sábado, maio 20, 2017

Ama, Crê e Vai!


Nos últimos dias da sua despedida, Jesus não deixa de recomendar aos seus o seu mandamento novo: “que vos ameis uns aos outros como eu vos amei”. O mandamento do amor é o distintivo de todos os cristãos. Supõe esta ligação essencial a Cristo e ao seu Evangelho. Supõe esta adesão única à mensagem de Jesus e ao seu projecto de um novo “Reino”. Supõe a libertação de tudo aquilo que não nos identifica com o que nos é mais distintivo: uma forma de amar que é capaz, até, de perdoar aos inimigos. E esta forma de amar foi-nos ensinada por palavras, e, mais que tudo, testemunhada pela forma de actuar do Senhor que nos pede hoje que, como comunidade, nos amemos uns outros, e como cristãos, não deixemos nunca de amar como ele nos amou.

“Meus filhos, é por pouco tempo que ainda estou convosco”.

Jesus, mais uma vez, previne os discípulos do que vai acontecer. Certamente com este anúncio quer fazer ressaltar ainda mais a importância do testamento que lhes quer deixar. Já não terá oportunidade de lhes comunicar muito mais. Que fixem bem o “mandamento novo” que lhes vai anunciar. Jesus parte fisicamente, mas a sua separação não será definitiva. Temos nós consciência do que medeia entre esta separação e o Cristo ressuscitado? Até que ponto recordamos e vivemos o que Ele nos assegurou depois: “Não vos deixarei sós…”, “Estarei convosco…até ao fim do mundo”. Cristo morto, mas ressuscitado. Cristo morto, mas vivo. Cristo morto mas pronto a fazer connosco a vontade do Pai: a libertação dos homens! Contamos com Ele no dia a dia da nossa vida de baptizados comprometidos?

“Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como Eu vos amei, amai-vos também uns aos outros.”

Sabemos que já no Antigo Testamento Deus educara os judeus na linha do amor: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” e “o estrangeiro que reside convosco…amá-lo-ás como a ti mesmo…” podemos ler no Lv 19, 18.34. Onde está então a novidade do mandamento de Jesus? Precisamente no “amai-vos como Eu vos amei”. Da pedagogia usada durante três anos contra o egoísmo e interesses pessoais dos discípulos, passando pelo lava-pés até à crucifixão, tudo foi amor na vida de Jesus. Se não o que é que faz um Deus pendurado numa cruz? Não é essa cruz a amorosa e infinita gratuidade de um Deus? Dar a vida por outro. Sem nada pedir. Por puro e gratuito amor. Pensando apenas na felicidade do outro. É esse o Deus que nos pede que “nos amemos como Ele nos amou”. Será que no-lo pode propor?

“Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”.

A exigência de Jesus aos seus discípulos continua a ser-nos proposta hoje a nós. Os cristãos somos homens como os outros, vivemos nos mesmos locais, temos as mesmas profissões, os mesmos divertimentos. Cidadãos em tudo iguais aos outros. Porém…possuímos uma “marca d’agua” especial que distingue o nosso modo de viver: é amor! Não um amor light, deturpado, egoísta, mas um amor que tem a sua fonte em Deus. Deus é amor e só pode amar. O distintivo dos cristãos é esse amor que nasce de Deus, um amor mútuo, gratuito, onde mergulha todo o nosso agir e viver, transformando-o também em amor. Um amor que se dá, que se entrega, que consegue dar um sentido divino à nossa vida. Exageros? Arroubos? Se é Jesus que no-lo diz, que no-lo manda, que nos deu por primeiro o exemplo, como podemos ainda duvidar? Não será antes um tentar justificar a nossa real falta de amor?

ORAÇÃO
Senhor, Vós que morrestes por nós numa cruz, dai-nos um pouco de gratidão e de coerência: somos amados até ao extremo e custa-nos a retribuir um pouco do amor que gratuitamente recebemos. Quase sempre partimos do nosso desejo, do nosso gosto, da nossa vontade. É isso que julgamos que está certo e nos torna felizes, Tu, Senhor, em tudo seguiste, não a Tu vontade, mas a vontade do Pai. E por isso toda a Tua vida foi amor. Ajuda-me, Senhor, a convencer-me que é amando que assemelharei a minha vida à Tua.

Vídeo: Ama, crê e vai!!

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