quarta-feira, novembro 23, 2011

Advento - Tempo de Esperança


Estamos quase a Iniciar um novo tempo litúrgico. Eis que chega o tempo da esperança, da preparação, da vigilância. Para que o nosso coração se enriqueça desta certeza: Deus vem. O Senhor vem ao nosso encontro. Para que a nossa vida se inunde de um amor grande: Deus connosco, Emanuel. Para que o nosso ser seja plenamente enriquecido da graça da presença de um Menino que para nós é tudo. Vigiemos, portanto. Vivamos atentos. Preparemos todo o nosso interior para a chegada de Deus!
Estamos a começar o Advento. É um tempo para preparar o Natal. Ele é para todos, porque o Natal é também para todos.

O Advento é o tempo da esperança verdadeira. O Tempo em que Jesus Se encontra com cada um de nós e mostra a bondade do Pai. Mas há muita gente que não consegue ver esta verdade poderosa. Para ver Deus que Se revela é preciso ter o coração dos pequenos, o coração puro, capaz de se abrir à LUZ.
A caminhada da preparação para o Natal não é mais um adorno exterior, porventura até enriquecedor da liturgia do tempo, mas uma ocasião fundamental para darmos um ou mais passos para a frente. É um Tempo para aprender a esperar Deus que vem ao nosso encontro. Mas como se faz para preparar um encontro com Deus? A Palavra de Jesus é clara: "Há que acordar!" Que estar praparados para a mudança. Acima de tudo, há que despertar o coração. Às vezes, temos o coração pesado demais. Preocupações, desilusões, enganos, falsos deuses, valores insignificantes...há muita coisa a tornar pesado o nosso coração. E vivemos, como que anestesiados. Sem capacidade de reagir com entusiasmo e energia diante de um acontecimento inesperado.

O Advento é como uma obra de engenharia. É um tempo para avaliar a qualidade do terreno sobre qual construímos a nossa casa, a nossa vida.
Temos coragem de escavar mais fundo, à procura da rocha verdadeira que é CRISTO? Ou contentamo-nos com terrenos frágeis, sempre instáveis e movediços, incapazes de dar solidez e dignidade ao nosso futuro? Escavar em profundidade não é só escutar a Palavra de Deus: é pô-la em prática! Transformá-la em gestos concretos
 É importante, por isso, que toda a comunidade cristã (crianças, adolescentes, jovens e adultos), individualmente e em grupo, se empenhe neste processo. O Natal não é o passado histórico, celebrado de forma mais ou menos romântica e folclórica, mas é o presente da fé comprometido com o futuro esperado e possível. DEUS não é o passado: É o hoje e o amanhã.

O Advento oferece-nos dias de graça especial. Esta certeza deve animar a esperança aos discípulos, sobretudo em momentos de alguma confusão ou dispersão. Esperamos porque sabemos em quem colocamos a nossa confiança, porque estamos a preparar os caminhos de uma vinda que já há muito começou. Esperamos porque sabemos Quem vem ao nosso encontro. Desejar este encontro com o Senhor converte-se em urgência de vida, lança-nos na luta pelo que desejamos, e isso é Advento… Renovemos a consciência de nos inscrevermos na multidão daqueles que escutaram uma palavra que lhes falava do futuro… e acreditaram. Abraão, Moisés, Zacarias, Maria, José, Pedro e tantos outros. Deus vem ao nosso encontro, em amor e misericórdia, para recriar um Povo de coração novo.

Vamos procurar ter contemplar as atitudes de Maria, a mulher que acolheu livre e plenamente a Palavra de Deus. Através dela, Deus deu ao mundo o Salvador. Meditemos na sua atenção à Palavra de Deus, na sua disponibilidade em acolher o plano salvífico de Deus para a humanidade, na sua humildade e confiança no Senhor, na sua atitude de serva. Façamo-nos acompanhar por Ela neste advento ao longo do qual Deus também nos convida a dar “espaço” em nós ao amor que encarna.

Video Advento




1º Domingo do Advento


EVANGELHO – Mc 13,33-37

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos: "Acautelai-vos e vigiai, porque não sabeis quando chegará o momento. Será como um homem que partiu de viagem: ao deixar a sua casa, deu plenos poderes aos seus servos, atribuindo a cada um a sua tarefa, e mandou ao porteiro que vigiasse. Vigiai, portanto, visto que não sabeis quando virá o dono da casa: se à tarde, se à meia-noite, se ao cantar do galo, se de manhãzinha; não se dê o caso que, vindo inesperadamente, vos encontre a dormir. O que vos digo a vós, digo-o a todos: Vigiai!"


Encontramo-nos no início desse maravilhoso tempo que é o Advento. O texto que hoje nos é proposto como Evangelho deve marcar a nossa caminhada e predisposição total a reencontrar-nos com o Amor de Jesus. No contexto do Evangelho, este capítulo constitui um discurso escatológico, sobre o tempo novo que virá após a destruição do Templo e de Jerusalém. A narrativa situa-nos em Jerusalém, pouco antes da Paixão e Morte de Jesus, e insere-se no plano dos ensinamentos de Jesus. No final desse dia, Jesus, sentado no monte das Oliveiras, diante do Templo, oferece um ensinamento a um pequeno grupo dos seus discípulos. Os seus interlocutores são Pedro, Tiago, João e André (cf. Mc 13,3) que colocam a Jesus uma questão em privado: diz-nos quando será o fim dos tempos e qual o sinal de que tudo está para acabar. Porém, a resposta de Jesus é dirigida a todos. Quanto ao dia ou à hora, ninguém sabe, a não ser o Pai (cf. Mc 13,32).

Vigiar! Esta é a palavra curta mas incisiva deste domingo de Advento. Vigiar, estar atentos, esperar o dono da casa que em breve regressará, é a atitude que Jesus pede a todos os seus discípulos. Jesus repete esta palavra mais três vezes, pelo que deve ser algo de importante a comunicar aos seus discípulos. A vigilância ajuda-nos a estar preparados a não cair em tentação, a não adormecer. Vigiar é a luz da espera da esperança, condição fundamental a não adormecer.

Acção
Proponho-me ao longo desta semana recordar-me no íntimo deste convite de Jesus – acautelai-vos e vigiai -  não com uma atitude de medo, mas  com aquela abertura de olhar a Jesus que vem ao meu encontro. Estarei atento para o reconhecer? Reconhecerei os momentos em que “adormeço” diante da vida? Poderei evitar as situações que me afastam do seu amor?

Vídeo 1º Domingo do Advento - Ano B







2º Domingo do Advento



EVANGELHO – Mc 1, 1-8
Início do Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus. Está escrito no profeta Isaías: «Vou enviar à tua frente o meu mensageiro, que preparará o teu caminho. Uma voz clama no deserto: ‘Preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas’». Apareceu João Baptista no deserto, a proclamar um baptismo de penitência para remissão dos pecados. Acorria a ele toda a gente da região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém e eram baptizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados. João vestia-se de pêlos de camelo, com um cinto de cabedal em volta dos rins, e alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre. E, na sua pregação, dizia: «Vai chegar depois de mim quem é mais forte do que eu, diante do qual eu não sou digno de me inclinar para desatar as correias das suas sandálias. Eu baptizo-vos na água, mas Ele baptizar-vos-á no Espírito Santo».

O testemunho de João Baptista convida-nos nesta semana a vivermos o significado de cada Natal: o encontro autêntico com Jesus, centro e fim da nossa fé. Preparar os caminhos do Senhor e endireitar as suas veredas, é uma tarefa constante de cada cristão, um caminho de conversão permanente que não nos deve apanhar descuidados e desatentos, mas centrados no que é fundamental para nós: a certeza de que Jesus, vem de novo para nos salvar. Na voz do profeta estão reunidas as vozes dos profetas de todos os tempos. Essencial, é descobrirmos o que essa profecia significa para nós hoje e que mensageiros e que mensagem nos anunciam os verdadeiros profetas do nosso tempo que insistentemente nos dizem: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas.

Vídeo 2º DOMINGO DO ADVENTO



Bom Advento!




3º Domingo do Advento





Ano B – III DOM do Advento - Gaudete
«No meio de vós está Alguém que não conheceis»

A liturgia do terceiro domingo do Advento é centrada no tema da alegria. De facto, a Igreja tradicionalmente chama ao terceiro domingo do Advento, domingo da alegria ou domingo Gaudete. A cor litúrgica sugerida para este dia diz também a sua peculiaridade no todo do ano litúrgico. Neste sentido, toda liturgia ganha uma unidade: leituras, evangelho, orações em redor desta atitude e bem-aventurança bíblica: Alegrai-vos!
O episódio evangélico de hoje, (na realidade este domingo poderemos ler dois textos do evangelho) continua a orientar o nosso caminho em direcção ao Natal que se faz sempre mais próximo.
O evangelho deste domingo, do primeiro capítulo do evangelho de João, ajudar-nos-á a descobrir quem é Jesus e o perfil e traços do Evangelizador.

Evangelho segundo São João (1, 6-8.19-28)
Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. Foi este o testemunho de João, quando os judeus lhe enviaram, de Jerusalém, sacerdotes e levitas, para lhe perguntarem: «Quem és tu?» Ele confessou a verdade e não negou; ele confessou: «Eu não sou o Messias». Eles perguntaram-lhe: «Então, quem és tu? És Elias?» «Não sou», respondeu ele. «És o Profeta?». Ele respondeu: «Não». Disseram-lhe então: «Quem és tu? Para podermos dar uma resposta àqueles que nos enviaram, que dizes de ti mesmo?» Ele declarou: «Eu sou a voz do que clama no deserto: ‘Endireitai o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías». Entre os enviados havia fariseus que lhe perguntaram: «Então, porque baptizas, se não és o Messias, nem Elias, nem o Profeta?» João respondeu-lhes: «Eu baptizo em água, mas no meio de vós está Alguém que não conheceis: Aquele que vem depois de mim, a quem eu não sou digno de desatar a correia das sandálias». Tudo isto se passou em Betânia, além Jordão, onde João estava a baptizar.

O testemunho de João é neste contexto muito sugestivo. Ele testemunha com a sua vida, com todo o seu ser, a partir até do seu próprio nome que Deus é amor misericordioso. Ele é uma testemunha, aquele que faz experiência na própria pele, aquele que dá o devido protagonismo a quem o merece. Jesus é quem indica a verdade, é quem ilumina o caminho no meio da escuridão. João neste contexto interpela-nos a sermos testemunhas, aquelas testemunhas que ensinam com a vida, com o exemplo, tal como Paulo VI pedia aos cristãos do mundo inteiro: "O homem contemporâneo escuta com melhor boa vontade as testemunhas do que os mestres” (EN 41).

Testemunhar! Um gesto, uma atitude, uma palavra… Como posso indicar hoje ao mundo que Jesus é a luz?

O testemunho de João é perseverante, é centrado em Jesus. Ainda que abundem incompreensões, perseguições, João escolhe preparar o caminho do Senhor. Preparar caminhos para que Ele passe, para que Ele chegue, para que Ele entre na nossas vidas, nas nossas cidades, no nosso mundo. João não se sobrepôs, mas fez-se instrumento. Eis mais um desafio à nossa vida, ao nosso caminho: ‘Endireitai caminho do Senhor’

João prepara o caminho, anuncia, é o precursor, mas anuncia uma realidade que vive e acredita. No meio de vós está alguém! Eis a grande certeza que não nos pode deixar indiferentes, a grande notícia que muda as nossas vidas, o grande anúncio que muda o rumo da história. João anuncia “alguém”, toca a cada um de nós descobri-lo, encontrá-lo, acolhe-lo, este alguém conta com o nosso sim, a nossa vida, conta connosco. No Natal que agora se aproxima Jesus far-se-á novamente presente no meio de nós. A sua Palavra por isso nos interpela novamente. Alegrai-vos!

Oração

Obrigado Senhor pela tua presença no meio de nós!
Eis o motivo da nossa alegria, da nossa esperança.
Obrigado por tudo,
Pelas luzes, pelas sombras,
Pelo amor e as traições
Pela vida, pela dor
Que em ti nos ajudam a descobrir sempre melhor o teu Amor.


Vídeo 3º Domingo de Advento - Ano - B




Arménio Rodrigues

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