sábado, setembro 10, 2016

A alegria de ser cristão


A alegria e o gozo de viver a Palavra de Deus são caracteristicas próprias de um cristão adulto.
Há diversos tipos de alegria, diversos graus. Mas só se pode falar em alegria no sentido pleno quando a pessoa sente que o melhor de si mesmo, das suas capacidades, dos seus desejos se realiza. Há alegria quando encontramos algo profundamente amado.
De acordo com este ensinamento de S. Tomás de Aquino, e vendo as potencialidades desta afirmação o Papa Paulo VI, na exortação apostólica Gaudete in Domino, afirma que o ser humano não só pode sentir e experimentar as alegrias humanas quando está em contacto e comunhão com a natureza e com a humanidade, mas também pode atingior o grau mais elevado de felicidade que é a alegria da comunhão com Deus. Aí, o ser humano conhece a alegria e a felicidade espiritual quando o seu espirito entra em comunhão com deus, conhecido e amado como que de melhor a vida nos traz. A alegria verdadeira não provém dos prazeres efémertos nem das certezas do mundo, mas sim da vida espíritual, pois é um fruto do Espírito.
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Alegria Cristã
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A alegria cristã não é apenas um estado psicológico. É por sua essência uma participação espíritual da alegria insondável - simultaneamente divina e humana - do Coração de Deus. Através da oração pode experimentar-se mais profundamente esta grande alegria: cada cristão sabe que vive de Deus, para Deus e em Deus. E ninguém é excluído deste chamamento universal à felicidade, na sua vida concreta. É a partir da vida no espírito, que os discípulos de Jesus Cristo são chamados a participar da alegria de Deus, alegria essa que se fundamenta na participação no amor que há na Trindade. Jesus quer, que cada um de nós sinta dentro de si a mesma alegria que Ele sente: "Eu revelei-lhes o Teu nome, para que o amor com que Tu Me amaste esteja neles e Eu também esteja neles" (Jo 17, 26)
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O caminho das Bem - Aventuranças
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Estar dentro do amor de Deus é uma possibilidade que se realiza nesta vida concreta, através da opção pelas coisas do Reino. Claro que pode obrigar a um caminho dificil, mas é o único que leva à verdadeira alegria: o caminho das Bem - aventuranças.
As "Bem - Aventuranças traçam a imagem de Cristo e descrevem sua caridade: exprimem a vocação dos fiéis associados à glória de Sua Paixão e Ressurreição: iluminam as acções e atitudes caracteristicas da vida cristã; são promessas paradoxais que sustentam a esperança nas rtibulações; anunciam as bênçãos e recompensas já obscuramente adquiridas pelos discípulos; são iniciadas na vida da Virgem Maria e de todos os santos. Convém ter presente que a alegria do Reino feita realidade, não pode brotar senão da celebração conjunta da morte e ressurreição do Senhor. É o paradoxo da condição cristã que tem em Jesus Cristo o seu esclarecimento. À luz do novo Adão, os sofrimentos e dificuldades não são iluminados, mas adquirem um novo sentido, porque há a certeza de participar na redenção realizada por Jesus Cristo e participar da Sua Glória. O cristão, por muitas dificuldades que enfrente, desde que esteja inserido na comunhão de amor Trinitário, sente sempre a alegria divina, pois participa do amor de Deus. Esta consciência leva-o a ser sal e luz do mundo, anunciando a Boa Nova com alegria. Deste modo não sucumbirá à falta de fervor, que se manifesta no cansaço, acomodação, desinteresse e desilusão. Antes se revigora continuamente com verdadeiro fervor espiritual.
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Video: O Mesmo Céu
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Abraço fraterno!
Arménio Rodrigues

sábado, fevereiro 13, 2016

Quaresma - PRATICA A MISERICÓRDIA


Quaresma - PRATICA A MISERICÓRDIA

A misericórdia não é apenas uma emoção, um frémito interno, frente ao sofrimento alheio: ela nasce como ressonância aguda do sofrimento do outro dentro de mim, mas depois torna-se ética, práxis e virtude, a maior virtude, como dirá São Tomás. E tem razão o Papa Francisco quando diz que «a misericórdia de Deus não é uma ideia abstrata, mas uma realidade concreta, com que Ele revela o Seu amor, como o de um pai e o de uma mãe que se comovem pelo próprio filho, até ao mais íntimo das suas vísceras” (MV, nº6). E por isso, falamos em «obras», que supõem ação, atitude, movimento de saída de si mesmo ao encontro do outro.

Desde a sua formulação básica e inspiradora, no texto fundamental, alusivo ao Juízo final, em Mt.25,31-46, até chegar, pelo século XII, à sua formulação, em dois setenários, como as duas faces da mesma moeda (a pessoa humana) onde está inscrita a imagem de Deus, as 14 obras de misericórdia apresentam-se ao cristão, não como algo acessório ou facultativo, mas como expressão essencial e concreta do amor a Jesus, nos mais pobres, com quem Ele se identifica: «foi a Mim, que o fizeste» (Mt.25,40). 

A tradição das obras de misericórdia encontra, hoje, portanto, uma renovada atualidade, precisamente no fazer-se memória do essencial, e de um essencial que corre o risco de se perder: ou seja, o facto de a caridade ser encontro de rostos, discernimento concreto das necessidades do corpo e da alma, história quotidiana, gesto e palavra, capacidade de relação, de escuta e de atenção.
Ela pede ao homem que tome a seu cargo quem é necessitado, que tome a sério o sofrimento do outro, e afirma que o homem é homem se acredita na humanidade do outro, mesmo que esta esteja ferida ou diminuída, e se ousa fazer ao outro aquilo que gostaria que lhe fizessem a si. É o que acontece com o samaritano da parábola, que faz tudo o que está ao seu alcance para aliviar concretamente os sofrimentos do homem deixado moribundo à beira do caminho (Lc.10,29-37).
Insistimos, portanto, neste imperativo «pratica a misericórdia», porque a misericórdia, segundo a linguagem bíblica deve ser feita. «Vai e faz o mesmo tu também» (Lc.10,37), diz Jesus ao doutor de lei a quem apresentou a parábola do samaritano. De Jesus, que realiza curas, diz-se «faz tudo bem feito» (Mc.7,27; At.10,38). No juízo final (Mt.25,31-46),donde se recolhem a maior parte das obras de misericórdia corporais, o que distingue os bem-aventurados dos malditos é precisamente o «fizestes» ou o «deixastes de fazer».

“Todo o discípulo, portanto, conhece a vontade de Deus, expressa por Jesus: «prefiro a misericórdia ao sacrifício» (Mt.12,7; e também sabe como deve querê-la e praticá-la: seguindo as pegadas de Jesus e aprendendo com Ele, manso e humilde de coração”
E, por isso, não basta, pura e simplesmente “praticar” a misericórdia, como mero exercício voluntarista, mas é preciso ir mais longe: trata-se de “ser misericordioso como o Pai” (Lc.6,36). A qualidade das relações humanas é fundamental quando se quer “fazer” uma obra de misericórdia. Não por acaso, no nosso Plano Diocesano insistimos na necessidade imperiosa de “tratar a todos misericordiosamente, a começar por aqueles que nos procuram” (PDP, 2015, p.31).
Nestes tempos difíceis, recordar a tradição das obras de misericórdia significa, em certo sentido, apreender a caridade como arte do encontro, como arte da relação, como arte de viver, mas significa sobretudo novo impulso de humanidade, para não permitir que o cinismo, a barbárie e a indiferença levem a melhor! Na verdade, “quantas situações de precaridade e sofrimento presentes no mundo atual (…) Não nos deixemos cair na indiferença que humilha, na habituação, que anestesia o espírito (…)

COM ALEGRIA
“A misericórdia não é, pois, uma realidade de sentido único. Envolve-nos a todos: como destinatários e atores” E, num caso, como noutro, ela é sempre fonte de alegria, ela é mesmo “a razão da alegria que o evangelho suscita em nós”.
Bem vistas as coisas, a misericórdia alegra e liberta quem a põe em prática, ainda antes de quem dela beneficia. Fazer o bem também é fazer bem a si próprio. Fazer o bem contribui para o bem-estar da pessoa. Este é um dos sentidos do refrão bíblico: «Faz isto e viverás» (cf. Lv 18,5; Dt 4,1; 5,29; 6,24; Lc 10,28; etc.). Em suma, na obediência ao mandamento divino, encontrarás vida e felicidade, encontrar-te-ás a ti próprio. «Amarás o teu próximo como a ti mesmo» (Lv 19,18; Mt 19,19), ou seja, amando o outro, amar-te-ás a ti próprio e descobrirás que o teu verdadeiro «ti mesmo» é aquele que ousas amar. Trata-se, portanto de “uma obrigação portadora de felicidade, uma vez que abre para
a bem-aventurança, já vivida no tempo”. São gestos simples e concretos, que enchem o coração de alegria e oferecem verdadeira consolação.
Acompanhem-nos, pois, nesta longa e bela caminhada,as palavras luminosas do Apóstolo Paulo, quando nos diz: «quem pratica a misericórdia, faça-o com alegria» (Rm.12,8). Jesus proclamou-o e nós podemos experimentá-lo: “Felizes os misericordiosos” (Mt.5,7).

Como concretizar então este objetivo de “valorizar a formação sobre as obras de misericórdia, traduzidas e concretizadas, para hoje, em resposta às exigências do nosso tempo e aos desafios das novas formas de pobreza” (PDP, 2015, p.31)? Sugerimos fazê-lo deste modo:

VALORIZAR E PRATICAR UMA OBRA DE MISERICÓRDIA,POR SEMANA.

AS OBRAS DE MISERICÓRDIA CORPORAIS

Mt.25; Tob.1,16-18; São Tomás de Aquino S.T.II-II, q.32,a.2,ad 1; GS 27; cf. CIC 2447-2448; EG 197; MV15

Pobreza física ou económica, individual ou estrutural: 

1. Dar de comer a quem tem fome– Mt.25,35: CV 27 [a relacionar com as questões da fome e da má nutrição ou desnutrição];

2. Dar de beber a quem tem sede– Mt.25,35: CV27; LS 30 [a relacionar com a tortura da sede e a falta de água potável];

3. Vestir os nusMt.25,36 [a relacionar com o cuidado dos sem-abrigo e das crianças da rua…];
4. Dar pousada aos peregrinos – Mt.25,35; Regra de S. Bento nº 53, 6 [a relacionar com as questões da Hospitalidade e acolhimento de estrangeiros e refugiados…];

Pobreza relacional e social:

5. Assistir aos enfermos– Mt.25,36 [a relacionar com as questões da visita e acompanhamento dos doentes, da humanização da saúde e da necessidade de “enfaixar as feridas com a misericórdia”];

6. Visitar os presos– Mt.25,36 [a relacionar com a humanização das prisões, o acompanhamento das famílias com reclusos, os problemas da reintegração dos ex-reclusos / dos presos políticos ou religiosos];

7. Enterrar os mortos– Tb.1,17; 12,12ss [a relacionar com as questões do tratamento e da celebração cristã da morte e do acompanhamento das pessoas feridas pelo luto e ainda com as questões ligadas à cremação).