deus, com humildade e fé, para encontrar no seu amor de Pai a força para enfrentar os nossos maiores medos?

Levantaram-se todos e levaram Jesus a Pilatos. Começaram a acusá-l’O, dizendo: «Encontrámos este homem a sublevar o nosso povo, a impedir que se pagasse o tributo a César e dizendo ser o Messias-Rei». Pilatos perguntou-Lhe: «Tu és o Rei dos judeus?» Jesus respondeu-lhe: «Tu o dizes».
Pilatos disse aos príncipes dos sacerdotes e à multidão: «Não encontro nada de culpável neste homem».

Pilatos compreendeu desde o início que o tipo de acusação apresentada foi preparada com arte para não lhe deixar outra alternativa: reconhece a inocência de Jesus, mas por motivos de conveniência não quer colocar-se em oposição aos acusadores. Tendo entrado no tribunal como "condenado" Jesus sai agora como "inocente" e encaminha-se para a morte como o "justo (injustamente) perseguido".  

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem». (...) E Jesus exclamou com voz forte: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». Dito isto, expirou.
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Estas, são as últimas palavras de Jesus: palavras de perdão, de amor, de aliança; palavras com as quais resplandece mais uma vez o seu espírito filial. "Pai": as últimas palavras de Jesus recordam a sua primeira frase, pronunciada no templo de Jerusalém aos doze anos: "Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?". (Lc 2, 49).
Jesus é todo aqui, na sua relação com o Pai. Entregando-se ao Pai, anuncia a sua misericórdia e reconduz a casa cada "filho pródigo", que encontra no "bom ladrão" a realização plena. O seu é um arrependimento que não nasce de motivos humanos, de simpatia por Jesus; o "bom ladrão" converte-se porque, com os olhos da fé, descobre quem é verdadeiramente aquele Jesus que está crucificado ao seu lado.

Tanto desprezo à Tua volta, Senhor. E onde estou eu para Te defender? Que espero ter para Te defender? Uma “arma atómica”… ou a força da Tua mansidão? Tantos insultos, tantos olhares sem misericórdia… para Ti que usaste de tanta bondade e que revelaste o coração misericordioso de Deus. E estás crucificado, Jesus! As Tuas mãos não se podem mover. As Tuas mãos que se estendiam para os humilhados e para os doentes e para todos os sem esperança. Aqui tens as minhas mãos, aqui tens os meus braços para continuares a abençoar e a acolher, não têm a Tua bondade, mas são todas para Ti.
Quiseste, Jesus, anunciar a bondade de Deus. Quiseste distribuir a ternura de Deus, quiseste oferecer o perdão de Deus a todos, dignos ou indignos. Cumpriste a Tua missão. Agora gritas e morres na cruz. Que o Teu grito de entrega, Senhor, solte a minha voz para Te anunciar como verdadeiro Filho de Deus; que a Tua morte, Jesus, revigore as minhas forças, para que vivas em mim e eu viva para tantos que confiaste a meu cuidado.




VÍDEO: SEMANA SANTA
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VÍDEO. NINGUÉM TE AMA COMO EU!






Boa Semana Santa!!
Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues