quarta-feira, dezembro 14, 2011

4ºDom - Advento


Ano B –IV DOMINGO DO ADVENTO
«Conceberás e darás à luz um Filho, a quem porás o nome de Jesus.»

O Evangelho proposto para esta semana é o da Anunciação. Trata-se de uma narração do encontro inesperado de Maria com o Anjo Gabriel que lhe anuncia o projecto de salvação por parte de Deus, que a envolve em primeiro lugar. O episódio revela-nos quem são as personagens, qual o conteúdo do anúncio, quais as reacções que tal anúncio provocou na jovem de Nazaré e que resposta foi dada.
É incrível que a Encarnação, o acontecimento fundamental para a salvação da humanidade, tenha sido anunciado de um modo tão discreto a uma jovem.  

Deus faz-se homem e vem habitar connosco: isto muda o nosso modo de ver Deus e o homem. Muda o nosso modo de existir: é-nos proposta uma Aliança, uma “co-habitação” que nos interessa e nos leva a tomar uma posição. Na resposta da fé está o nosso risco, a possibilidade de nos realizarmos, actuando o projecto de Deus, para além de toda a esperança humana. Conscientes da nossa pobreza e dos nossos limites, mas com plena confiança, como Maria, no amor omnipotente, somos chamados a dizer o nosso “sim” ao Senhor, na oração e na vida.

É sempre Deus quem decide manifestar-se e coloca-nos na condição de O conhecer e de O encontrar. É sempre Ele O mais interessado em estabelecer diálogo connosco, enquanto da nossa parte revelamos distracção ou incapacidade de reconhecer a Sua existência e os seus dons. Deus escolhe sempre o que parece ser insignificante aos olhos dos homens, mas é Ele quem projecta e propõe, dá o primeiro passo; cada chamamento traz consigo uma missão: Maria não é apenas uma criança mas uma mulher escolhida para ser, através do Filho de Deus, Mãe de toda a Humanidade. Ela será a nova Eva, aquela que, ao contrário da primeira, será obediente em tudo à vocação recebida. Deste modo, Maria encontra e deixa-se encontrar. O Anjo Gabriel é portador de uma Palavra que não é apenas discurso, mas é uma força que transforma o coração e imprime uma marca na sua existência; daí o significado do seu nome Força de Deus. Deus deseja a nossa participação no seu desígnio de salvação. Até que ponto me deixo interpelar por esta Força de Deus, que me chama e quer revelar uma missão?

ORAÇÃO
Senhor, faz que eu reconheça a Tua voz, quando quiseres falar comigo;
que eu possa reconhecer o Teu olhar, quando Te esconderes entre os meus irmãos;
faz com que eu não tenha medo dos Teus pedidos nos momentos em que os propões. Que no silêncio da minha “casa”, eu acolha a força da Tua Presença e da Tua Palavra, para que a minha história se torne história de salvação.


Vídeo: 4º Domingo de Advento-Ano-B



BOM ADVENTO

Arménio Rodrigues

sábado, setembro 24, 2011

Não temas!


Quando Cristo ressuscitado aparece aos seus discípulos diz-lhes sempre: "A paz esteja convosco!" (Lc 24,36). E todos os cristãos sabem que quem tem Deus nada lhe falta. Mas ainda subsiste uma certa imagem de um Deus temível, castigador e, diria mesmo, vingativo! A aumentar a confusão está a catequese onde se diz que o "temor de Deus" é um dos sete dons do Espírito Santo. Mas o que é o temor? Será que o temor de Deus, como dom do Espírito Santo, é o mesmo que  medo e castigo?

O temor na Bíblia
Quando a Sagrada Escritura fala em temor de Deus não está a afirmar que o homem deve estar com medo diante de Deus. Fala antes de uma atitude de reverência e respeito ao Senhor. Temer a Deus é, portanto, reverenciar e respeitar ao Criador. Senão vejamos: "Seguireis ao senhor, vosso Deus, e a Ele haveis de temer; cumprireis os seus preceitos e não obedecereis senão à sua voz; a Ele prestareis culto e só a Ele servireis!" (Dt 13,5); "O resumo do discurso, de tudo o que se ouviu, é este: teme a Deus e guarda os seus preceitos, porque este é o dever de todo o homem." (Ecl 12,13)
O temor de Deus é o ponto central da religião judaica. O homem religioso assume com seriedade as relações com Deus e o cumprimento dos mandamentos, embora sabendo que esta atitude não o irá ilibar das dificuldades e desventuras da vida. Por isso, os textos bíblicos apresentam uma série de reflexões sobre o tema. Inclusivamente Salomão, de forma didáctica, diz no livro dos Provérbios como deve ser o proceder do homem para conhecer o significado do que é temer a Deus e como o conseguir: "Se invocares a inteligência e fizeres apelo ao entendimento, se a buscares como se procura a prata e a pesquisares como um tesouro escondido, então, compreenderás o temor do Senhor e chegarás ao conhecimento de Deus." (Pr 2,3-5)
Deus é fonte desta atitude, como nos diz Jeremias. Ele mesmo a suscitou nos corações dos seus escolhidos: "Dar-lhes-ei um só coração e um comportamento íntegro, para que sempre me reverenciem, para a felicidade deles e dos seus descendentes. Farei com eles uma aliança eterna, e não deixarei de lhes fazer bem; infundirei no seu coração o meu temor para que não se afastem de mim. A minha alegria será fazer-lhes bem; estabelecê-los-ei solidamente nesta terra com todo o meu coração e com toda a minha alma." (Jer 32,30-41).
Temer a Deus é respeitar ao Senhor e começa, inicialmente, por odiar o mal. "O temor do Senhor detesta o mal. E eu detesto o orgulho, a arrogância, a má conduta e a boca mentirosa." (Pr 8,13).
Temer a Deus é virar-se contra o pecado, deixando nascer dentro do coração uma sensibilidade ao Espírito Santo, capaz de rejeitar tudo o que se opõe a Deus. O temor de Deus é, assim, a capacidade de seguir as sugestões de Deus para orientar a própria vida, pelo que não se consegue sem o dom do Espírito Santo.
No fundo, é Ele o grande Mestre que nos pode ajudar a distinguir entre o temor de Deus como dom, e o ter medo de Deus como desvio.
"Não te exaltes a ti próprio para não caíres nem atraíres sobre ti a vergonha; porque o Senhor revelará os teus segredos, e te humilhará no meio da assembleia, pois não te aproximaste do temor do Senhor e o teu coração está cheio de falsidade." (Sir 1, 12-30).
Podemos então concluir que o temor de Deus, se porventura tiver alguma coisa a ver com medo, é medo de mim próprio, medo de me afastar de Deus.
Nunca medo de Deus, porque esse é Misericórdia.

Vídeo: O Teu Nome


terça-feira, agosto 16, 2011

Férias: Ao falar de TI...




Férias

Não são férias de fé. Mas são um bom tempo para repousar um pouco. É um tempo bom para descansar, rezar melhor, para recuperar equilibrio e forças. Para ganhar energia para os novos desafios.
Nestas  férias leva a Bíblia para onde fores  para ler um pouco durante os descansos.
Boas Férias.


Ao falar de Ti...


Senhor,
Eu quero ouvir a Tua voz
Fazer florescer e frutificar a Tua Palavra,
Reconhecer-te, descobrir-te,
Em cada gesto,
Em cada palavra,
Em cada momento,
Em cada esquina da minha vida…
Perdoa o meu silêncio,
A minha falta de resposta…
Eu sei, Senhor,
Que tu conheces como ninguém
O meu coração fraco, débil,
Que a cada passo
Se deixa tentar pelo mal
Para depois se afogar em lágrimas de dor e desespero,
Eu sei também que a Tua mão
Está sempre estendida,
Pronta para me resgatar…
Vens ao meu encontro.
Perdoa, Senhor a minha cegueira,
Apura os meus sentidos e o meu coração
Para que sinta fome e sede de Ti
E Te possa sentir em tudo e todos…
Não permitas que o meu coração endureça,
Atrofie, se torne árido e seco,
Tendo a fonte tão perto de mim.
Não deixes que eu perca o brilho do olhar,
Ao falar de Ti.





Vídeo Oração



Abraço fraterno!
Arménio