sexta-feira, abril 07, 2017

O Essencial é Amar



Vivemos incessantemente buscando o amor, porque sabemos que só ele dá sentido à vida. Crescemos e ouvimos histórias de amor, do mito “foram felizes para sempre”.
Ligamos a rádio e as canções falam de amor, vemos uma telenovela e a palavra amor é repetida vezes sem conta…
Vamos ao cinema e o enredo trata do tema do amor. Festeja-se o S. Valentim e as montras enchem-se de corações….Banalizamos o amor. Reduzimos geralmente o amor ao erótico…ao desejo…O amor é moeda de troca, objecto de comércio, fonte de lucros. Já mais adultos experimentamos o contrário. Olhamos a nossa volta e vemos o divórcio e a separação, o vazio e a solidão…..
É nestas ocasiões que precisamos de ir mais além…
É importante superar os nossos gostos com atitudes positivas, de abertura, de reconhecimento e entrega aos outros….É a isto que chamamos AMOR!
Amar é diferente de gostar…gostar é simpatizar com o outro…
Amar é aceitar o outro, ainda que isso seja difícil…só assim se percebe o mandamento de Jesus “amai os vossos inimigos…”. Amar é uma atitude positiva, de ajuda, de preocupação pelo bem do outro…
A simpatia, a delicadeza e a bondade fazem parte do amor.
O amor, contudo, há-de ir até ao ponto de fazermos aos outros o que queremos que nos façam e de não fazermos aos outros o que não queremos que nos façam. Esta é a regra de ouro do relacionamento com os outros
O amor vem de Deus e orienta-se para Deus, porque Deus é Amor!

quinta-feira, março 30, 2017

Palavra de Deus - Escola de Oração



A Palavra de Deus é fonte de vida para os crentes. Fonte límpida e perene de vida espíritual. Luz para o caminho. Força para a construção da própria identidade. Alimento para a oração - A Palavra de Deus não é uma simples expressão literária: é Deus que fala - já todos o sabemos. Deus diz-se a si mesmo através da Sua Palavra. Quando rezamos procuramos o diálogo com Deus que nos ama e que amamos. A oração é, deste modo um jogo de "palavras encontradas". Diálogo de encontro entre as "palavras que dizemos" com "a palavra" (Verbo encarnado) que nos acolhe e ama. É por isso que a Palavra é ao mesmo tempo fonte e alimento da nossa oração. Alfa e Omega. Princípio e fim.
A partir da Palavra, a vida cristã nasce e é alimentada, curada, fortalecida e comprometida na missão da Igreja no mundo. Uma catequese sem a Palavra é como uma árvore sem a sua seiva. Na catequese anunciamos a Palavra de Deus. A Palavra de Deus ilumina a própria vida, tornando-se experiência de encontro. E da Palavra, nesse encontro, fazemos oração. Deus fala, nós respondemos. Rezar é escutar a Palavra de Deus, lê-la com um coração disponível e depois dirigir-se ao Senhor com as palavras e os sentimentos que Ele mesmo suscita no nosso coração. Com a Palavra, introduzimos os nossos catequizandos na dinâmica da oração, da partilha com Deus, fazendo da Palavra, vida. Colocando a Palavra nos eventos quotidianos. Fazendo da escuta da Palavra, oração.
Num tempo em que a vida corre demasiado veloz, cheia de mil coisas e preocupações, é fácil prescindimos da escuta da Palavra de Deus, que o mesmo é dizer, do tempo de oração. Para que isto possa acontecer e se torne uma experiência que toca a vida é necessário criar e cuidar um ambiente que favoreça o silêncio, a intimidade, a escuta...


As notícias que invadem o nosso dia-a-dia estão cheias de pessimismo sensacionalista. Deixo que esta interrogação faça eco em mim: estou apto/a a descobrir os sinais da vida eterna que pulsa no coração da humanidade ou vivo na sombra de um sol sem esperança? O que posso concretamente fazer para que a vida em abundância chegue a quem duvida, dela carece ou a ignora? Envio uma mensagem ou um sms a alguém como partilha de algo belo e divino que descubro ou experimento.

O que significa hoje alimentar-se de Jesus? É seguir os seus passos, aprofundar a sua vida e segui-l'O no sim a Deus e no amor aos irmãos, entrar em profunda adesão de coração com Cristo Senhor, até ao ponto de experimentarmos o que S. Paulo nos comunica: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim” (Gal 2,20). Quando alguém acolhe Jesus como o pão que desceu do céu, torna-se um Homem Novo.

O maná a que Jesus se refere pode representar hoje aquelas propostas de vida que, tantas vezes, nos atraem pelos aplausos recebidos no palco do mundo, pelo poder e fama que a moda ou a opinião pública dominantes nos oferecem, pela ilusão de uma felicidade fácil adquirida em cada fragmento de tempo…Mas o momento passa e o sentimento de vazio ganha espaço na nossa vida quando nos alimentamos de experiências que não geram vida plena. É preciso aprender a não colocar a nossa esperança e a nossa segurança nesse “pão” demasiado leve. Pode parecer difícil treinarmo-nos nesta experiência de fé, mas não nos esqueçamos que é nesse espaço de fé que o mistério do Amor se revela como vida autêntica.

ORAÇÃO

Rezo, medito e contemplo esta passagem de S. Paulo aos Efésios:

«É por isso que eu dobro os joelhos diante do Pai, do qual recebe o nome toda a família, nos céus e na terra: que Ele vos conceda, de acordo com a riqueza da sua glória, que sejais cheios de força, pelo seu Espírito, para que se robusteça em vós o homem interior; que Cristo, pela fé, habite nos vossos corações; que estejais enraizados e alicerçados no amor, para terdes a capacidade de apreender, com todos os santos, qual a largura, o comprimento, a altura e a profundidade... a capacidade de conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa todo o conhecimento, para que sejais repletos, até receberdes toda a plenitude de Deus. Àquele que pode fazer imensamente mais do que pedimos ou imaginamos, de acordo com o poder que eficazmente exerce em nós, 21a Ele a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, em todas as gerações, pelos séculos dos séculos! Ámen.» (Ef 3,14-21)



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Vídeo: Tua Palavra




Arménio Rodrigues

domingo, março 26, 2017

IV Domingo da Quaresma



Nesta caminhada quaresmal, a liturgia apresenta-nos a cura do cego de nascença. Jesus é a luz do mundo que vem abrir os nossos olhos à fé, à nossa adesão plena como discípulos. Quando tudo parece perdido, Jesus faz-se próximo, com o seu brilho, para dar sentido à nossa vida. Assim, são-nos apresentados dois caminhos: o caminho da visão plena, percorrido por aquele homem inicialmente cego, mas que chegou ao reconhecimento de Jesus como Messias; e o caminho da cegueira obstinada, renitente, personificada pelos fariseus e pelas autoridades judaicas que se recusaram em reconhecer, em ver, em Jesus a luz do mundo.

PALAVRA
Naquele tempo, Jesus encontrou no seu caminho um cego de nascença. Os discípulos perguntaram-Lhe: «Mestre, quem é que pecou para ele nascer cego? Ele ou os seus pais? Jesus respondeu-lhes: «Isso não tem nada que ver com os pecados dele ou dos pais; mas aconteceu assim para se manifestarem nele as obras de Deus. É preciso trabalhar, enquanto é dia, nas obras d’Aquele que Me enviou. Vai chegar a noite, em que ninguém pode trabalhar. Enquanto Eu estou no mundo, sou a luz do mundo». Dito isto, cuspiu em terra, fez com a saliva um pouco de lodo e ungiu os olhos do cego. Depois disse-lhe: «Vai lavar-te à piscina de Siloé»; Siloé quer dizer «Enviado». Ele foi, lavou-se e ficou a ver.

O caminho de Jesus é a vida dos necessitados, dos que sofrem, sejam eles pecadores, cegos, coxos, ou excluídos da sociedade e do culto. O caminho de Jesus é passar e dar sentido, luz, aos que estão à beira do caminho, “encostados”, à espera que alguém passe, os atenda, os conduza à luz, à abertura dos olhos para a fé. Jesus é o filho obediente que está no mundo para ser luz no caminho dos homens e manifestar as obras de Deus. Este cego que Jesus encontra, representa as nossas cegueiras, tudo o que colocamos como prioridades, sem Deus, e que ofusca a visão plena de Deus: nada vemos além do nosso mundo fechado de trevas… e precisamente aí, quando tudo parece perdido, onde não encontramos saída… aparece Jesus, num gesto criador! O toque de Jesus, acompanhado com a nossa obediência, dará lugar ao milagre! Porque teimamos a nossa cegueira? Falta-nos confiar em Jesus?

ORAÇÃO

Vem, Senhor Jesus, vem depressa à minha vida, vem iluminar-me, vem abrir os meus olhos para reconhecer-Te como “Senhor”. Tu que és luz do mundo, vem ser luz na minha vida, vem quebrar as minhas amarras, vem manifestar as obras de Deus na minha vida. Liberta-me do meu pecado, liberta-me das seguranças que construí, sem ti, sem a tua presença. Abre meus olhos, Senhor, abre meus olhos, abre meus olhos à tua luz.

Vídeo IV Domingo da Quaresma