domingo, abril 16, 2017

Cristo Vive, Ressuscitou!



Depois da prisão de Jesus, do seu caminho para o calvário, da sua morte na cruz, da sua sepultura… os discípulos ficaram desconcertados e desorientados. Tudo parecia perdido, até o corpo de Jesus. Mas naquele primeiro dia da semana, em que Maria Madalena foi ao sepulcro, deu-se início a um tempo novo, de Jesus ressuscitado presente na vida dos seus. O sepulcro vazio, as ligaduras e tantas incertezas. No entanto, onde todos encontram sinais de morte, o discípulo que mais se sente amado acreditou. Ele não necessita de provas, sabe que Jesus vive, porque continua a sentir-se amado com o mesmo amor… Não necessita tocar, porque se sente continuamente tocado pelo amor de Jesus. E então vive agradecido, vive provando o seu amor, vive transmitindo o mesmo amor aos irmãos.

O Domingo da Ressurreição, primeiro dia da semana é o começo de uma vida nova; uma nova criação; a libertação definitiva! Tempos novos! Sentido novo! Homem novo! Maria Madalena, discípula do Senhor, não se aquieta à sua ausência. Vai procurá-Lo, prestar-Lhe homenagem, movida pela força do amor! Porque procurou, apesar da noite escura da ausência e da frieza do sepulcro, constatou a novidade: o sepulcro aberto e vazio! Jesus não estava lá! Afinal, a morte não é a última realidade!

Cada Páscoa, esta Páscoa, pode ser "um primeiro dia" na nossa vida. O início de uma vida diferente, porque marcada pelo sentido novo da Ressurreição. Apesar do escuro da nossa pouca fé, apesar do escuro de uma cultura do evidente e palpável, somos convidados à experiência de vislumbrar sinais de ressurreição anunciadores de uma vida nova! Com e como Maria Madalena e todos os apaixonados pelo Senhor, deixemo-nos mover pela fé e pela sede de Deus! Procuremos o Senhor vivo em nós, nos nossos ambientes, na Igreja, no mundo! Ele está vivo entre nós!

É a Páscoa do Senhor! Ressuscitou! Vive! E porque vive, enche de entusiasmo o nosso existir. Anima-nos à esperança. Anima-nos ao testemunho. Anima-nos à fé. É a festa da vida. Do encontro. Da partilha. Em Jesus ressuscitado somos convidados para o encontro com o Evangelho da verdade. Somos comunidade. Somos de Cristo. De Cristo vivo.

A ressurreição ultrapassa todas as expectativas e raciocínios. Os próprios discípulos, os que privaram com Ele, ainda não tinham entendido a sua lógica, a sua palavra, e muito menos o acontecimento da sua morte e a certeza da ressurreição. O acontecimento da ressurreição é a palavra final que tudo muda. Após esta experiência os discípulos embarcam na lógica do amor e do dom da vida. Compreendem os sinais da ressurreição, descobrem que Jesus está vivo!

Também nós não entendemos a ressurreição do senhor. Procuramos evidências, factos explicáveis, lógicas compreensíveis. Mas esta ultrapassa-nos, porque só na fé podemos acolher plenamente a verdade da ressurreição. Com ela aprendemos que a vida plena, a transfiguração total da nossa realidade finita e das nossas capacidades limitadas para pelo amor que se dá até à morte. A vida entregue gratuitamente não é um fracasso, mas um caminho para a felicidade verdadeira e sem fim. 
Será que conduzimos a nossa vida nesta direcção?
Ou ainda não entendemos a lógica da ressurreição?

Oração
A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo!
Enviai, Senhor, a vossa luz e verdade;
sejam elas o meu guia e me conduzam à vida plena, à alegria sem fim!
Aleluia! Este é o dia que o Senhor fez, nele exultemos e nos alegremos!


 Feliz Páscoa!



sábado, abril 08, 2017

Semana Santa



E já chegámos à Semana Santa! O nosso itinerário quaresmal tem agora um momento de celebração e contemplação profundo, intenso, único. A memória de Jesus, na sua entrega, na sua paixão, no seu amor ressuscitado torna-nos capazes da mudança, da profecia, do anúncio, da vida nova, simplesmente... da fé. Passemos, também nós, corajosamente, da morte à vida, do pecado à graça, da vida à vida nova em Jesus Ressuscitado.

"Não se faça a minha vontade, mas a tua". Jesus transforma a sua vontade humana e identifica-a com a de Deus. É este o grande acontecimento do Monte das Oliveiras, o percurso que deveria realizar-se fundamentalmente em cada uma das nossas orações:  transformar, deixar que a graça transforme a nossa vontade egoísta e a abra para se conformar com a vontade divina. Nos momentos difíceis, sabemos pedir ajuda a Deus, com humildade e fé, para encontrar no seu amor de Pai a força para enfrentar os nossos maiores medos?

Jesus respondendo afirmativamente à pergunta: "Tu és então o Filho de Deus?", mostra-se plenamente consciente da própria dignidade divina. Desta forma Jesus "assinou" a própria condenação à morte: é um blasfemo que profana o Nome e a realidade de Javé, porque se declara explicitamente "filho". O seu sofrimento, a sua morte e ressurreição são o testemunho mais eloquente acerca do Pai e do seu desígnio de salvação sobre a humanidade.

Pilatos compreendeu desde o início que o tipo de acusação apresentada foi preparada com arte para não lhe deixar outra alternativa: reconhece a inocência de Jesus, mas por motivos de conveniência não quer colocar-se em oposição aos acusadores. Tendo entrado no tribunal como "condenado" Jesus sai agora como "inocente" e encaminha-se para a morte como o "justo (injustamente) perseguido".

Quando chegaram ao lugar chamado Calvário, crucificaram-n’O a Ele e aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. Jesus dizia: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem». (...) E Jesus exclamou com voz forte: «Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito». Dito isto, expirou.

Estas, segundo S. Lucas, são as últimas palavras de Jesus: palavras de perdão, de amor, de aliança; palavras com as quais resplandece mais uma vez o seu espírito filial. "Pai": as últimas palavras de Jesus recordam a sua primeira frase, pronunciada no templo de Jerusalém aos doze anos: "Não sabíeis que devia estar em casa de meu Pai?". (Lc 2, 49).

Jesus é todo aqui, na sua relação com o Pai. Entregando-se ao Pai, anuncia a sua misericórdia e reconduz a casa cada "filho pródigo", que encontra no "bom ladrão" a realização plena. O seu é um arrependimento que não nasce de motivos humanos, de simpatia por Jesus; o "bom ladrão" converte-se porque, com os olhos da fé, descobre quem é verdadeiramente aquele Jesus que está crucificado ao seu lado.

Oração
Reza e contempla o Mistério Pascal a partir deste belo hino cristológico transmitido por São Paulo: Cristo Jesus, que era de condição divina,
não Se valeu da sua igualdade com Deus,mas aniquilou-Se a Si próprio.
Assumindo a condição de servo,tornou-Se semelhante aos homens.
Aparecendo como homem, humilhou-Se ainda mais,obedecendo até à morte e morte de cruz. Por isso Deus O exaltoue Lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus todos se ajoelhem no céu, na terra e nos abismos, e toda a língua proclame que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai. (Filip 2, 6-11)

Vídeo - Semana Santa 

sexta-feira, abril 07, 2017

O Essencial é Amar



Vivemos incessantemente buscando o amor, porque sabemos que só ele dá sentido à vida. Crescemos e ouvimos histórias de amor, do mito “foram felizes para sempre”.
Ligamos a rádio e as canções falam de amor, vemos uma telenovela e a palavra amor é repetida vezes sem conta…
Vamos ao cinema e o enredo trata do tema do amor. Festeja-se o S. Valentim e as montras enchem-se de corações….Banalizamos o amor. Reduzimos geralmente o amor ao erótico…ao desejo…O amor é moeda de troca, objecto de comércio, fonte de lucros. Já mais adultos experimentamos o contrário. Olhamos a nossa volta e vemos o divórcio e a separação, o vazio e a solidão…..
É nestas ocasiões que precisamos de ir mais além…
É importante superar os nossos gostos com atitudes positivas, de abertura, de reconhecimento e entrega aos outros….É a isto que chamamos AMOR!
Amar é diferente de gostar…gostar é simpatizar com o outro…
Amar é aceitar o outro, ainda que isso seja difícil…só assim se percebe o mandamento de Jesus “amai os vossos inimigos…”. Amar é uma atitude positiva, de ajuda, de preocupação pelo bem do outro…
A simpatia, a delicadeza e a bondade fazem parte do amor.
O amor, contudo, há-de ir até ao ponto de fazermos aos outros o que queremos que nos façam e de não fazermos aos outros o que não queremos que nos façam. Esta é a regra de ouro do relacionamento com os outros
O amor vem de Deus e orienta-se para Deus, porque Deus é Amor!