domingo, dezembro 14, 2014

Alegrai-vos, sempre no Senhor!


Continuamos a viver o Advento como preparação para o Natal.
Ele é para todos, porque o Natal é também para todos. Vamos dando conta, a cada momento com maior nitidez, de que o Natal cristão está a ficar muito escondido dentro das nossas casas e igrejas, e até dentro de nós próprios. O consumismo e a publicidade, a rotina e a indiferença são também algumas razões que têm eclipsado o sentido da vida, o sentido da fé e da esperança. Sem ficarmos fora da órbita da vida, precisamos de corrigir o percurso da vida cristã: não só não podemos perder o sentido do Natal hoje, como também precisamos de o desenvolver sempre mais no suporte de uma fé, esclarecida e forte, para uma vivência da esperança, fundamentada e comprometida. A caminhada da preparação para o Natal não é mais um adorno exterior, porventura até enriquecedor da liturgia do tempo, mas uma ocasião fundamental para darmos um ou mais passos para a frente. É importante, por isso, que toda a comunidade cristã (crianças, adolescentes, jovens e adultos), individualmente e em grupo, se empenhe neste processo. O Natal não é o passado histórico, celebrado de forma mais ou menos romântica e folclórica, mas é o presente da fé comprometido com o futuro esperado e possível. DEUS não é o passado: É o hoje e o amanhã. Temos esperança em Deus? As pessoas acreditam em nós quando dizemos que somos alegres em todas as situações porque sabemos que Deus está connosco? O amor de Deus não perdoa apenas e sem mais…deve provocar a nossa conversão. Damos espaço a Deus para ter uma opinião sobre a nossa vida?
O que dinamiza o mundo é o amor… nunca o medo… em situações em que temos poder, usamo-lo para atemorizar os outros?
Só tem mesmo esperança em Deus quem reza. Rezamos? Os bens de que dispomos são, em última análise, dom de Deus. Somos capazes de os partilhar?

Já nos lembrámos de proporcionar um Natal mais digno a alguma pessoa ou a alguma família? Praticamos ou praticámos algum acto de violência contra alguém (física…psicológica



quarta-feira, dezembro 03, 2014

Abraão: O Peregrino




Antes de nós, muito antes, homens e mulheres puseram toda a confiança em Deus. O seu sim a Deus é tão forte que sempre esclarece e provoca o sim de cada crente que cada um é.
Nas origens do povo de Israel, está um desses homens que soube caminhar na presença de Deus. Esse homem foi Abraão, chefe de um clã nómada que emigrou da Mesopotâmia para Canaã, no começo do segundo milénio antes de Jesus Cristo.

A fé fê-lo partir

A sua peregrinação começou depois de sentir o chamamento de Deus: "Deixa a tua terra, a tua família, e a casa de teu pai e vai para a terra que eu te indicar" (Gen 12,1).
Casa, família, clã...Eram realidades que o tinham ajudado a crescer...mas agora, aos 75 anos (nunca é tarde demais!) era tempo de caminhar pelos próprios pés.
Abraão deixa tudo e põe-se a caminho confiado somente na palavra e protecção divinas.

O caminho...laboratório de fé

O Senhor disse a Abraão: "Eu farei de ti um grande povo..."(Gen 12,21). Abraão sai à procura de uma descendência. Não tem filhos e a sua mulher é estéril. Abraão não vacila e acredita no impossível. Escuta o Senhor e a sua fé é recompensada. Sara, sua mulher, tem um filho na sua velhice-Isaac. Hoje Abraão é o pai dos crentes. Todas as religiões monoteístas (cristãos, judeus e muçulmanos) o veneram como pai na fé. De facto, a descendência segundo a fé não é menos importante que a descendência segundo a carne.

A Bíblia renuncia a apresentar Abraão como homem ideal. Ela mostra também os seus lados sombrios. No caminho de adesão a Deus, Abraão é o peregrino que aprende através dos seus erros, e é assim mesmo que ele se torna o modelo de fé e o patriarca de Israel.
O caminho teve os seus momentos de prova, de dificuldade, mas contou sempre com a presença de Deus. É certo que os ritmos de Deus não pareciam ser aqueles de Abraão... mas Deus soube caminhar pacientemente ao lado de Abraão. às vezes foi difícil para Abraão lembrar-se que a iniciativa é sempre de Deus... e que a "gramática" de Deus escapa aos nossos cálculos.
O homem põe e DEUS DISPÕE.Ainda hoje esta peregrinação da Abraão não atingiu a meta...
Para o crente o essencial é seguir o caminho para o futuro. A sua existência não tem nada de sólido e de imóvel, nada de preestabelecido, mas é uma transformação incessante. Neste nosso peregrinar medita no teu coração as palavras de Deus a Abraão: "Serás uma fonte de bênçãos".
Por meio de Abraão e seus descendentes, a salvação estender-se-à a todos os povos.
O importante é estar disposto a partir!
Jesus disse a Simão: "Não tenhas receio; de futuro, serás pescador de homens. E, depois de terem reconduzido os barcos para terra, deixaram tudo e seguiram Jesus" (Luc 5,10b-11).
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Onde está a meta?
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Com Abraão a história da humanidade tomou uma orientação "imprevista"... arranca a história da Salvação! História que com a vinda de Jesus se tornou ainda mais visível e irrefutável.
Diz S. Paulo na sua Carta aos Gálatas: Todos vós sois um só em Cristo. E se sois de Cristo, sois então descendentes de Abraão, herdeiros segundo a promessa" (Gl 3,29).
Ainda hoje esta peregrinação de Abraão não atingiu a meta...
Abraão...és tu!!!

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Vídeo:   Uma Longa Viagem 



Arménio Rodrigues

domingo, novembro 09, 2014

Bem Aventurados os Mansos.


«Bem-aventurados os mansos porque eles possuirão a terra»

Força, poder e violência são a grande trindade do nosso século.
E Cristo atreve-se a chamar bem-aventurados precisamente aos mansos?
Será esta bem-aventurança uma exaltação da debilidade, da covardia, da falta de virilidade?
Os mansos são, simplesmente, os que participam da “mansidão de Cristo” (2 Cor 10,1).
A mansidão, pois, mais que uma virtude, pode definir-se como “ um complexo de virtudes, uma forma especial da humildade e da caridade, que abrange a condescendência, a indulgência, a suavidade e a mesma misericórdia”.

Cristo era suave, mas não só isso. Era também forte. Quando alguém Lhe bate, não responde com outra bofetada, mas levanta a palavra para protestar contra a pancada injusta.
Manso é aquele que mostra com suavidade a sua fortaleza interior.
Aos mansos promete-se o mesmo que aos pobres: uns e outros terão como herança construir uma humanidade nova e entrar na vida eterna. Também se lhes dará “o resto por acréscimo”. Os mansos ir-se-ão impondo com a doce força dos seus espíritos. Serão mais fortes e eficazes que os violentos. Construirão, enquanto estes destroem. Mas esta sua vitória na terra dos homens será só o anúncio da sua grande vitória na terra das almas.
Jesus é compreensivo e mostra-se paciente para com todos. Tem em conta as capacidades de cada um e convida-o a avançar. Nunca esmaga o outro, nunca o trata de nulidade, de incapaz ou de idiota. Para Jesus felizes são os que não se irritam contra os outros; felizes são os que não procuram vingar-se dos seus inimigos; felizes são os que não procuram dominar os outros; felizes os que não julgam de maneira temerária, abusiva. Felizes são ainda os que não se apegam às suas próprias ideias, mas procuram simplesmente a verdade. Felizes são os que vêm em cada homem um irmão em Deus.

Senhor, tudo o que acabo de dizer não é fácil vivê-lo. Só a tua graça me permitirá realizá-lo. Só o conseguirei vivendo em profunda união de coração com Jesus, oferecendo-lhe o meu coração, a minha vida e pedindo-lhe, muito humildemente, que venha estabelecer a Sua morada em mim a fim de que seja Ele a viver em mim. Como diz S. Paulo é Deus que nos santifica e nos permite viver do seu amor:

“Como eleitos de Deus, santos e amados, revesti-vos, pois, de sentimentos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência, suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos mutuamente, se alguém tiver razão de queixa contra outro. Tal como o Senhor vos perdoou, fazei-o vós também. E, acima de tudo isto, revesti-vos do amor, que é o laço da perfeição.” (Col 3, 12-14)


Video - Bem Aventuranças


quinta-feira, novembro 06, 2014

Jesus Chama por ti Agora!



Jesus caminha junto à praia do mar da Galileia. Dois pescadores estão a consertar as redes. São dois irmãos: Pedro e André. Jesus observa-os a fazerem o seu trabalho. A um certo momento, diz com voz forte: - Pedro e André, vinde comigo e farei de vós pescadores de homens. Os dois irmãos deixam as redes imediatamente e seguem-no. Um pouco mais adiante, vê outros dois irmãos, também pescadores: Tiago e João. Estão acompanhados do pai Zebedeu. Jesus faz-lhes o mesmo convite - vinde comigo. Necessito de vós. Um sorriso brota nos seus lábios e, deixando o pai, seguem Jesus. Quatro homens, sorridentes e com um brilho nos olhos, caminham atrás de Jesus, enquanto o sol se espelha nas águas do mar da Galileia. (Mateus 4, 18-22)

A Mensagem escondida…

Jesus passa hoje junto aos lugares onde decorre a vida, e vai chamando pelo nome, pessoas de todas as idades, convidando-as para uma aventura maravilhosa:
ser Seu discípulo, seguidor, apóstolo, companheiro, amigo.
Quem largar as redes em que se deixa enredar na vida e o seguir livremente e com muita disponibilidade, esse continuará hoje o projecto de Jesus de Nazaré e será construtor de um mundo justo, fraterno, feliz.


segunda-feira, outubro 13, 2014

Dedicado a Nossa Senhora de Fátima



Maria A Nossa Mãe

Falar de Nossa Senhora de Fátima é também falar de Maria, mãe de Jesus e nossa também, é sempre falar de uma figura que nos remete ao verdadeiro Amor que é Cristo Jesus.É reflectindo no seu maternal exemplo que a Igreja desde os primeiros séculos Cristão cresce e amadurece na fé pois é na sua presença que aprendemos a ouvir e obedecer o seu chamado a todos os servos de todos os tempos: “Fazei tudo aquilo que Ele vos disser”.Santo Inácio de Antioquia, já nos confirma que a tradição de venerar a Mãe de Deus provém dos próprios sucessores dos apóstolos já no século I, como podemos ver a seguir: "Filho de Deus pelo desejo e poder de Deus, nasceu verdadeiramente de uma Virgem" (S. Inácio de Antioquia, "Carta aos Magnésios", 110 dC). O próprio Lutero que se separou da Igreja Católica por própria infelicidade não tinha receio de exclamar: "Maria é a maior e a mais nobre jóia da Cristandade logo após Cristo... Ela é nobre, sábia e santamente personificada. Jamais conseguiremos honrá-la suficientemente" (Martinho Lutero, "Sermão do Natal de 1531").Jo 2, 2-5 “Jesus foi convidado para o casamento e os seus discípulos também. Ora, não havia mais vinho, pois o vinho do casamento tinha-se acabado. Então a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não tem mais vinho”. Respondeu-lhe Jesus: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou”. Sua mãe disse aos serventes: “Fazei tudo o que ele vos disser”.Diante deste impressionante relato podemos reparar 4 características da Mãe Maria:

1) Maria é Mãe Amorosa: Em meio a festa e aos seus agitos próprios, Maria tem a percepção aguçada de que algo está errado: o vinho está a acabar. Talvez hoje isso não signifique muito, contudo, para aquela época isto poderia ser um grave sinal de desrespeito. Prontamente ela se coloca ao serviço do Amor pois deseja que todos os detalhes sejam felizes, e para tanto, conta com a ajuda de seu Amadíssimo Filho, que a todos pode ajudar. Também hoje ela intercede no céu junto ao seu filho Jesus por nossas necessidades, mesmo que aparentemente possam parecer insignificantes. Se pedimos orações aos nossos amigos e familiares que ainda estão na Terra e que ainda não estão salvos, não tenhamos medo de pedir por aquela que é perfeita, que goza do título de Mãe de Deus, e que está junto a Ele no céu. Por isso a Igreja a gosta de chamar, Nossa Senhora Medianeira, pois é através de sua intervenção que Cristo sempre irá se manifestar.

2) Maria é Mãe da Simplicidade: É na simplicidade das coisas quotidianas que Deus sempre se manifesta, e é claro que a Mãe de Deus que sempre o educou na terra necessariamente precisava ser simples. Maria é aquela que ora na riqueza da simplicidade do seu coração. “Não tem mais vinho”, essa foi a oração da Mãe, simples como a brisa, impectuoso como o vento. Diante deste facto, a Mãe sabe que qualquer que seja a resposta do seu filho diante deste acontecimento, esta será a melhor coisa para todos. Maria apresenta a necessidade do seu coração ao filho; mais simples impossível, mais sincero ídem, e é diante deste abandono que Jesus atende a Mãe e a sempre atenderá. Ela também nos ensina como orar, nos ensina que oração não é a somatória de palavras, mas sim a multiplicação da fé. Maria é como o homem de grande fé, aquele que vai a Igreja pedir a Deus por chuva e já leva o guarda-chuva.

3) Mãe da Confiança: “Fazei tudo aquilo que Ele vos disser”. Maria mostra nesta pequena e simples frase a convicção dos atos do seu Filho. Ela não sabe o que Ele irá fazer, qual será o seu método, qual será o seu tempo, sabe apenas uma única coisa: que Cristo não irá desapontar. Também nós em nossa vida quotidiana devemos aprender da Mãe Maria que em nossas necessidades e dificuldades não devemos fazer outra coisa a não ser confiar, abandonar, esperar sem desespero. Claro! É Cristo que vai a frente, não pode se esperar outra coisa a não ser o bem pleno e total. E a nós, servos, ela também pede sem cessar, que façamos das nossas vidas tudo aquilo que Ele nos disser, todos os dias e cada momento mesmo sem saber o que irá acontecer.
4) Maria, mãe Intercessora: Sabemos bem que aonde há o Amor, aí não há interesse próprio. Do Amor nada se consegue com interesses egoístas e falsas necessidades, todavia, muitas vezes é assim que tratamos com Deus, com negociatas e barganhas. Maria não é assim, em seu coração piedoso não há espaço para nada além do amor ao próximo e do bem perfeito. Maria é abnegação, é renúncia própria, é serviço por todos, é austeridade pela humanidade. Mesmo sabendo que sua hora ainda não havia chegado, Jesus atende o seu pedido pois diante do amor e da confiança, Deus nada pode fazer. Apresentemos sempre nossas necessidades à mãe que confiantemente as coloca diante do seu filho. Para Deus só existe uma única arma: o Amor perfeito.
Mãe amorosa, simples, confiante, intercessora. Diante de uma mulher com tais virtudes não podemos ficar indiferentes. Assim como o por-do-sol modifica a paisagem, e esta nos modifica, assim também o Pai do Céu que é a fonte de toda a luz modificou toda a raça humana começando por Maria. Diante desta paisagem materna só podemos contemplar ainda mais a grandeza do criador, porque a obra remete ao mestre. Àquela que teve a honra de ser a Mãe de Deus, honra e veneração para sempre como fez o Anjo, por aqueles que o não o fazem, Amém.

Vídeo - Maria - A Primeira que Comungou


Arménio Rodrigues

quarta-feira, outubro 01, 2014

Batismo: A Porta da Vida Cristã


É pelo Espírito Santo que Deus atua nos sacramentos. Nós apenas costumamos fixar-nos na parte visível mas essa não é a principal...

Como adultos, procuramos reviver o grande acontecimento do nosso Batismo? Tomamos consciência que, a um dado momento assumimos livre e responsavelmente a realidade do nosso Batismo que os nossos pais e padrinhos prometeram em nosso nome? Sentimo-nos comprometidos com as promessas feitas? Sentimo-nos Batizados e habitados pelo Espírito?
Nasceu uma criança, os cristãos recordam-se logo que é preciso batizar o bebé. É que o batismo é a porta da Vida Cristã: nele somos purificados do pecado original e, sobretudo, somos cristificados; passámos a ter a forma de Cristo: tornamo-nos cristãos, filhos de Deus, membros da Igreja.
Mas celebrar o batismo por causa de uma suposta necessidade ou obrigação não é a melhor motivação. É importante que ele seja acompanhado duma vontade séria de que a criança entre na vida de Deus e a vida de Deus entre nela. Batizar por costume (assim o fizeram muitos pais) por conveniência (assim arranjamos uns bons padrinhos) ou por pressão social (parece mal não batizar: que dirão os outros?) nunca pode ser uma razão válida e até é uma grave ofensa a este Banho Santo.
O que nos motiva é permitir que o batizando partilhe a riqueza da fé e da graça (= vida com Deus). Pelo Batismo entramos na família universal dos cristãos: por isso é que em muitas Igrejas a pia batismal está junto à porta principal, para significar que por este sacramento entramos na Igreja pela Porta Grande!

Mergulhar em Deus

Os ritos do Batismo são bonitos, cheios de cor e de vida.
No diálogo com os pais e padrinhos, após ter perguntado o nome e o que pedem à Igreja (porque será que alguns respondem «o Batismo» tão timidamente?). O celebrante pergunta-lhes se estão conscientes do compromisso da educação na fé. Depois estes cinco cristãos marcam a criança com o sinal da fé: fazem-lhe uma cruz na fronte...
Após a Proclamação da Palavra de Deus, pedimos a Deus a Graça para aquela criança e invocamos os Santos: É que o Batismo não pertence a ninguém mas só à Igreja. Ninguém pode exigir só por si o Batismo assim como ninguém o pode negar só por si!
Numa oração chamada exorcismo (que não é para expulsar nenhum demónio!), o celebrante pede a Deus que apague a mancha original e, depois, unge-a com o óleo dos catecúmenos: a partir daí, é um caminhante para Cristo. Depois da bênção da água, os pais e padrinhos, em nome da criança e como cristãos adultos, renunciam ao Mal e professam a fé: cada um responde «creio», individualmente, jogando aí a sua palavra e a sua fé. Após este testemunho público, com uma pergunta derradeira pela vontade do Batismo, o celebrante infunde a água benta por três vezes na cabeça da criança: em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.
Para terminar, unge-a com o Crisma, o óleo santo que consagra, coloca-lhe a veste branca,entrega a Vela que simboliza a Luz de Cristo aos que a apresentam e reza uma bonita oração (Efatá) para pedir que prontamente possa ouvir a Palavra e proclamar a Fé. Tudo termina com o Pai Nosso e a bênção solene.
A água do Batismo é derramada sobre a cabeça apenas por motivos práticos. Seria muito desagradável imergir uma criança completamente na água, por três vezes. Contudo a palavra batismo significa mesmo mergulho. Se tal não acontece fisicamente, acontece espiritualmente e a criança é toda ela mergulhada em Deus e sai a pingar Espírito Santo.

Crianças ou Adultos em Cristo

Alguns criticam o batismo de crianças. Dizem que não porque a criança não sabe, não percebe, não quer e consideram que até é uma violência contra a sua vontade. Porém, aquilo que nos anima (=Nos dá vida) é fazer partilhar a filiação divina àquela criança. Todos somos criaturas de Deus mas somos filhos pelo Batismo! è uma grande diferença. Além disso o argumento da adultez está viciado:
- Nunca nenhum pai esperou pela adultez do filho para lhe deixar escolher o pediatra...estando convencido do bem que lhe faz, não espera que ele possa responder...
- Na vida da fé, a adultez humana (fisica ou mental) não sinónimo de adultez espiritual: uma criança pode até receber melhor o baptismo que um adulto porque, com os anos, criamos obstáculos conscientes e inconscientes para Deus.
- Além disso, cristãmente, nunca seremos "adultos", O Espírito Santo não age apenas quando nós sabemos, percebemos, queremos...
São Paulo diz que Cristo age nos cristãos, como quer, para o nosso aperfeiçoamento, «até atingirmos o estado de homem perfeito, a estatura da maturidade de Cristo» (Ef 4, 11-13).
Ser batizado é começar uma aventura maravilhosa, uma experiência única que nunca mais terá fim, é um dom, uma graça, mas também uma responsabilidade enorme, é poder viver a vida de Deus


Vídeo - Batismo: A Porta da Vida Cristã

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Abraço Fraterno!
Arménio Rodrigues

quinta-feira, setembro 25, 2014

Vocação: Caminho e Descoberta.




Cada um de nós é único e irrepetível, tal como cada uma das peças de um puzzle. Para Deus, cada um de nós é insubstituível. Cada um é um dom maravilhoso do amor de Deus, que nos “criou do nada” e nos chamou à vida para nos conduzir à felicidade. Cada um de nós é uma obra-prima das mãos de Deus que nos ama com um amor imenso, fiel e eterno. Comparados com a vastidão do Universo, cada um de nós é como um grão de pó, mas mesmo assim cada um de nós é valiosíssimo aos olhos de Deus, porque não somos “fruto do acaso”, mas somos fruto de um pensamento e de um ato de amor de Deus. Deus pensou em cada um de nós ainda antes de existirmos. E mais, “nós somos amados por Deus ainda ‘antes’ de existirmos!”

Tal como um puzzle não tem sentido se as peças estiverem separadas cada uma para seu lado, assim também a nossa vida só tem sentido se nos “entrosarmos” uns com os outros, isto é, se vivermos em amizade e comunhão fraterna. Ninguém é feliz sozinho. Só podemos ser felizes, vivendo com os outros e para os outros. Além disso, só podemos ser felizes se estivermos no sítio certo e se fizermos as escolhas certas. E assim como o puzzle só tem sentido se as peças estiverem no lugar certo, também a nossa vida só tem sentido se estivermos no lugar para o qual Deus nos chamou. Deus tem uma missão especial para cada um de nós. A essa missão chamamos vocação. Cada um precisa de descobrir qual é a sua vocação pessoal para que a sua vida seja inundada de alegria: Vocação acertada, felicidade assegurada! Mas para fazer a escolha certa é preciso abrir a mente e o coração a Deus que nos chama. Deus fala principalmente através de 3 meios: a Palavra, a oração e a Eucaristia:
“A Palavra, a oração e a Eucaristia são o precioso tesouro para compreender a beleza de uma vida totalmente gasta pelo Reino."

Oração
“Senhor Jesus,
torna-me atento e vigilante
no discernimento da vontade do Pai,
para que eu possa em tudo realizar a vocação
com que Ele, desde sempre, me quis e amou.
Na hora da dúvida e da provação
dá-me a certeza de não estar só
mas de saber e querer-Te próximo,
para viver contigo a minha oferta,
seguindo-Te humilde e confiadamente
no serviço da Tua Igreja e do mundo.



segunda-feira, julho 07, 2014

A Oração





"A oração não é outra coisa senão criar amizade, estando muitas vezes a sós com quem sabemos que nos ama". (Santa Teresa de Jesus)

Sim, não é outra coisa. Rezar é falar com Deus, com JESUS, mas Ele mesmo nos ensinou que não se trata de falar por falar. Isso seriam palavras que o vento leva. Trata-se de falar com JESUS para nos tornarmos seus amigos, amigos íntimos, amigos que se conhecem a fundo e se amam com loucura. Assim é a oração! A história duma amizade maravilhosa, porque JESUS é o grande amigo, o melhor amigo que poderíamos encontrar.
Contudo, nesta amizade há condições especiais que veremos a seguir:

1. não vemos, não ouvimos, não tocamos Jesus com os sentidos do corpo. Temos que desenvolver outros sentidos "interiores" para O escutar, para entrar em contacto com Ele de uma forma tão real como é a amizade com o teu melhor amigo.
Por isso a primeira condição que Jesus nos pede é a solidão: "estar...a sós..." Não tenhas medo de ficar a sós com Jesus! Descobrirás tantas coisas...! Porque Jesus pode fazer o que nenhum outro amigo da terra sabe fazer: Ele une-se a nós, une-se a ti, de tal maneira que conhece e entende a tua intimidade mais profunda, aquilo que às vezes desejarias comunicar a um amigo e não podes. Jesus sabe isso porque ELE VIVE no teu interior. Por isso é importante o silêncio e a solidão. Procura Jesus em ti... está tão perto!
Verás que grande amizade podes fazer com Ele! Jesus irá dizendo coisas ao teu coração, falar-te-á, encher-te-á de uma alegria inexplicável... porque Ele é o melhor amigo. não te esqueças disso!

2. A segunda condição é a fidelidade. jesus pede-nos que não nos cansemos de O procurar. Ele sabe às vezes é-nos dificil, mas pede-nos persistência. Persistência no teu tempo de oração de cada dia. Se não esquecemos os nossos melhores amigos, como esquecer Jesus? Faz com Ele o mesmo que farias com um amigo. Fala-lhe com frequência: Ele está contigo vinte e quatro horas por dia, pois está dentro de ti, que mais queres?
E não penses que Ele fica indiferente aos teus esforços para ser fiel. quase sem te dares conta, como Jesus sabe qoe O amas. Ele sente-se bem ao teu lado e por dentro vai-te fazendo como Ele, vai-te convertendo nele. Como os amigos que gostam de ter coisas parecidas. Teresa de Jesus diz-nos assim:
Se vos acostumais a trazê-lo ao vosso lado, e Ele vê que o fazeis com amor, e que procurais agradar-lhe, não o podereis esquecer; não vos faltará nunca, ajudar-vos-á com todos os vossos trabalhos, tê-Lo-eis em todo o lado

3. A terceira condição desta amizade é o amor. Jesus, como qualquer outro amigo, pede-nos que O tenhamos no coração. Ele não quer que pensemos coisa bonitas sobre Ele. Jesus quer que O amemos. Portanto, cuidado com a tua oração, com a tua relação com Jesus. Não se trata de pensar muitas coisas sobre Jesus (então só O terias na cabeça); trata-se de amá-Lo, olhá-Lo, procurando ver o que Ele fazia, para O conhecer e amar melhor e quere o que Ele quer. se fizeres isto, então terá Jesus no teu coração.
também quer, uma vez que está sempre contigo, que fales com Ele frequentemente: conta-Lhe as tuas preocupações, diz-Lhe que estás triste, salta de alegria com Ele quando tiveres uma boa notícia... Jesus quer viver contigo o que tu vives, porque Ele preocupa-Se contigo.
Esta é a grande amizade: tu preocupas-te com as coisas de Jesus, em conheçê-Lo e amá-Lo. Ele preocupa-Se com as tuas coisas, querendo estar muito perto de ti. e assim vos amareis cada vez mais. Vivendo assim esta grande amizade, somos felizes. porque jesus nunca falha nem atraiçoa. e se nós também não O atraiçoamos, quem nos poderá separar? Ninguém, ninguém!
A Sua amizade é a mais segura de todas.
"Com um tão bom amigo presente, que foi o primeiro a padecer, tudo se pode sofrer. é uma ajuda e dá força; nunca falha; é um amigo verdadeiro..." (Santa Teresa)


Vídeo: The Prayer




Abraço fraterno!!
Arménio Rodrigues

domingo, julho 06, 2014

Bom Dia!


Quando te levantaste, pela manhã, Eu já tinha preparado o sol para aquecer o teu dia, e o alimento, para a tua nutrição.
Sim, Eu preparei tudo isso enquanto vigiava o teu sono, a tua família, a tua casa. Esperei pelo teu “BOM DIA!”, mas esqueceste-te!...
Bem… parecias ter tanta pressa! Eu perdoei!...
O sol apareceu, as flores deram o seu perfume; a brisa da manhã acompanhou-te e tu pensaste que fui Eu que preparei tudo para ti. Os teus familiares sorriam, os teus colegas cumprimentaram-te, trabalhaste, estudaste, viajaste, realizaste negócios, alcançaste vitórias, mas… não percebeste que Eu estava cooperando contigo e, mais teria feito, se Me tivesses pedido. Eu sei, corres tanto… Eu perdoei!...
Leste bastante, ouviste e viste muita coisa, mas não tiveste tempo de ler e ouvir a Minha Palavra. Quis falar contigo, mas não paraste para ouvir. Quis aconselhar-te, mas nem pensaste nessa possibilidade… Se Me ouvisses, tudo seria melhor na tua vida. Mais uma vez te esqueceste de Mim… Esqueceste-te que Eu desejo a tua participação no Meu Reino, com a tua vida, o teu tempo, os teus talentos!
Findou o teu dia! Voltaste para casa!
Mandei a lua e as estrelas tornarem a noite mais bonita, para te lembrar o amor que tenho por ti!
Certamente, agora, vais-me dizer “Obrigado” e “Boa Noite”!
Psiu… estás a ouvir? Que pena… já adormeceste! Boa Noite! Dorme bem! Eu fico a velar por ti!
E quando, enfim, quiseres saber quem sou, pergunta ao riacho que murmura e ao pássaro que canta, à flor que desabrocha e à estrela que cintila, ao moço que espera e ao velho que recorda… Chamo-me Amor, o remédio para todos os males que te atormentam o espírito:

EU SOU JESUS!!!

segunda-feira, junho 23, 2014

Encerramento da catequese 2014

Chegou ao fim mais um ano de catequese.
No início partimos como uma caravana à procura do grande tesouro que estava para lá do deserto.
Partimos à descoberta de Jesus, à descoberta de nós mesmos…

Aonde chegamos?

Foi o momento de agradecer ao Senhor pelo dom da vida, pela sua presença, pela transformação que produziu em nós e naqueles com quem partilhámos a vida, pelas descobertas feitas, pelo crescimento feito na fé e no amor, tudo o que vivemos juntos, no nosso grupo e com todos.
É Jesus, quem dá sentido à nossa vida, às coisas boas e menos boas que fazemos.
A Ele queremos agradecer por todos e por cada um de nós que entregou momentos de vida e anúncio aos outros.

sábado, março 01, 2014

Quaresma - Partir para uma Vida Nova




Se não estamos atentos, os mais belos e preciosos objetos podem estragar-se ou encher-se de pó. E o mesmo acontece com as pessoas, com os seus projetos, com as suas relações. E com a fé também. O sorriso, a confiança em Deus, o empenho pelo perdão, a oração, o serviço, podem estragar-se. Então, o coração já não é capaz de amar, vemos os outros e a realidade de maneira distorcida, deixamos de lado a oração, encostamos o projeto de vida a um canto, cresce o egoísmo e o medo dos outros.

Para contrariar essa tendência a comunidade cristã celebra a Quaresma. 40 dias para nos renovarmos, para limpar o pó que se acumula. É um tempo para reencontrarmos a verdade do nosso batismo, a verdade de nós mesmos. É um tempo para renascer, para dar novo vigor aos nossos projetos. Para escutar Jesus Cristo e a Sua Palavra. Para receber os sinais do seu amor na Eucaristia e no sacramento do perdão. Para modificarmos as tradições que nos impedem a fidelidade criativa ao Evangelho. Para nos deixarmos converter ao Deus centro do nosso existir. Sem cedermos à tentação, ao abandono, ao já gasto. Para vivermos numa óptica que exige ajustes constantes do ser ao Ser. Da vida à vida nova. Ao equilíbrio. À perseverança. À fé. Sem nos deixarmos tentar pela tentação de tentarmos a Deus. Jesus ensina-nos o como. Nós só temos que colocar o sentido e sermos coerentes com a resposta. No espírito da entrega, da renovação, da vida em Deus. Colocando o Senhor no centro.


Todos sabemos a importância que o deserto e o número “quarenta” têm no contexto do mundo de Israel. No deserto o povo foi também ele tentado ao abandono, a voltar atrás na sua opção fundamental de caminhar para o encontro com Deus. Quarenta anos de necessidades vencidas até chegar à terra da promessa. No mesmo deserto, durante quarenta dias, Jesus sofre a tentação. Para fazer ver o sentido da sua missão e a consciência da sua fidelidade ao mais importante. Um exemplo para nós.

Para isso existe a Quaresma: para que possamos olhar a vida e olhar-nos na nossa vida; para que saibamos prestar atenção aos caminhos onde Jesus triunfa e optar pelos projetos onde Cristo é vitória, para caminharmos os caminhos de Deus. Este é o tempo de apagarmos os ruídos que ensurdecem, para escutarmos a voz de Deus. Para nos deixarmos seduzir por Deus nos desertos do nosso ser e voltar às fontes originais da vida que significam fidelidade e entrega permanente.

Este é o tempo de irmos para o deserto...
O deserto é o lugar da liberdade e da tentação. Da fidelidade a Deus e da dúvida. Do amor e dos egoísmos. Do caminho e da queda. Jesus foi até lá para clarificar a sua identidade, para Se confrontar com os diferentes projetos de vida. E saiu de lá fortalecido. vencedor sobre todas as tentações fáceis que Lhe propunham ser menos. Quaresma é o tempo de ir para o deserto. Não vamos sozinhos. Lá está Jesus, do nosso lado. A fortalecer a nossa decisão. Por isso existe a Quaresma:
     Que farás de novo na tua Quaresma de 2015?...
  

sábado, fevereiro 15, 2014

Mandamento Novo



“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros.
 Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.”

Como é evidente, Jesus dava as últimas recomendações, conselhos e orientações aos seus discípulos. E sintetizou tudo num único mandamento que Ele apelidou de “mandamento novo”: o mandamento do amor. Quem ousaria pedir tal coisa se Ele não nos “tivesse amado apaixonadamente primeiro”?

Sabemos que já no Antigo Testamento Deus educara os judeus na linha do amor: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” e “o estrangeiro que reside convosco…amá-lo-ás como a ti mesmo…” podemos ler no Lv 19, 18.34. Onde está então a novidade do mandamento de Jesus? Precisamente no “amai-vos como Eu vos amei”. Da pedagogia usada durante três anos contra o egoísmo e interesses pessoais dos discípulos, passando pelo lava-pés até à crucifixão, tudo foi amor na vida de Jesus. Se não o que é que faz um Deus pendurado numa cruz? Não é essa cruz a amorosa e infinita gratuidade de um Deus? Dar a vida por outro. Sem nada pedir. Por puro e gratuito amor. Pensando apenas na felicidade do outro. É esse o Deus que nos pede que “nos amemos como Ele nos amou”. Será que no-lo pode propor?

«Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros».

Jesus esclarece qual será a identidade dos seus seguidores: serão conhecidos pelo amor mútuo! Sem fardas, sem emblemas, sem crachás, apenas pela maneira de viver, de se comportar. As ideologias e os ritos tão próprios do judaísmo e paganismo cediam o lugar a um tipo de vida em que o amor mútuo fosse o fundamento de tudo e a identificação da pessoa.

A exigência de Jesus aos seus discípulos continua a ser-nos proposta hoje a nós. Os cristãos somos homens como os outros, vivemos nos mesmos locais, temos as mesmas profissões, os mesmos divertimentos. Cidadãos em tudo iguais aos outros. Porém…possuímos uma “marca d’agua” especial que distingue o nosso modo de viver: é amor! Não um amor light, deturpado, egoísta, mas um amor que tem a sua fonte em Deus. Deus é amor e só pode amar. O distintivo dos cristãos é esse amor que nasce de Deus, um amor mútuo, gratuito, onde mergulha todo o nosso agir e viver, transformando-o também em amor. Um amor que se dá, que se entrega, que consegue dar um sentido divino à nossa vida. Exageros? Arroubos? Se é Jesus que no-lo diz, que no-lo manda, que nos deu por primeiro o exemplo, como podemos ainda duvidar? Não será antes um tentar justificar a nossa real falta de amor?


O amor é dado de mãos cheias para que cada um de nós encontre em Jesus a plenitude da vida.
«O amor de Deus não conhece limites e confins de qualquer espécie, mas supera o tempo e espaço. Ultrapassa qualquer barreira de raça, de cultura, de nação e de fé. O agapé é eterna: tudo passa, mesmo a esperança e a fé, mas o amor permanece sempre. Nem mesmo a morte o pode apagar, pois este é mais forte que ela.»

O convite é sempre antigo e sempre novo: viver a partir do Amor. A capacidade de olhar o outro/ o irmão nos olhos e dizer-lhe «Quero-te bem» mesmo quando não estamos de acordo sobre pensamentos e modos de fazer, é sinal de quanto nos sentimos amados.
Amar, é capacidade de sairmos dos nossos esquemas e dos nossos pontos de vista… amar é procurar e desejar o bem do outro. É uma experiência que nos leva a transformar os inimigos em amigos, a ser e a viver em comunhão com toda a criatura. «Quem não ama permanece na morte» (1Jo 3, 14) e não «na casa» que é Cristo. A nossa fé manifesta-se no amor por Deus e pelos irmãos. Se o amor não gera alegria não vem de Deus, fecha-se em si mesmo e não cria reciprocidade e fraternidade. Se como cristãos deixamos morrer o fogo do amor que Deus acendeu em nossos corações, o mundo morrerá de frio! Então será bom questionarmo-nos: O que entendi do mandamento do amor? Como o vivo? Já descobri qual a minha missão na Igreja?



Vídeo - Mandamento Novo




sábado, janeiro 11, 2014

O Batismo: a Porta da Vida Cristã



É pelo Espírito Santo que Deus actua nos sacramentos. Nós apenas costumamos fixar-nos na parte visivel, mas essa não é a principal...
Como adultos, procuramos reviver o grande acontecimento do nosso Batismo? Tomamos consciência que, a um dado momento assumimos livre e responsavelmente a realidade do nosso Batismo que os nossos pais e padrinhos prometeram em nosso nome? Sentimo-nos comprometidos com as promessas feitas? Sentimo-nos Batizados e habitados pelo Espírito?

Nasceu uma criança, os cristãos recordam-se logo que é preciso batizar o bebé. É que o batismo é a porta da Vida Cristã: nele somos purificados do pecado original e, sobretudo, somos cristificados; passámos a ter a forma de Cristo: tornamo-nos cristãos, filhos de Deus, membros da Igreja.
Mas celebrar o baptismo por causa de uma suposta necessidade ou obrigação não é a melhor motivação. É importante que ele seja acompanhado duma vontade séria de que a criança entre na vida de Deus e a vida de Deus entre nela. Batizar por costume (assim o fizeram muitos pais) por conveniência (assim arranjamos uns bons padrinhos) ou por pressão social (parece mal não batizar: que dirão os outros?) nunca pode ser uma razão válida e até é uma grave ofensa a este Banho Santo.
O que nos motiva é permitir que o batizando partilhe a riqueza da fé e da graça (= vida com Deus). Pelo Batismo entramos na família universal dos cristãos: por isso é que em muitas Igrejas a pia batismal está junto à porta principal, para significar que por este sacramento entramos na Igreja pela Porta Grande!

Mergulhar em Deus
Os ritos do Baptismo são bonitos, cheios de cor e de vida.
No diálogo com os pais e padrinhos, após ter perguntado o nome e o que pedem à Igreja (porque será que alguns respondem «o Batismo» tão timidamente?). O celebrante pergunta-lhes se estão conscientes do compromisso da educação na fé. Depois estes cinco cristãos marcam a criança com o sinal da fé: fazem-lhe uma cruz na fronte...


Após a Proclamação da Palavra de Deus, pedimos a Deus a Graça para aquela criança e invocamos os Santos: É que o Batismo não pertence a ninguém mas só à Igreja. Ninguém pode exigir só por si o Batismo assim como ninguém o pode negar só por si!


Numa oração chamada exorcismo (que não é para expulsar nenhum demónio!), o celebrante pede a Deus que apague a mancha original e, depois, unge-a com o óleo dos catecúmenos: a partir daí, é um caminhante para Cristo. Depois da bênção da água, os pais e padrinhos, em nome da criança e como cristãos adultos, renunciam ao Mal e professam a fé: cada um responde «creio», individualmente, jogando aí a sua palavra e a sua fé. Após este testemunho público, com uma pergunta derradeira pela vontade do Batismo, o celebrante infunde a água benta por três vezes na cabeça da criança: em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo.


Para terminar, unge-a com o Crisma, o óleo santo que consagra, coloca-lhe a veste branca,entrega a Vela que simboliza a Luz de Cristo aos que a apresentam e reza uma bonita oração (Efatá) para pedir que prontamente possa ouvir a Palavra e proclamar a Fé. Tudo termina com o Pai Nosso e a bênção solene.
A água do Batismo é derramada sobre a cabeça apenas por motivos práticos. Seria muito desagradável imergir uma criança completamente na água, por três vezes. Contudo a palavra batismo significa mesmo mergulho. Se tal não acontece fisicamente, acontece espiritualmente e a criança é toda ela mergulhada em Deus e sai a pingar Espírito Santo.

Crianças ou Adultos em Cristo
Alguns criticam o batismo de crianças. Dizem que não porque a criança não sabe, não percebe, não quer e consideram que até é uma violência contra a sua vontade. Porém, aquilo que nos anima (=Nos dá vida) é fazer partilhar a filiação divina àquela criança. Todos somos criaturas de Deus mas somos filhos pelo Batismo! è uma grande diferença. Além disso o argumento da adultez está viciado:
- Nunca nenhum pai esperou pela adultez do filho para lhe deixar escolher o pediatra...estando convencido do bem que lhe faz, não espera que ele possa responder...


- Na vida da fé, a adultez humana (fisica ou mental) não sinónimo de adultez espiritual: uma criança pode até receber melhor o batismo que um adulto porque, com os anos, criamos obstáculos conscientes e inconscientes para Deus.


- Além disso, cristãmente, nunca seremos "adultos", O Espírito Santo não age apenas quando nós sabemos, percebemos, queremos...


São Paulo diz que Cristo age nos cristãos, como quer, para o nosso aperfeiçoamento, «até atingirmos o estado de homem perfeito, a estatura da maturidade de Cristo» (Ef 4, 11-13).
Ser batizado é começar uma aventura maravilhosa, uma experiência única que nunca mais terá fim, é um dom, uma graça, mas também uma responsabilidade enorme, é poder viver a vida de Deus



Vídeo O Batismo 



Um Abraço!

Arménio Rodrigues